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23 de ago. de 2015

onde existia o equilíbrio

Este ano é das despedidas.
Quando tu compras uma blusa nova é porque uma velha vai ser aposentada. Quando tu realmente gostas daquela blusa, tu luta para que ela fique lá no teu guarda-roupas e a usa mesmo que ela já esteja rasgada e surrada; e qualquer blusa que tu compre, pode até tentar, mas não vai substituir aquela que tu adorava. Acho que a analogia se aplica ao momento.

Vim guardando e tentando processar tudo que aconteceu nos últimos 3 anos. Houveram muitos momentos de descontrole, muitos de resgate... Com certeza foram aprendizados muito grandes. Consegui me abrir, analisar os outros e a mim, procurar os principais motivos de tais atitudes, montar o background e então tomar uma decisão com calma e serenidade.
Demorou. Foi bem doloroso e um caos enorme que muitas vezes explodiu de forma radial.

Durante um período tudo que eu queria era voltar à forma com que tudo transcorria. Mudanças são desgastantes. Maiores ainda quando a reforma é em ti e nos outros. Precisei alterar os padrões de toda minha família.
E ainda falta tanto...

Seria tudo bem mais fácil se o meu pessoal tivesse se mantido calmo e constante... não, foi uma série de desilusões e faltas de timming. Foi tentar resgatar tudo que eu havia deixado dormente ao longo da minha caminhada.
Principalmente ao longo deste tempo, minha autoconfiança foi muito oscilante. Aceitei a minha imagem, minhas qualidades e meus defeitos. Tentei mobilizar tudo que me afeta e processá-los internamente.
Talvez seja preciso resolver tudo do passado que ainda te assombra no presente para seguir para o futuro.

Muitas vezes tive pena de quem assistia aos meus dramas. Eu sabia que havia me desviado do caminho, sabia como corrigir tudo e mesmo assim eu ainda seguia, cada vez mais profundo, no caminho errado. Surrando ainda mais todo um emocional já fragilizado e em desordem.
E tu estavas lá, na mesma hora a cada semana, esperando para me mostrar o lado positivo das coisas erradas que eu fazia.
No penúltimo mês eu sentia vontade de te contar as coisas, de ver o teu sorriso de aprovação, de orgulho do teu próprio trabalho e de como tudo evoluiu.

No início desse ano eu conheci o trabalho da Flavia Melissa e, acompanhando todo desenrolar da caminhada dela, descobri outra destas raras conexões. Então, com o projeto 300 dias de Gratidão senti a vontade de colocar em prática muitas das teorias e desejos que passei a ter.
No início deste mês, quando recebi a notícia, logo pensei na situação da Flavia Melissa. A cada dia que passa sinto mais gratidão pelo trabalho que desenvolvemos e compreendo a necessidade deste momento em nossa caminhada.
Mas também não deixo de sentir tristeza e insegurança. Vou dizer adeus a uma das pessoas mais queridas que já conheci e admirei e no lugar que ela ocupa, virá alguém diferente.

Talvez agora, com estas duas últimas e fortes despedidas, eu esteja mais preparada para esta terceira. Saber que o motivo é muito nobre também ajuda.

Até na despedida tu me ajudas. A única coisa que posso fazer sobre estes 3 anos é agradecer por toda ajuda, paciência e positividade que tivestes.
Desejo, do fundo do meu coração, que tudo dê certo, pra nós duas.

22 de jan. de 2015

sobre as pequenices da vida

É incrível como nos acostumamos com algumas situações. Desde a falta da poltrona que mais parecia soca-soca até a falta de alguém. Momentos em que apenas saber se a pessoa está viva e bem contrastam com os do passado, quando se sabia ou se previa cada pensamento.
A pessoa que mais tive medo de que acontecesse algo de ruim ou falecesse e eu não soubesse ou estivesse longe, hoje está no show do Foo Fighters. Eu não viajei pra ver ele, não fui na sua formatura e nem ele na minha - e eu senti muito a falta dele. São momentos como esse em que penso que esse era o combinado, cada um ir até metade do caminho e ter lembranças únicas, como aquelas daquele hotel.

Até ano retrasado as nossas conversas me lembravam aquelas pessoas que éramos quando nos relacionamos e espero que tenhas sentido todo meu apoio. Sei que hoje talvez não nos identifiquemos com metade do que fizemos e, principalmente, sei que muito do que fiz foi bobo. Simplesmente eu não era madura o suficiente.
O que sentimos foi de verdade e até hoje eu guardo os desabafos e conselhos que aquelas madrugadas nos deram; sempre te desejo o melhor pra tua vida. Vejo tuas fotos e penso que boba eu fui! Aquele sorriso ainda é o mesmo e as poucas vezes que escutei a tua voz foram suficientes pra gravá-la em mim. Só penso na tua cara vendo o Dave Grohl.

Só tenho a te agradecer, ursinho na pele de carneiro; Espero que tu saibas o quanto aquele ano foi importante e que sempre estarás guardado, principalmente como o grande amigo que fostes. Hoje as conversas são bem (beeeem) menos frequentes mas sempre que acontecem me trazem conforto e paz. Fico muito feliz de ver teu sucesso e sei o quanto batalhastes. 

Tudo que passamos, principalmente com todas pessoas que nos relacionamos, marcam. Não acho errado lembrá-las; acho errado esquecê-las e principalmente manipular o que efetivamente sentimos para ter lembranças só boas ou só ruins. Se o relacionamento chegou a um momento de desgaste foi devido a algumas decisões equivocadas e reconhecê-las nos faz evoluir.

Não sei finalizar nada, muito menos textos, por isso escolhi uma imagem por que afinal, todo texto precisa de uma imagem.



11 de jan. de 2015

sobre a antiga rotina

Peguei minha bicicleta e fiz o caminho mais natural possível: em direção a praia. Antes parei na casa de um amigo, que já nem mora aqui; queria falar com seus pais. Depois de uma hora de conversa, voltei ao meu caminho.

A casa dele tem a grama mais alta que a rua, o que sempre dá um certo embalo ao início da pedalada. Por 6 anos sempre tomei o rumo sul. Dobrei na entrada para a praia e já enxergava novamente o mar. Mais cedo, havia tomado o primeiro banho do ano e agradecido a tudo que já me aconteceu. Pedalei por um tempo, até que o nordestão me fez parar. Então larguei a bicicleta próxima e encontrei uma duna para sentar.

Pela posição do sol deviam ser umas 19:30h passada. As pessoas já estavam indo embora e um certo frescor pairava. Entre todas músicas altas e barulhos de carro, eu ainda conseguia escutar o barulho do mar e em menos de dois minutos, já estava arrepiada e com o olho cheio d'água. Dizem que esta reação tem sido muito recorrente.

Lembrei que da última vez que passei na casa do amigo e segui para a praia antes de ir para casa, ao me deparar com a imensidão do mar, pedi com todas as forças para que conseguisse a minha vaga para a Oceano. Aqui estou eu, indo pro 3º ano e cada vez mais maravilhada com tudo que aprendo. E nesse clima, segui observando com olhos de cientista-júnior a natureza a minha volta.

Agora a praia já estava quase vazia, com alguns resistentes que desejariam ver o pôr-do-sol. Lembrei das vezes que me senti incomodada pela quantidade de pessoas disputando seu lugar na areia. Lembrei de como fui mimada, tendo durante o ano inteiro uma praia com 250 km de extensão. Lembrei dos invernos de menos de 10ºC, onde mal se ensaiava um sol, e nós já estávamos mateando na praia.

Me fiz muitos questionamentos de diversas áreas e a única resposta que obtive foi: porque amo. Me entristece como quantos amigos partem sem necessariamente pensar em voltar. O ponto maior que penso é: se uma amizade prevalece até no outro lado do mundo, porque não?

Na sexta-feira estava certa que terminaria meu atual livro neste fim de semana e acabei conseguindo ler exatas meia página. Ali, na praia, o livro estava dentro da bolsa, mas me sentia boba por ignorar tudo ao meu redor. Este sempre foi o meu problema, eu queria a totalidade, não o específico.

Não me importo se as coisas não saem como planejei, o que me entristece e chateia é que tenham 'dado errado'. Em momentos onde os pensamentos bons são menos recorrentes do que os maus, acredito que seja 'dar errado'. Principalmente quando se trata de relacionamentos. E tenho dificuldades em aceitar e acabo cometendo erros por crer que a história só acaba quando 'dá certo'.
Algumas coisas tem que dar errado e permanecer erradas, por um tempo. Tipo eu. Eu dei errado e permaneci algum tempo errada. Vejo que, em momentos de isolamento, as coisas encontram o equilíbrio.

Agora, devo ser errada, egoísta e manipuladora para que desta forma os erros parem de ser cometidos. 'Se não pode vencê-los, una-se a eles' e, infelizmente vejo que este poderá ser o caminho. Sob perspectivas diferentes, devo ter sido todas essas coisas e, se de fato é isso que pensam de mim, devo aceitar. Não há nada que possa fazer. Tentei mostrar que tive meus motivos, tentei mostrar que minhas intenções foram boas.

Não tem sido fácil aceitar e existe um caminho tortuoso a frente - bem diferente da praia a perder de vista na qual estou acostumada. Como falei algumas horas mais cedo, a gente deve passar por fases difíceis para que, com o tempo, as feridas cicatrizem e só fiquem as lembranças boas. E como dizia a minha avó, água salgada cura!

"Acordar cedo
Sentir a energia salgada do vento 
E a doce brisa do mar 

Acordar cedo 
E dar uma sacada na bóia no tempo 
Será que vai rolar

Acordar cedo 
Fazer pela vida fazer por mim mesmo 
Eu hei de conquistar 

Acordar cedo 
Seguir pela trilha da onda da vida 
Rezar pra Iemanjá"

8 de out. de 2014

'love is the answer at least for most of the questions in my heart'

Semana difícil. Hoje foi um dia vitorioso em vários sentidos. Enfrentei vários medos e tomei a decisão de recusar alguns.
Me sinto orgulhosa do que me torno. Sinto que minha comunicação melhorou muito e finalmente percebo que falo exatamente o que desejo, mantendo a calma e evitando toda avalanche de sentimentos.

Tenho conquistado a liberdade que quero ter, meu pensamento não se martiriza tanto e consigo até escutar o nada.
Vejo que tens muito a ver com tudo isso. Aquele momento de indecisão passou e foi sim, importante. Me vi confusa sobre tudo e todos, principalmente sobre mim. Ao me concentrar em outros objetivos, consegui a harmonia que perseguia tanto e, embora não tenha saído da forma com que desejava, hoje foi uma prova de que consegui balancear tudo que antes se encontrava tão desorganizado. Com sorte, afinal já vão começar as provas.
Olhos cansados, com certeza. Não é fácil se desprender de tanta coisa, assim, ao mesmo tempo e ainda cumprir com os compromissos (impostos e desejados).
Ninguém disse que seria fácil.


19 de mar. de 2014

David Gilmour

Não estou lendo mais. Nem ficado tanto em casa. Os episódios das séries agora se empilham e às vezes até esqueço delas, coitadas. Esse é o mal de acompanhar cerca de 15 séries diferentes.
Por isso em dias como hoje, quando usufruo de apenas algumas horas no aconchego de casa, fico acompanhada de boa música, um chimarrão e algum trabalho extra do estágio. São recompensas da vida corrida e portanto, são aproveitados até o último segundo.
Sinto que esse ano as férias não aconteceram mas aqueles dias no Uruguai me deram o fôlego necessário para um ano pegado no outro. Hoje finalmente fiz uma pasta '2014' no meu diretório da FURG. Acabei de solicitar matrícula para o 2º ano e nem acredito. Já tenho conta no banco! Me sinto adulta.

Volto ao meu antigo colégio e lembro das velhas opiniões e das atitudes que tinha lá atrás. Já são 3 anos de mudança. Começou gradual, devagar, mas em 2013 cresceu exponencialmente. Hoje colho o que venho semeando a 5 anos. Hoje vou semeando mais ainda.

Vou voltar a ler essa semana ainda, é essencial e hoje mesmo senti falta. Talvez tenha achado o equilíbrio entre a obrigação (culpa) e o prazer de ter uma vida interdependente.
Semestre que vem o buraco é mais embaixo.

8 de mar. de 2014

o (des)carnaval

Os últimos dias foram repletos de obstáculos e recompensas. Estar em qualquer outro país é lindo e complicado, houveram muitas oscilações de humor onde tudo ia bem e então tínhamos que encontrar soluções para vários problemas. 
Foram inúmeros os momentos de saudade do conforto de casa e de desejos da companhia de amigos e familiares.

Fomos contra a corrente, fomos bolando nossa própria viagem e sobrevivendo nesse mundo portunholglês que vivemos nos últimos 10 dias. Conheci gente de todos os continentes, descobri uma fluência de idiomas que nem sabia que existia embaixo de toda essa timidez. Descobri que tudo se resolve e que só se deve agradecer e esperar, tudo vem em dobro.

O que fica dessa viagem é a certeza de que o meu futuro está sendo preparado cuidadosamente e que seguirei agradecendo pela oportunidade de ter visto tudo que eu já vi e que ainda vou ver.


Cabo Polonio, lindo!

27 de dez. de 2013

a tal da retrospectiva

"3. Eu estou viva. 2mil&13 me matou um bocadinho. Geralmente os ímpares me matam, nos anos pares eu colho. Parece coincidência, mas não é. Os ímpares matam (morrer é importante, deus me livre ser highlander) os pares acompanham, te dão suporte."
Li isso aqui. Fez total sentido. Talvez não do sentido pretendido, mas é assim não é? As palavras depois de ditas, tomam vida própria.

Esse ano foi maravilhoso, cheio de esclarecimentos e eventos. Mas por que não consigo me sentir assim agora, então? Agora tem o vazio e o sentimento de culpa. Sei que não deveria me queixar, tive um ano incrível e existem tantas outras coisas realmente difíceis. Um coração partido é apenas um coração partido até que ele se complete de novo e o ciclo se repita.

Sinto dor por ter falhado mais uma vez. Uma amiga solteira afirma que ela já sabe com quem vai casar, mas que no momento não é parar eles estarem juntos. Concluí que é isso que eu sinto. Quando finalmente me entreguei a todo sentimento, mandei uma mensagem dizendo que tínhamos todo tempo do mundo, porque eu não me imaginava mais sem ele. Continuo pensando a mesma coisa e estou me complicando.

Agora existem dias em que tudo é maravilhoso e quase não me sinto culpada por sorrir, entretanto a maior parte do tempo me sinto mal por ter provocado uma sensação tão terrível em quem eu amo. Eu queria entender porque eu gosto tanto de ti. Queria entender porque sinto como se nunca fôssemos conseguir ficar juntos. Quem sabe realmente não sejamos feito para estar juntos! Será que estamos insistindo em uma ideia fixa que nunca dará certo? Será que isso é amor?

Eu só queria o teu companheirismo e a tua risada estranha. Queria acordar contigo sempre, só para te ver sem óculos e não ser xingada por isso. Tu vais ficar guardado pra sempre. Agora eu preciso seguir a minha vida, de novo. E sozinha, de novo. Não vou morrer chorando dessa vez. Não vou dizer que nunca mais vou me apaixonar de novo e que o amor é uma merda. As coisas não são assim. O que falta é timming, não amor.

Aproveitando que 2013 foi um ano de descobertas e muito auto conhecimento, entro no clima de 2014. Ainda existem muitos obstáculos (internos e externos), e com certeza tudo que eu sinto agora já faz parte do primeiro desafio de 2014. Que venha o ano par!

30 de nov. de 2013

a saudade é parte do pacote

Redemption Song me lembra dias ensolarados a beira da piscina, lembra uma amizade linda e muitos gritos cantantes entoando as músicas do Bob Marley. Eu perdi aquele DVD. O momento ficou gravado antes da grande viagem, que mudou tudo. 1 ano é muito tempo e mudar é preciso.

Eu lembro daquela correria, sempre juntos e sempre na casa de alguém. A minha casa fica triste agora, sabe. Não tem mais aquelas gaitadas, a cozinha está sempre limpa, a TV da sala já nem existe mais, o meu colchão nunca mais saiu da minha cama e apareceu magicamente no tapete da sala. Eu fazia tudo isso pra ti.

Sinto falta da tua amizade. Muita. Sinto falta da convivência e das ligações bêbadas no meio da madrugada. Sinto falta das invenções, dos sonhos sempre muito altos. Eu ainda quero fazer aquela viagem de combi hahaha
Pra mim, tu tem cheiro de família. Todo dia eu lembro de ti, seja por algum assunto, seja por alguma memória. A minha casa sente a tua falta e eu sinto falta da tua casa. Espero que tu saibas a tua importância! Tu foi uma das pessoas que ajudou a formar a minha personalidade.

Dezembro já está aí e acho que já podemos começar a comemorar o teu aniversário :D

11 de ago. de 2013

essa gente estranha na minha cidade

Acho que faz parte do ser humano exaltar o lugar onde nasceu e seu modo de vida. Aqui no sul existem muitas coisas erradas mas ao meu ver, nada supera um domingo frio e ensolarado na Praia do Cassino. Ali tem alegria (de uma família pouco descompensada para o riso), comida boa, o barulho do mar revolto algumas quadras para baixo, chimarrão, (a criança mais linda do mundo), uma gritalhada, as árvores sem folhas, e quando vamos embora o cheirinho de lenha queimando na lareira alheia.

Agora que sou obrigada a ter convívio com um pessoal de todos os cantos do Brasil, sinto que é a minha obrigação mostrar o lado bom do meu lugar e fazê-los sentir como em casa. Assim como sei que quando eu for visitá-los, me tratarão da melhor forma possível. Mas e quando as pessoas não aceitam?

"Será que você está realmente onde gostaria de estar?" Acredito que não importa o motivo da mudança, tu vieste e deu, agora é lidar com a adaptação. É ignorância negar a cultura local, falta de humildade em admitir que quem mora aqui sabe sim, muito mais, do que tu que recém chegaste. Os costumes podem parecer tolos para ti, mas sempre lembra que a recíproca pode ser verdadeira também.

Não é querer acreditar em destino ou força maior, porém eu acho que se tu tomaste uma decisão, foi por um motivo e tu deves estar (ou entrar) em equilíbrio emocional e viver com ela. Caso contrário, vai logo pro lugar onde tu queres estar, senão tudo que emanas é energia negativa e insatisfação.

Englobar não é renegar. Aceitar que o Brasil é enorme e que as pessoas desenvolveram técnicas de adaptação não quer dizer que as técnicas daqui são melhores que as de lá. A faculdade é mais uma das formas de aprendizagem e ter o jogo de cintura de agregar e (permitir) ser agregado vale mais (no mundo real) do que saber toda teoria.

Acima de tudo, saber para onde se está indo e perder um pouco de tempo pesquisando sobre o estilo de vida local pode te impedir de tomar alguma decisão errada ou cometer uma gafe. Como falam, se a vida te deu um limão, faz uma limonada. Ajuda dar o braço a torcer também.


verãozão, calorão, cassinão
Por isso, não enche o meu saco.

17 de jun. de 2013

vem pra rua!*

Nessa semana participo da Semana Acadêmica de Oceanologia e durante a solenidade de abertura fomos convidados a entoar o Hino Nacional Brasileiro, tudo na maior normalidade. Entretanto a minha cabeça fervilhava de ideias! Sim, fui tocada pelo amontoado de manifestações que eclodiram em todo Brasil. Atualmente, eu nem dou muita importância pelo ideal que iniciou toda essa confusão e eu não falo sobre os R$ 0,20. Falo sobre os movimentos partidários contra o governo atual e toda essa politicagem que sabemos estar envolvida.
Acontece que agora eu acho que isso já foi ultrapassado. Os próprios manifestantes estão repudiando quem leva bandeiras nos protestos. Já estamos tão desgastados que o problema não é mais quem fez, porque falando a verdade, todos fazem... é só pegar um livro de história do Brasil.
Eu que sempre dizia ser antes gaúcha do que brasileira, senti o chamado.

Hoje, depois de todo esse arrepio ao cantar o Hino do Brasil, esperei o Hino do Rio Grande do Sul, que sempre toca sequencialmente nas solenidades daqui... e ele não veio. Estranhei e olhei ao redor. Ninguém estranhou! Eu estava em uma sala com gente de todos os cantos do país, onde o que nos unia era a Oceanologia e o Brasil. Só. Não existia lugar para bairrismo.

As pessoas estão ignorando o futebol e protestando por mais saúde, educação e etc! Isso é real e é demais! Ainda não acho que mudaremos o Brasil mas ver toda essa gente saindo as ruas, saindo do seu comodismo e se unindo por uma causa, é notável, no mínimo. Talvez falte organização, tenha dado alguns problemas de vandalismo e outras coisas mas faz tempo que atos como este não são realizados e estamos enferrujados.
Eu lembro de ler sobre as Diretas Já e ouvir o depoimento da minha mãe que pintou a cara e foi as ruas e pensar que devia ser muito legal ter esse sentimento grande dentro do peito. Agora é a minha vez e eu não vou me sentir manipulada pelo partido X porque não é mais essa a questão, embora ela tenha colaborado para a disseminação do movimento.

A verdade é que o poder está recuando e aos poucos vão pipocando notícias que demonstram isso. Eu que pena que a guria aquela teve que tomar borrachada na cara para que a mídia começasse a ser um pouco menos idiota nas suas coberturas, mas fazer o que!
É válido participar, é válido mostrar sua insatisfação e continuar mostrando sua insatisfação porque existem MUITAS questões erradas e agora, o que poderá nos colocar nos livros de história é a constância do movimento e o protesto pelas causas certas, grão após grão. 

Hino nacional - protesto paulista 17-06


*Vem pra rua: Uma das sacadas mais geniais que eu vi nos últimos dias.

17 de mar. de 2013

sobre a primeira vez que fiz uma criança dormir.

Eu, no meu 'poder' de neta mais velha, assisti a algumas crianças chegarem depois de mim. A família é muito unida e 8 crianças vieram tirar o meu lugar de criança mais nova da família. De todas essas oito, a única que eu tive o contato - e a responsabilidade - de fazer dormir foi a Catarina, nove anos mais nova, e admito que mais a agitei do que a acalmei. Ela já era grande, tinha uns quatro ou cinco anos, mas ainda dormia depois do almoço e todos dias eu deitava com ela na cama da vó e contava uma estória. Lá no meio da estória, eu já não lembrava o que de fato tinha acontecido e de propósito, começava a inventar histórias com abdução de alienígenas bonzinhos, roubos de cofres, acidentes e toda a sorte de filmes manjados que passam na Rede Globo. Obviamente caíamos na risada e eu aproveitava para brincar de 'monstro' e fazer o Massacre da Serra Elétrica (uma brincadeira (da nossa família?) que envolve cosquinhas).

Não teve nenhuma criança depois da Catarina, até que em 2010 a minha tia anunciou que estava grávida do meu afilhado. Hoje, depois de uma tarde ensolarada de brincadeiras embaixo da figueira, veio a hora da manha, quando a criança quer brincar mas os olhos já vão se fechando sozinhos. As minhas instruções eram que, quando essa hora chegasse, eu ligasse pra casa da minha tia que ela atravessaria as 4 quadras de distância e viria buscá-lo para a hora da soneca.
A minha avó, atrapalhada, ficou de fazer a ligação. Já o meu afilhado, se deitou na cama e eu fui junto para esperar. Mas ele dormiu. Comecei a contar a estória dos Três Porquinhos e de repente ele ficou de costas pra mim, achei que ele fosse fazer alguma graça, mas não. Sabe quando tu queres olhar pra ver se a pessoa está dormindo mas tens medo que acorde? Fiquei cuidando a respiração, olhando aquelas costas pequeninhas que já vão fazer 3 anos.

Quando tomei coragem de me levantar, fiquei na beirada da cama olhando a primeira criança que eu consegui fazer dormir na vida. Ele parecia tão sereno e as mãozinhas estavam posicionadas da mesma forma que estavam na primeira vez que o vi, recém nascido e no colo da mãe. Saí do quarto e disse pro meu avô: já dormiu.

19 de out. de 2012

'mimimi' virtual

Em um passado não tão distante, quando os casais brigavam a ponto de pensar em terminar, o assunto mal era comentado abertamente. Os amigos mais íntimos poderiam ser chamados para consolar e argumentar, em vão, todos os clichês que estamos cansados de ouvir - sejam os chavões para esquecê-lo (a), seja para reconquistá-lo (a). Caso a segunda opção fosse escolhida, a pessoa ia na casa da outra, no local de trabalho/estudo, ligava e chamava pra sair e conversar. Em um tempo um pouco mais distante, o ritual de galanteio envolvia até uma serenata romântica.

Hoje em dia, a cada semana (sendo otimista), ocorrem brigas dignas de término, como se o fim da relação fosse uma chantagem. O ritual de conquista já não é mais a serenata ou o método intermediário de conquista, atualmente se escrevem textos enormes nas redes sociais, divulgando a briga e seu motivo, explicando quem está certo e quem está errado e contando com o apoio, palpites e comentários virtuais dos (pseudo)amigos. Deixando claro: o texto enorme é o gesto mais romântico que acontecerá para que a relação continue.

Onde foi parar o velho ditado: Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher? Onde está a discrição com a própria relação de vocês? Vocês realmente querem que eu saiba que vocês estão tendo sexo de reconciliação? Desde quando as briguinhas do cotidiano se tomaram proporções tão grandes? Vocês se matarão caso morem juntos, né? E a competição de quem sofre mais? O número de amigos que estão mais preocupados com seu término?

Está tudo desformatado e ninguém parece mais ligar para a privacidade. Se tu te arrependeu de brigar com o teu namorado, vai lá e liga pra ele, aparece na casa dele para conversar. Tu não precisas anunciar tudo para os outros. Inclusive guria que briga muito com o namorado - ou é grude demais mandando mensagens (que só tu acha) bonitinhas - está na verdade fazendo propaganda contra si mesma, pois quando terminar de vez com o atual, cara nenhum vai querer ter a vida transformada num inferno, seja pelas brigas por motivos inúteis  seja por excesso de amor e carência - e de quebra, zoação dos amigos (dele).

Pensem um pouco mais antes de compartilhar algo da vida privada, não se exponham por nada. Pensem em quem irá ler e, porque não, o que esta pessoa irá pensar sobre ti. Preocupar-se com a opinião alheia nem sempre é ruim, às vezes é a dose de realidade perfeita para que não se cometam erros que  tu te arrependerás posteriormente. 
Atualmente, pensar é a contra-cultura. Ser rebelde sempre está na moda, então, porque não aderir às modas boas, e não só as ruins?

20 de set. de 2012

"Foi o 20 de Setembro, o precursor da liberdade"

daqui


"À frente do estagnado porto de Buenos Aires, do outro lado do estuário, na banda oriental do rio Uruguai ou Banda dos Charruas - onde os gados introduzidos pelo Governador Hernandarias iam gradativamente se reproduzindo - não havia ainda nenhum estabelecimento fixo espanhol. Todavia, a introdução do cavalo começava a mudar os hábitos das tribos andarilhas. A galope, as boleadeiras já deixavam de caçar avestruzes e veados para caçar gordos bois chimarrões (selvagens) nos campos realengos (do patrimônio do Rei). Também alguns espanhóis dos povoados do rio Paraná começam a trilhar, aventurosamente, aquelas planícies sem-fim, onde a subsistência se garante pela carne fácil. Nem accioneros nem faeneros; espontaneamente, surgia uma terceira classe de homens, à margem do rei e da lei. Muito pouco numerosos, ainda, mas já com seu lugarzinho assegurado na História do futuro. Do ajuntamento de brancos com as índias vão nascendo piás (che piá, meu coração), que ao crescerem serão chinas ou chirus (che iru, meu amigo). Quando eventualmente contratados pelos accioneros ou faeneros para algum serviço de caça ou coureada de vois, ganham um nome: changadores. Mas preferem viver sem fazer nada, cavalgando sem rumo, andarengos sem casa mas com a carne garantida para o espeto. Pouco se preocupam com o futuro, ou quem sabe nem tenham uma noção sobre o amanhã. Por causa desse viver de gáudio, de despreocupação, de gozo, ganham outro nome: gaudérios.

Instintivamente aplicaram ao seu universo o mesmo raciocínio dos corsários. Só é dono das coisas quem tiver condições de defendê-las.

A terra, o céu, o vento e a solidão, o cavalo ou o boi selvagem - tudo isso é de ninguém."

Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo - Como surgiu o Rio Grande
- pág. 22 - 
Barbosa Lessa