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23 de ago. de 2015

onde existia o equilíbrio

Este ano é das despedidas.
Quando tu compras uma blusa nova é porque uma velha vai ser aposentada. Quando tu realmente gostas daquela blusa, tu luta para que ela fique lá no teu guarda-roupas e a usa mesmo que ela já esteja rasgada e surrada; e qualquer blusa que tu compre, pode até tentar, mas não vai substituir aquela que tu adorava. Acho que a analogia se aplica ao momento.

Vim guardando e tentando processar tudo que aconteceu nos últimos 3 anos. Houveram muitos momentos de descontrole, muitos de resgate... Com certeza foram aprendizados muito grandes. Consegui me abrir, analisar os outros e a mim, procurar os principais motivos de tais atitudes, montar o background e então tomar uma decisão com calma e serenidade.
Demorou. Foi bem doloroso e um caos enorme que muitas vezes explodiu de forma radial.

Durante um período tudo que eu queria era voltar à forma com que tudo transcorria. Mudanças são desgastantes. Maiores ainda quando a reforma é em ti e nos outros. Precisei alterar os padrões de toda minha família.
E ainda falta tanto...

Seria tudo bem mais fácil se o meu pessoal tivesse se mantido calmo e constante... não, foi uma série de desilusões e faltas de timming. Foi tentar resgatar tudo que eu havia deixado dormente ao longo da minha caminhada.
Principalmente ao longo deste tempo, minha autoconfiança foi muito oscilante. Aceitei a minha imagem, minhas qualidades e meus defeitos. Tentei mobilizar tudo que me afeta e processá-los internamente.
Talvez seja preciso resolver tudo do passado que ainda te assombra no presente para seguir para o futuro.

Muitas vezes tive pena de quem assistia aos meus dramas. Eu sabia que havia me desviado do caminho, sabia como corrigir tudo e mesmo assim eu ainda seguia, cada vez mais profundo, no caminho errado. Surrando ainda mais todo um emocional já fragilizado e em desordem.
E tu estavas lá, na mesma hora a cada semana, esperando para me mostrar o lado positivo das coisas erradas que eu fazia.
No penúltimo mês eu sentia vontade de te contar as coisas, de ver o teu sorriso de aprovação, de orgulho do teu próprio trabalho e de como tudo evoluiu.

No início desse ano eu conheci o trabalho da Flavia Melissa e, acompanhando todo desenrolar da caminhada dela, descobri outra destas raras conexões. Então, com o projeto 300 dias de Gratidão senti a vontade de colocar em prática muitas das teorias e desejos que passei a ter.
No início deste mês, quando recebi a notícia, logo pensei na situação da Flavia Melissa. A cada dia que passa sinto mais gratidão pelo trabalho que desenvolvemos e compreendo a necessidade deste momento em nossa caminhada.
Mas também não deixo de sentir tristeza e insegurança. Vou dizer adeus a uma das pessoas mais queridas que já conheci e admirei e no lugar que ela ocupa, virá alguém diferente.

Talvez agora, com estas duas últimas e fortes despedidas, eu esteja mais preparada para esta terceira. Saber que o motivo é muito nobre também ajuda.

Até na despedida tu me ajudas. A única coisa que posso fazer sobre estes 3 anos é agradecer por toda ajuda, paciência e positividade que tivestes.
Desejo, do fundo do meu coração, que tudo dê certo, pra nós duas.

11 de jan. de 2015

sobre a antiga rotina

Peguei minha bicicleta e fiz o caminho mais natural possível: em direção a praia. Antes parei na casa de um amigo, que já nem mora aqui; queria falar com seus pais. Depois de uma hora de conversa, voltei ao meu caminho.

A casa dele tem a grama mais alta que a rua, o que sempre dá um certo embalo ao início da pedalada. Por 6 anos sempre tomei o rumo sul. Dobrei na entrada para a praia e já enxergava novamente o mar. Mais cedo, havia tomado o primeiro banho do ano e agradecido a tudo que já me aconteceu. Pedalei por um tempo, até que o nordestão me fez parar. Então larguei a bicicleta próxima e encontrei uma duna para sentar.

Pela posição do sol deviam ser umas 19:30h passada. As pessoas já estavam indo embora e um certo frescor pairava. Entre todas músicas altas e barulhos de carro, eu ainda conseguia escutar o barulho do mar e em menos de dois minutos, já estava arrepiada e com o olho cheio d'água. Dizem que esta reação tem sido muito recorrente.

Lembrei que da última vez que passei na casa do amigo e segui para a praia antes de ir para casa, ao me deparar com a imensidão do mar, pedi com todas as forças para que conseguisse a minha vaga para a Oceano. Aqui estou eu, indo pro 3º ano e cada vez mais maravilhada com tudo que aprendo. E nesse clima, segui observando com olhos de cientista-júnior a natureza a minha volta.

Agora a praia já estava quase vazia, com alguns resistentes que desejariam ver o pôr-do-sol. Lembrei das vezes que me senti incomodada pela quantidade de pessoas disputando seu lugar na areia. Lembrei de como fui mimada, tendo durante o ano inteiro uma praia com 250 km de extensão. Lembrei dos invernos de menos de 10ºC, onde mal se ensaiava um sol, e nós já estávamos mateando na praia.

Me fiz muitos questionamentos de diversas áreas e a única resposta que obtive foi: porque amo. Me entristece como quantos amigos partem sem necessariamente pensar em voltar. O ponto maior que penso é: se uma amizade prevalece até no outro lado do mundo, porque não?

Na sexta-feira estava certa que terminaria meu atual livro neste fim de semana e acabei conseguindo ler exatas meia página. Ali, na praia, o livro estava dentro da bolsa, mas me sentia boba por ignorar tudo ao meu redor. Este sempre foi o meu problema, eu queria a totalidade, não o específico.

Não me importo se as coisas não saem como planejei, o que me entristece e chateia é que tenham 'dado errado'. Em momentos onde os pensamentos bons são menos recorrentes do que os maus, acredito que seja 'dar errado'. Principalmente quando se trata de relacionamentos. E tenho dificuldades em aceitar e acabo cometendo erros por crer que a história só acaba quando 'dá certo'.
Algumas coisas tem que dar errado e permanecer erradas, por um tempo. Tipo eu. Eu dei errado e permaneci algum tempo errada. Vejo que, em momentos de isolamento, as coisas encontram o equilíbrio.

Agora, devo ser errada, egoísta e manipuladora para que desta forma os erros parem de ser cometidos. 'Se não pode vencê-los, una-se a eles' e, infelizmente vejo que este poderá ser o caminho. Sob perspectivas diferentes, devo ter sido todas essas coisas e, se de fato é isso que pensam de mim, devo aceitar. Não há nada que possa fazer. Tentei mostrar que tive meus motivos, tentei mostrar que minhas intenções foram boas.

Não tem sido fácil aceitar e existe um caminho tortuoso a frente - bem diferente da praia a perder de vista na qual estou acostumada. Como falei algumas horas mais cedo, a gente deve passar por fases difíceis para que, com o tempo, as feridas cicatrizem e só fiquem as lembranças boas. E como dizia a minha avó, água salgada cura!

"Acordar cedo
Sentir a energia salgada do vento 
E a doce brisa do mar 

Acordar cedo 
E dar uma sacada na bóia no tempo 
Será que vai rolar

Acordar cedo 
Fazer pela vida fazer por mim mesmo 
Eu hei de conquistar 

Acordar cedo 
Seguir pela trilha da onda da vida 
Rezar pra Iemanjá"

14 de dez. de 2014

ciclos

É tanta coisa! A se fazer, a aprender, a processar! Quando acredito que virá a calma... não.
Estou dispersa, analisando cada atitude. Não consegui processar nada do que aconteceu na última semana. Sabia que seria assim, afinal encaro duas semanas sem fim de semana, de trabalho contínuo. Não sei mais o que é dormir tranquila e as olheiras no meu rosto só aumentam. Não faço questão de escondê-las.

Hoje eu pensei que seria uma destas noites onde tudo se acalma, tu tens amigos banhados por cerveja e risadas. Tolinha!
Ao baixar a guarda, fui testada sobre o que venho me tratando há, pelo menos, 7 meses. Qual o equilíbrio certo, localizado bem no meio do caminho entre ser disponível, ajudar, e ser disponível demais, alimentar uma dependência destrutiva?
A verdade é que eu gosto de passar a mão na cabeça das pessoas porque me sinto útil. O livro que leio fala sobre esse comportamento. Mais uma coisa para mudar!
E não interessa se a bebisse já bate à cabeça, a vida acontece no presente e os problemas não param de vir. Eu ajudei, eu fui disponível. E agora?


Os próximos 3 dias são determinantes e quando olho ao redor, só vejo confusão e teias de relações complexas. Daí eu sinto falta de outras pessoas. De amigos distantes, de quem eu não sei conversar, de momentos de paz e que fugiram por entre as minhas mãos e não se propagaram.
Eu sei que tudo vai ficar bem, para todos nós. Estamos nos últimos suspiros do semestre, só preciso aguentar por mais 4 dias e então, tudo será modificado.
Talvez eu tenha tempo de lidar com os outros aspectos que vem se arrastado e rastejado no chão lamoso, apenas para continuar acompanhando a forma rápida com que o fim de ano vem acontecendo.

Eu já tenho 21 anos e ainda moro com meus pais. Não tenho namorado nem filhos. Mal tenho uma gata, que suspeito se gosta de mim.
O que eu tenho é um afilhado que me admira, no auge dos seus 4 anos e, ontem, enquanto brincava de jogar bola, imaginava levá-lo a Cabo Polônio (UY). Meu momento de paz em um futuro um tanto longe. Agora, me contento em fazê-lo dormir, pensando no dia em que ele achará bobo que eu queira colocá-lo na cama.

Mais um ano... mais conquistas e mais batalhas, principalmente internas e que eu sei... estão só começando.

6 de nov. de 2014

A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way

"37
Costumava levar minhas mulheres às lutas de box e e às corridas de cavalo. Naquela quinta à noite fui com Katherine ao box e no estádio Olympic. Ela nunca tinha visto uma luta de perto. Chegamos lá antes da primeira luta e sentamos na boca do ringue. Eu bebia cerveja, fumava e esperava.
– É engraçado – disse a ela –, as pessoas chegam aqui e ficam esperando os dois homens subirem  lá no ringue pra se massacrarem.
– É horrível mesmo.
– Esse lugar foi  construído há muito tempo – eu  disse, enquanto ela examinava com os olhos a velha arena. – Só têm duas toaletes, uma pras mulheres, outra pros homens, e são muito pequenas. É melhor você ir antes ou  depois do intervalo.
– Tudo bem.
A maioria do público do Olympic era de latinos e trabalhadores brancos pobres, mais algumas estrelas de cinema e outras celebridades. Tinha bons lutadores mexicanos que brigavam com paixão. As lutas ruins ficavam a cargo dos brancos e negros, sobretudo os pesos pesados.

Era estranho estar ali com Katherine. As relações humanas são estranhas. Quer dizer, você passa um  tempo com uma pessoa, comendo, dormindo, vivendo e amando, conversando com ela, indo aos lugares – e, um  dia, tudo acaba.
Daí, você passa um tempo sem ninguém, até que aparece outra mulher, e aí você come com  ela, trepa com ela, e tudo parece tão normal, como se você estivesse o tempo todo esperando exatamente por ela, e ela por você. Nunca achei  correto estar sozinho; às vezes, era até bom, mas nunca achei correto.

A primeira luta foi bem boa, muito sangue e coragem. Assistir a lutas de box e ensina alguma coisa sobre o ato de escrever; a mesma coisa acontece com as corridas de cavalo.
A lição não é muito clara, mas eu sinto que me ajuda. Isso é que é importante: a lição nunca é clara. Lição sem palavras, como uma casa se incendiando, um terremoto, uma inundação ou uma mulher saindo do carro e mostrando as pernas. Eu não sei do que os outros escritores precisam, nem me interessa. Não os leio mesmo, Sou prisioneiro dos meus hábitos, dos meus preconceitos. Não é mau ser burro, se a ignorância for sua de fato. Eu sabia que um dia ainda iria escrever sobre Katherine e que ia ser difícil. É fácil escrever sobre putas, mas escrever sobre uma boa mulher é muito mais difícil.

A segunda luta foi boa também. A galera berrava e urrava e se empapuçava de cerveja. Eles tinham fugido provisoriamente das fábricas, armazéns, matadouros, postos de gasolina, e estariam de volta ao cativeiro no dia seguinte. Mas, agora, estavam fora, embriagados com a liberdade. Não estavam pensando na pobreza nem na escravidão. Nem na humilhação do seguro-desemprego e das cotas alimentares. Nós, os do lado de cá, estaremos bem até o dia que os pobres descobrirem com o fazer bombas atômicas no porão de casa.
Todas as lutas foram boas. Me levantei pra ir ao banheiro. Quando voltei, Katherine estava muito quieta. Parecia assistir a um espetáculo de balé ou  a um  concerto. Tão delicada e, no entanto, que foda maravilhosa...
Continuei bebendo. Katherine pegava na minha mão quando a luta ficava muito violenta. A galera adorava nocautes. Eles berravam quando um dos lutadores estava aponto de beijar a lona. Eram  eles que disparavam aqueles golpes. Na certa, estavam esmurrando seus patrões e esposas. Quem  sabe? Quem se importa? Mais cerveja.

Sugeri que saíssemos antes do final. Já vira o suficiente.
– Tudo bem  – disse ela.
Subimos pelo corredor estreito, através do ar azul de fumaça. Ninguém assobiou  ou fez  gestos obscenos. Minha cara amassada e riscada de cicatrizes inspirava respeito.
Voltamos até o estacionamento, debaixo da autoestrada. O fusca 67 não estava lá. O modelo 67 foi o último bom Volks – e a moçada sabia disso.
– Hepburn, roubaram a porra do meu carro.
– Ah, Hank, não acredito!
– Sumiu. Estava aqui – apontei. – Agora sumiu.
– Hank, o que a gente vai fazer?
– Bom, vamos tomar um táxi. Tô me sentindo mal à beça.
– Por que será que as pessoas fazem isso?
– É o jeito de eles se virarem.

Fomos até uma cafeteria e eu liguei pedindo um táxi. Tomamos café com rosquinhas.
Enquanto a gente assistia às lutas, eles arrombaram o carro e fizeram ligação direta. Eu costumava dizer: “Leve minha mulher, mas deixe meu carro em paz”. Eu jamais mataria um homem que tivesse me levado a mulher; mas seria capaz de matar o cara que roubou meu
carro.

O táxi chegou. Em casa, por sorte, tinha cerveja e um pouco de vodca. Perdi a esperança de ficar sóbrio o bastante pra poder trepar. Katherine percebeu isso. Eu ficava andando de lá pra cá, falando do meu fusca 67 azul. O último bom modelo. Eu não podia nem chamar a polícia. Estava bêbado demais. Ia ter que esperar até de manhã, até a hora do almoço.
– Hepburn – disse a ela –, não é sua culpa, não foi você quem roubou ele!
– Tomara tivesse sido eu. Você estaria com ele agora.
Fiquei imaginando dois ou três garotos correndo com o meu baby azul pela Estrada Costeira, puxando fumo, dando risadas, desmontando ele. Daí, pensei em todos os ferros velhos de Santa Fe Avenue. Montes de para-choques, para-brisas, maçanetas, limpadores de para-brisas, peças de motor, pneus, rodas, capôs, capotas, bancos, macacos, pedais de breque, rádios, pistões, válvulas, carburadores, camisas de pistão, engrenagens, eixos – meu carrinho logo se transformaria numa pilha de peças avulsas.
Naquela noite eu dormi  agarrado a Katherine, mas meu coração estava frio e triste.

38
(...)
Me preparei pra terceira corrida, reservada para potros e capões de dois anos sem vitórias. A cinco minutos do fechamento das apostas verifiquei  o totalizador e fui jogar. Ao me afastar, vi que o homem  duas fileiras abaixo conversava com Katherine. Todos os dias tinha pelo menos uma dúzia como ele nas corridas. Ficavam contando vantagem pras mulheres bonitas, na esperança de levá-las pra cama. Talvez nem  chegassem a pensar nisso; talvez não soubessem  direito o que queriam. Viviam aturdidos, baratinados, na lona. Quem seria capaz de odiá-los? Grandes ganhadores! Estavam sempre apostando no guichê de 2 dólares, com  o salto do sapato gasto e as roupas sujas. Estavam mais por baixo que todo mundo.

Apostei  no favorito. Chegou  na ponta e pagou  4 dólares. Não era muito, mas eu tinha apostado 10 na cabeça. O homem  de baixo virou-se para Katherine e disse:
– Acertei. Tinha 100 na cabeça!
Katherine não respondeu. Começava a se dar conta do truque. Ganhadores não ficam abrindo o bico. Têm medo de serem assassinados no estacionamento.
Depois da quarta corrida, cujo ganhador pagou  22,80, o cara se virou  de novo e disse a Katherine:
– Acertei  esse também. 10 na cabeça.
Ela me disse:
– Olha só a cara dele, Hank. É amarela. Você reparou nos olhos dele? É doente, coitado.
– É doente de sonho. Todos nós somos doentes de sonho, por isso estamos aqui .
– Hank, vambora.
– Tudo bem.

Naquela noite ela bebeu meia garrafa de vinho tinto, de bom vinho tinto, e ficou quieta e triste. Sabia que ela estava me identificando com  a turma das corridas e das lutas de boxe – e era verdade. Eu andava com eles, eu era um deles. Katherine sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, ideias, ideais, nem me preocupava com  política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante; dava muito trabalho. Eu queria mesmo era um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Pouco me importava.

A trepada foi ótima naquela noite, mas essa foi a noite em que perdi Katherine. Não havia nada que eu  pudesse fazer. Rolei pro lado e me limpei com os lençóis. Ela foi ao banheiro. Um helicóptero da polícia sobrevoava nossas cabeças, patrulhando Hollywood."
Mulheres
Charles Bukowski

Estava eu no ônibus lendo o velho Buk quando senti estes trechos como socos no estômago. O que se seguiu foi mais triste ainda e influenciou na minha aura. Foram flashbacks intensos em que vi praticamente minha vida toda. Aquelas 5 páginas que contam os momentos com Katherine me fizeram grudar no assento e fazer a típica pergunta: o que estou fazendo com a minha vida?
Saber que não posso lidar com os problemas da forma antiga mais me atormenta. A verdade é que tenho me afastado de muitas pessoas, tantas que sinto medo de desenvolver os antigos sentimentos ruins.

Cada vez que puxo o livro dentro do ônibus o faço de forma lenta e cuidadosa, o mesmo se segue na devolução dele pra mochila. Movimentos calmos e de proteção.
Livros são só livros, mas o Buk continua sendo o Buk. E eu o leio quando as coisas não vão bem. Ele tem me feito olhar fundo nos meus defeitos e enfiar os dedos grossos nas feridas abertas. Não me sinto apta a nada. Inclusive me pergunto como consegui me arrastar até aqui e penso que talvez não esteja tão mal assim.
Não tenho vontade de nada e isso me apavora. Não quero de jeito nenhum regredir e ter aqueles sentimentos e pensamentos negativos.

O Led voltou a tocar com tudo e sinto falta de fones de ouvido. Nunca entendi a fixação das pessoas por Kashmir. 
Não tenho me sentido no controle das situações. Apenas faço o que sou mandada. Incômodo. Todos os dias.

Não me vejo bagunçada, me vejo com medo e esgotada. Lutas constantes e o sentimento de não ser bem interpretada têm me tomado a mente. Voltei a usar máscaras durante parte do dia porque é a saída mais fácil, mas é uma fuga. Sempre que me pego agindo assim tenho voltado ao controle. Não quero fugir mais e talvez esse sentimento de esgotamento queira dizer que eu, finalmente esteja chegando a algum lugar.

Autenticidade e movimentação. A chave é não se deixar parar, movimentar-se nem que isso custe joelhos esfolados de tanto se arrastar. Aprendi isso.
Hoje, Buk e Led me dão força para traçar todas as linhas de proteção à minha volta e quem sabe, ao final deste ciclo, não esteja na hora de finalmente tatuar o ciclo protetor?

7 de set. de 2014

espero que um dia...

tenho lembrado de uns 3 meses atrás quando em um dia ensolarado resolvi exteriorizar uma mudança que já vinha internalizando muito. controle. especificamente, auto-controle.
durante o início desse ano me vi totalmente descontrolada, tentando mudar e não sabendo para onde. e foi perigoso. entrei numa série de relacionamentos que confrontavam a velha Carolina com a pseudo-nova Carolina e, obviamente, não deram certo. entretanto as mudanças foram satisfatórias e, em outro dia de sol, conheci três pessoas que me jogaram na cara que o auto controle, que eu imaginava ter, ainda estava bem longe de ser o ideal.

eu acho muito enlouquecedor ficar toda hora me cuidando e analisando. ainda luto com meu ímpeto quase auto destruidor e empático e sei que nem tudo que faço foi a melhor opção aliada à melhor execução. mas é isso, a vida é feita de tentativas e acertos e quando se muda o método, depois de tê-lo seguido por muito tempo, nada mais normal que errar nas primeiras vezes.

o que penso pra minha vida agora se resume ainda nesta união entre os dois jeitos e cada vez que tento estabelecer metas, volto a ler um capítulo sobre radiação eletromagnética. eu ainda não descobri o que quero.
ontem escrevi algumas coisas bem profundas, exteriorizei o que penso ser uma injustiça porque fui julgada como a Carolina antiga quando, na verdade, quero ajuda para montar a nova Carolina. saber que ainda se erra muito e que, para mim as coisas estão bem mudadas no interior mas não conseguir mostrar tudo, gera muita frustração. ainda mais quando sei que preciso de tempo.

ah, o tempo. nunca soube lidar com ele. sempre soube que deveria esperar as coisas acontecerem sozinhas mas quase nunca tinha paciência para deixar que acontecessem e, na maioria das vezes forçava e cagadas aconteciam. hoje eu sei que estou forçando, mas apenas porque julgo que meu oposto (o auge do auto controle) necessita disso porque, este sim, tem muita paciência!

não quero ser entendida mal. eu perdoo e entendo. quero acolher mas também quero ser acolhida. quero que vejam as minhas tentativas e se lembrem de quando viram a necessidade de mudar o modus operandi.
quero acalmar meu coração que vem durante anos aguentando muitas crises de ansiedade e tristezas.
tudo que falei ontem passou por muito pensamento e hoje me sinto calma. quem sabe eu descubra paciência para esperar tudo que é necessário e sabedoria para lidar com as respostas para as minhas perguntas.

8 de mar. de 2014

o (des)carnaval

Os últimos dias foram repletos de obstáculos e recompensas. Estar em qualquer outro país é lindo e complicado, houveram muitas oscilações de humor onde tudo ia bem e então tínhamos que encontrar soluções para vários problemas. 
Foram inúmeros os momentos de saudade do conforto de casa e de desejos da companhia de amigos e familiares.

Fomos contra a corrente, fomos bolando nossa própria viagem e sobrevivendo nesse mundo portunholglês que vivemos nos últimos 10 dias. Conheci gente de todos os continentes, descobri uma fluência de idiomas que nem sabia que existia embaixo de toda essa timidez. Descobri que tudo se resolve e que só se deve agradecer e esperar, tudo vem em dobro.

O que fica dessa viagem é a certeza de que o meu futuro está sendo preparado cuidadosamente e que seguirei agradecendo pela oportunidade de ter visto tudo que eu já vi e que ainda vou ver.


Cabo Polonio, lindo!

10 de fev. de 2014

recapitulando

O meu peito anda transbordando desde o período de Iemanjá. Toda aquela chuva me fez sair de casa e por alguns dias, eu esqueci de muita coisa. Procurei viver apenas o instante, a amizade e a responsabilidade. Deu certo, mas me deu um medo maior de voltar pra casa do que o das tempestades. Quando voltei, percebi que a vida se encaixa.

Pós-iemanjá eu inventei outro motivo pra sair de casa, mas as coisas aconteceram de forma diferente. Não me deu esperança nem vontade de viver. Me deu stress e a certeza de que está tudo virado do avesso.

O que eu quero é um amigo para matear, eu quero que tudo passe de uma vez. Soa até meio infantil mas tudo que consigo sentir agora é insatisfação. Tive semanas maravilhosas e realmente acreditei que a vida era bonita de novo e agora não entendo porque sábado pela manhã, já chorava olhando para o mar.

O domingo começou atrapalhado e me fez ficar indecisa se ia para a praia, consequentemente quebrei uma térmica e logo após vieram ondas de tsunami meteorológico. Por mais que eu não estivesse na praia no momento das três grandes ondas, presenciei uma que assustou.

Estou aqui, em pleno dia 10, falando de coisas do final do mês de janeiro. Estou aqui tendo que planejar o carnval em plena semana de provas. Estou aqui ainda no ano letivo de 2013. Estou aqui, procrastinando e tentando aliviar a minha tensão para finalmente tentar ser livre. Só consigo pensar naquela cama, sem mim.

5 de fev. de 2014

do lado de cá

Mais uma vez a gente se despede. 
Eu lembro de todas e lembro que elas vão ficando cada vez mais fáceis. Hoje eu entendo que tu és do mundo, meu amor. Sei que vamos nos reencontrar porque me sinto em casa contigo e te conheço como a palma da mão. Estamos aqui, como sempre estivemos e provavelmente sempre estaremos. Tu me fazes bem demais.
Eu te amo meu amigo. Até o próximo reencontro e que a saudade seja suportável até lá.



"Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados
Na maternidade"

Exagerado; Cazuza

27 de dez. de 2013

a tal da retrospectiva

"3. Eu estou viva. 2mil&13 me matou um bocadinho. Geralmente os ímpares me matam, nos anos pares eu colho. Parece coincidência, mas não é. Os ímpares matam (morrer é importante, deus me livre ser highlander) os pares acompanham, te dão suporte."
Li isso aqui. Fez total sentido. Talvez não do sentido pretendido, mas é assim não é? As palavras depois de ditas, tomam vida própria.

Esse ano foi maravilhoso, cheio de esclarecimentos e eventos. Mas por que não consigo me sentir assim agora, então? Agora tem o vazio e o sentimento de culpa. Sei que não deveria me queixar, tive um ano incrível e existem tantas outras coisas realmente difíceis. Um coração partido é apenas um coração partido até que ele se complete de novo e o ciclo se repita.

Sinto dor por ter falhado mais uma vez. Uma amiga solteira afirma que ela já sabe com quem vai casar, mas que no momento não é parar eles estarem juntos. Concluí que é isso que eu sinto. Quando finalmente me entreguei a todo sentimento, mandei uma mensagem dizendo que tínhamos todo tempo do mundo, porque eu não me imaginava mais sem ele. Continuo pensando a mesma coisa e estou me complicando.

Agora existem dias em que tudo é maravilhoso e quase não me sinto culpada por sorrir, entretanto a maior parte do tempo me sinto mal por ter provocado uma sensação tão terrível em quem eu amo. Eu queria entender porque eu gosto tanto de ti. Queria entender porque sinto como se nunca fôssemos conseguir ficar juntos. Quem sabe realmente não sejamos feito para estar juntos! Será que estamos insistindo em uma ideia fixa que nunca dará certo? Será que isso é amor?

Eu só queria o teu companheirismo e a tua risada estranha. Queria acordar contigo sempre, só para te ver sem óculos e não ser xingada por isso. Tu vais ficar guardado pra sempre. Agora eu preciso seguir a minha vida, de novo. E sozinha, de novo. Não vou morrer chorando dessa vez. Não vou dizer que nunca mais vou me apaixonar de novo e que o amor é uma merda. As coisas não são assim. O que falta é timming, não amor.

Aproveitando que 2013 foi um ano de descobertas e muito auto conhecimento, entro no clima de 2014. Ainda existem muitos obstáculos (internos e externos), e com certeza tudo que eu sinto agora já faz parte do primeiro desafio de 2014. Que venha o ano par!

30 de nov. de 2013

a saudade é parte do pacote

Redemption Song me lembra dias ensolarados a beira da piscina, lembra uma amizade linda e muitos gritos cantantes entoando as músicas do Bob Marley. Eu perdi aquele DVD. O momento ficou gravado antes da grande viagem, que mudou tudo. 1 ano é muito tempo e mudar é preciso.

Eu lembro daquela correria, sempre juntos e sempre na casa de alguém. A minha casa fica triste agora, sabe. Não tem mais aquelas gaitadas, a cozinha está sempre limpa, a TV da sala já nem existe mais, o meu colchão nunca mais saiu da minha cama e apareceu magicamente no tapete da sala. Eu fazia tudo isso pra ti.

Sinto falta da tua amizade. Muita. Sinto falta da convivência e das ligações bêbadas no meio da madrugada. Sinto falta das invenções, dos sonhos sempre muito altos. Eu ainda quero fazer aquela viagem de combi hahaha
Pra mim, tu tem cheiro de família. Todo dia eu lembro de ti, seja por algum assunto, seja por alguma memória. A minha casa sente a tua falta e eu sinto falta da tua casa. Espero que tu saibas a tua importância! Tu foi uma das pessoas que ajudou a formar a minha personalidade.

Dezembro já está aí e acho que já podemos começar a comemorar o teu aniversário :D

4 de nov. de 2013

escolhas

Durante essa semana me perguntaram porque eu queria te ver e não soube o que responder. Mais tarde fui descobrindo que a raiz do problema é bem mais profunda e complicada do que a minha resposta pronta 'só para te ver, somos amigos'.
Envolve a auto-sabotagem que insisto em utilizar quando as coisas parecem ótimas. Envolve o medo de tomar decisões sérias e claro, o hábito.

Me desculpa, eu falei que iria te ligar e não liguei. Nem para dizer que não te veria, nem pra nada. Espero que tu entendas que te ver me faria duvidar de tudo que já tomei como certeza. A verdade é que eu queria te ver para ter um motivo de fugir de tudo que sinto como sempre.

Não liguei e nem tenho coragem para chamar na internet porque estou desencantada. Tudo que achei que fosse perfeito para o momento se mostrou inconsistente e um tanto frio demais. Alguém que todos definem como o namorado perfeito pra mim acabou por ser apenas uma ideia maluca e eu sinto muito por ter pensando em algum momento da vida que tudo poderia se resolver com um pouco de boa vontade. Mas principalmente eu peço desculpas pelas vezes que eu te coloquei em situações forçadas.
Mas aqui estou eu com uma pessoa que já tenho historia e que não seria a melhor escolha pros outros. A verdade é que um falta onde o outro ganha e agora os meus requisitos mudaram. Por isso eu não te liguei e por isso eu insisto em não conversar.

Não sei se faz sentido mas eu realmente peço desculpas por tudo que a gente poderia ter sido e por tudo que eu sempre quis que fôssemos. O que eu preciso agora mudou e eu tive que manter a decisão, para o meu bem.

"Carol, tu tens que escolher, ou um ou outro. Pra que tu vai ver ele? Pra te abalar? Não é hábito?"

Fica para uma próxima.

16 de nov. de 2012

releitura musical

Pra mim ainda é bem real. 
Tudo que um dia a gente inventou ainda é real mas claro, é diferente. Eu aceito o fim e aceito o caminho que percorremos e já não há espaço ou disposição para a negação mas me recuso a 'fechar essa porta' pra sempre porque creio que temos condições de colocar uma vírgula no passado e seguir contando a nossa história.
Eu te digo que não tenho mais um sentimento forte mas eu respeito que um dia eu senti. E mais do que lembrar apenas do final, eu me lembro do início e de toda amizade que existia.

Ao meu ver, já se passou tempo suficiente para que se pondere começar uma relação cordial. Eu tenho tentado mas tu sabes que esse não é exatamente o meu forte. Creio que ainda tenhamos intimidade demais e acabo, por vezes, 'forçando a barra', mas é que eu não sei qual o teu limite porque tu não falas. 
Devo então é simplesmente largar tudo e desconsiderar o que se viveu? Agir como qualquer ex-namorados e fingir que nada aconteceu?

28 de ago. de 2012

¡Adiós, Menina!

- Ah, menina, deixa disso. Vamos sim ao show juntos.
- Não, não posso.
- Mas ein, vamos, vamos ficar bem pertinho, ver se aquele cabelo loiro é real! Sabe, menina, acho que ele já está na idade de ficar grisalho e talvez esteja usando peruca.
- É, talvez ele já esteja grisalho mesmo mas não quero ver, prefiro pensar nele nos anos 80. Era lindo.

O assunto morreu e vi que a mão dele encontrou a minha, não movi um músculo.

- E então, menina, nove horas de sábado passo na tua casa. - voltou ele com o assunto. Permaneci quieta e então senti sua mão tocando meu rosto. 
Olhei fundo em seus olhos e me enxerguei. "Menina". Aquilo não fazia sentido e não era certo.
- Olha, não vou ao show contigo, pára. - retirei as mãos dele de cima de mim com firmeza e as coloquei suavemente sobre seus joelhos.
Me inclinei para levantar mas ele segurou a minha mão. Olhei, com raiva, e disse:
- Não, não sou tua menina, nunca mais me chama desse jeito, ninguém mais vai me chamar assim e eu vou simplesmente deixar! Tu é daqui, me chama de guria! Menina! Me larga e me respeita.

E saí.
Foi só. Que audácia... menina, ele!

22 de ago. de 2012

o tradicionalismo sendo ensinado desde sempre


Bonito dia de sol no Balneário Cassino e a aconchegante casa da vó. O Arthur, no alto do seu ano e dez meses passa o tempo todo correndo, chutando lindamente de esquerda a “bó” e empurrando o carrinho vazio, onde o correto  seria alguém empurrá-lo – nossas costas agradecem e acho que ele foi ensinado errado propositalmente.

Nessa idade estamos acostumados a ficar o tempo todo vigiando e correndo de um lado para o outro, já que não adianta dizer para a criança não mexer, ocasionalmente ela vai e mexe igual.

Foi então que em uma pausa para um chimarrão, o Arthur pediu colo. O ato em si já me enche os olhos d'água porque agora ele já é metido a gente grande e quer sentar sozinho na cadeira e fazer tudo sozinho. Ainda nem saiu das fraldas e já diz "no, no, no" balançando a cabeça crespa negativamente.
Quando eu não dei muita bola para os braçinhos estendidos ele falou "Didi, có" e aí tive vontade de apertá-lo até saltar os olhos (haha).

Tipicamente, todos os objetos afiados e quebráveis foram removidos de cima da mesa mas foi com o chimarrão que ele se entreteu. Mostrei o "vavalo" da cuia e, com o chimarrão já quase frio, coloquei a bomba perto da sua boca para que ele provasse. O Arthur me olhou como quem pergunta "e eu posso?" e falou 'no, quenti'. Apenas ri, pelo menos ele não se queimaria.

Então ele apontou pra térmica onde tem um desenho de um cara montado num cavalo, quando trouxe a térmica para perto, ele rapidamente aponta e fala "vavalo", sorrindo. Concordei e, apontando para o guri em cima do cavalo, completei "e esse é o gaúcho". Após algumas repetições da minha parte ele apontou para o rapaz e falou "ggucho", sorrindo orgulhoso por ter aprendido mais uma palavra. Quando ele fizer dois anos o ensino a pedir para tomar chimarrão, por hora contentemo-nos com os desenhos das cuias e térmicas.

20 de ago. de 2012

meus amigos de fé...

é engraçado a forma com que as pessoas te tocam. um dia, aqueles que tu nunca gostasse da cara poderão se tornar teus melhores amigos.
sei que ainda vou conhecer milhões de pessoas mas fico pensando nas principais características das pessoas que quero bem. por mais que a vida seja corrida - e eu não seja a amiga exemplar - insisto em marcar um café, um cinema, uma janta ou uma ida ao teatro com os poucos e bons.
nunca fui de pensar que os melhores amigos eram os que estavam contigo no dia a dia, até porque sempre desconfiei dos que não se desgrudam. acho que todos merecem sua individualidade e ligar pro outro pra falar que foi ao banheiro não é a minha praia.

prefiro aqueles que podem passar meses mas que te ligam ou mandam uma mensagem perguntando como está a tua vida, a mãe, o avô, o cachorro e o papagaio. 
hoje encontrei uma amiga que nunca foi o meu esteriótipo de melhor amiga mas a cada dia me surpreende e me faz gostar demais. ela é o tipo de pessoa que eu tomo como exemplo de vida e sinto orgulho de dizer que sim, ela é minha amiga. além de ser linda é uma pessoa admirável e que eu só quero o melhor. é quase impossível descrever a felicidade que eu senti quando soube que ela estava namorando. acho que se tivesse sido comigo não teria ficado tão feliz. posso até me equivocar mas aonde ela precisar eu com certeza quero estar do lado, sendo o mais prestativa possível.

tem gente que desperta o teu melhor e te querer ser melhor diariamente. tem gente que te faz bem com um sorriso, um abraço e uma mensagem simples no meio da tarde. tem gente que nem sabe que é tão querida, tem gente que acha que é querida demais. tem gente por quem tu cruzaria o Atlântico só pra ver de novo. tem gente que é teu melhor amigo simplesmente sendo teu amigo e só.


"Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara"


Odara - Caetano Veloso

9 de dez. de 2011

Jerônimo Coelho

“Tu já não é mais aquela menininha que adormecia nos meus braços, em Porto Alegre. Era tão simples naquela época, eu simplesmente te pedia (e pro teu pai) para viajar e tu já falavas que tinhas comprado a passagem. Me ligavas no meio da noite dizendo que estavas cansada e eu nunca conseguia te fazer voltar a dormir. Parecia impossível virar as costas para a felicidade quando ela batia a minha porta.
Procurei sempre pensar em ti como a minha irmã mais nova e esse pensamento me poupou muitas fantasias porque sim, tu eras provocante mas tu também eras menor de idade. Procurava te manter por perto por causa da minha possessividade, que eu aprendi contigo, mas a vida foi ficando mais corrida e assim como eu, tu conheceu pessoas.
Devo te dizer que nunca conheci outra guria que falasse tanto quanto tu e também não conheci outra guria que me fizesse tão bem quanto tu, sem ser a Dona do meu Coração. De repente eu já não estava mais preocupado com o vinho derrubado no carpete, porque eu estava dançando na sala, contigo. Sempre regados a boa música, boa bebida e bons cigarros. Que saudade eu tenho dos cigarros, te prometi e nunca mais acendi um.

Também percebi que agora tu és um capítulo da minha biografia, um capítulo escondido entre os LPs do The Doors porque só o meu biógrafo vai ficar sabendo de ti. Desde que me mudei pra Porto decidi por te guardar só pra mim, ser a minha parte que ficou em Rio Grande porque tu sabes que são poucas as coisas que eu gosto de ficar lembrando. Este capítulo será o mais difícil afinal perdi quem me deu a vida mas espero contar com a tua ajuda para escrevê-lo, minha amiga, assim como contei contigo nos dias intermináveis dentro do hospital e naquela madrugada gelada de verão dentro das capelas.

'Amanhã vamos pra praia, olhar o mar sentados nas dunas, esperando o pôr-do-sol. Vai ser o nosso alívio momentâneo.'

Outro dia encontrei o teu desenho do golfinho, aquele que tu fez na 7º série e que ficasse muito empolgada e me desse. Emoldurei e pendurei no meu quarto mas o que eu mais gosto nele é a dedicatória que tem atrás. Lembro da tua empolgação me ligando no meio da aula de química só pra falar que tinhas feito o desenho mais bonito da tua vida e que querias dar para a pessoa mais feia da tua vida para que assim os dois se completassem. Gostaria de ter tido naquela época, metade da maturidade que tu tens hoje e quero que tu saibas que eu te admiro acima de tudo, pelo que tu fostes e pelo que te tornastes.
Espero conseguir chegar para o verão e te ver formanda, espero te abraçar e pegar no teu pé, como o irmão mais velho que tu sempre quis. Agora eu voltei para ficar."

11 de nov. de 2011

Grace

querida Karen,


juro que tentei não vir te falar tudo que sinto, de novo. vejo que as coisas estão ficando muito monótonas, justo quando não deveriam estar. essa história de ser seu só de vez em quando já não está mais funcionando pra mim e eu te falei que aconteceria, mais cedo ou mais tarde.
tenho pensado nos momentos que passamos juntos e construir uma vida a dois é isso, não? dividir momentos bons e ruins, estar do lado do outro quando este precisa e eu devo te falar que tenho precisado bastante de ti e, no entanto, não faço idéia de onde tu estás.
essa é uma das coisas que mais me fascina em ti, o espírito aventureiro, meio irresponsável até, a facilidade com que conversas sobre todos os assuntos do mundo! e até quando desconhece determinado conteúdo, inventa e me fazes acreditar. tens um jeito moleca e elegante que me encanta, podendo ser os dois estilos ao mesmo tempo.


tenho te admirado demais para não fazer idéia de onde tu estás. te peço que volte pra mim, mas apenas se isso for o que o teu coração disser, afinal não quero te aprisionar e nem muito menos nos rotular.


com amor, André.

1 de nov. de 2011

do que eu me lembro.

eu chorava, tremia e pedia por atenção. não sei o que acontecia comigo e muito menos sabia o que estava fazendo, mas mesmo assim, fui até o final. a única coisa que passava pela minha cabeça era que eu não queria vê-lo. 'não era necessário'.
claro que era e eu tive a certeza disso quando te abracei e senti o teu coração. não me lembro da tua cara naquela hora, nem que nada do local, mas me lembro da batida do teu coração, forte como nenhuma outra que eu tivesse sentido antes. foi depois que eu comecei a prestar atenção nas coisas ao redor, ficar envergonhada. eu tremia sem saber o que fazer.

e dois dias depois, de novo, tremi quando fui te dar tchau. chorei e só pensava em correr pra te abraçar mais uma vez mas não queria que tu me visse chorando e muito menos, te ver chorar. naquele dia metade do meu coração foi contigo.

16 de out. de 2011

M.

eu tinha te colocado pra lavar por pura vontade de não te ter mais no meu armário mas fiquei com vontade de ti e tive que te tirar daquele cesto vazio e te colocar em mim.