Mostrando postagens com marcador gaúcho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gaúcho. Mostrar todas as postagens

20 de set. de 2015

Disciplina pra encarar

De novo tenho me identificado bastante com o álbum SETEVIDAS da Pitty. Tem algo que me provoca lá dentro, bem no fundo, tipo um instinto de sobrevivência. Pode ser provocado por saber a história dela e cair na real de que eu posso ultrapassar o obstáculo que enfrento, que eu tenho força.
Voltei a usar a placa dentária que eu estava feliz de não ter precisado por cerca de 3 meses. Tomei vários tapas na cara, aparentemente dados por todo mundo que eu conheço e que me quer bem. Ainda luto com deficiências do corpo mas compreendo que o verdadeiro tratamento se encontra no enfrentamento. 
É engraçado a comparação entre o que nós pensamos de nós mesmos e o que outras pessoas pensam da gente. Eu me julgava A e percebi que ignorava os reais motivos do porque eu sou B. E é mais legal ainda ver como está tudo estampado na minha cara, só eu que não via.
Com sorte nos próximos meses a minha raiva será canalizada para outros lugares e o meu corpo consiga ter um alívio. Quem sabe eu possa voltar a ver o médico e diga pra ele que não aceitei apenas o complexo vitamínico, que aceitei o conselho dele.

Que ambição! Que ano! E é só setembro.


Flavia Melissa - Sobre perdão, aceitação e egoísmo - a empatia é o caminho para a libertação!

11 de jan. de 2015

sobre a antiga rotina

Peguei minha bicicleta e fiz o caminho mais natural possível: em direção a praia. Antes parei na casa de um amigo, que já nem mora aqui; queria falar com seus pais. Depois de uma hora de conversa, voltei ao meu caminho.

A casa dele tem a grama mais alta que a rua, o que sempre dá um certo embalo ao início da pedalada. Por 6 anos sempre tomei o rumo sul. Dobrei na entrada para a praia e já enxergava novamente o mar. Mais cedo, havia tomado o primeiro banho do ano e agradecido a tudo que já me aconteceu. Pedalei por um tempo, até que o nordestão me fez parar. Então larguei a bicicleta próxima e encontrei uma duna para sentar.

Pela posição do sol deviam ser umas 19:30h passada. As pessoas já estavam indo embora e um certo frescor pairava. Entre todas músicas altas e barulhos de carro, eu ainda conseguia escutar o barulho do mar e em menos de dois minutos, já estava arrepiada e com o olho cheio d'água. Dizem que esta reação tem sido muito recorrente.

Lembrei que da última vez que passei na casa do amigo e segui para a praia antes de ir para casa, ao me deparar com a imensidão do mar, pedi com todas as forças para que conseguisse a minha vaga para a Oceano. Aqui estou eu, indo pro 3º ano e cada vez mais maravilhada com tudo que aprendo. E nesse clima, segui observando com olhos de cientista-júnior a natureza a minha volta.

Agora a praia já estava quase vazia, com alguns resistentes que desejariam ver o pôr-do-sol. Lembrei das vezes que me senti incomodada pela quantidade de pessoas disputando seu lugar na areia. Lembrei de como fui mimada, tendo durante o ano inteiro uma praia com 250 km de extensão. Lembrei dos invernos de menos de 10ºC, onde mal se ensaiava um sol, e nós já estávamos mateando na praia.

Me fiz muitos questionamentos de diversas áreas e a única resposta que obtive foi: porque amo. Me entristece como quantos amigos partem sem necessariamente pensar em voltar. O ponto maior que penso é: se uma amizade prevalece até no outro lado do mundo, porque não?

Na sexta-feira estava certa que terminaria meu atual livro neste fim de semana e acabei conseguindo ler exatas meia página. Ali, na praia, o livro estava dentro da bolsa, mas me sentia boba por ignorar tudo ao meu redor. Este sempre foi o meu problema, eu queria a totalidade, não o específico.

Não me importo se as coisas não saem como planejei, o que me entristece e chateia é que tenham 'dado errado'. Em momentos onde os pensamentos bons são menos recorrentes do que os maus, acredito que seja 'dar errado'. Principalmente quando se trata de relacionamentos. E tenho dificuldades em aceitar e acabo cometendo erros por crer que a história só acaba quando 'dá certo'.
Algumas coisas tem que dar errado e permanecer erradas, por um tempo. Tipo eu. Eu dei errado e permaneci algum tempo errada. Vejo que, em momentos de isolamento, as coisas encontram o equilíbrio.

Agora, devo ser errada, egoísta e manipuladora para que desta forma os erros parem de ser cometidos. 'Se não pode vencê-los, una-se a eles' e, infelizmente vejo que este poderá ser o caminho. Sob perspectivas diferentes, devo ter sido todas essas coisas e, se de fato é isso que pensam de mim, devo aceitar. Não há nada que possa fazer. Tentei mostrar que tive meus motivos, tentei mostrar que minhas intenções foram boas.

Não tem sido fácil aceitar e existe um caminho tortuoso a frente - bem diferente da praia a perder de vista na qual estou acostumada. Como falei algumas horas mais cedo, a gente deve passar por fases difíceis para que, com o tempo, as feridas cicatrizem e só fiquem as lembranças boas. E como dizia a minha avó, água salgada cura!

"Acordar cedo
Sentir a energia salgada do vento 
E a doce brisa do mar 

Acordar cedo 
E dar uma sacada na bóia no tempo 
Será que vai rolar

Acordar cedo 
Fazer pela vida fazer por mim mesmo 
Eu hei de conquistar 

Acordar cedo 
Seguir pela trilha da onda da vida 
Rezar pra Iemanjá"

8 de dez. de 2014

sobre os 5 dias que faltam


A quinta-feira começou feliz, com um dia bonito e super produtiva e foi piorando exponencialmente até que não conseguia fazer nada do que queria e acabei indo viajar brigada com Deus e o mundo, cansada, triste e meio desorganizada, carregando no corpo apenas o essencial. Na sexta de manhã foi muito complicado largar Rio Grande e entrar de cabeça naquela montoeira de informações que eram despejadas nos alunos ao longo dos 5 pontos de parada do dia. Quando chegamos ao pier de Cidreira, naquele semi pôr-do-sol praticamente mar adentro, percebi que eu já não me importava com o futuro emocional e sim, tinha certeza de que estava buscando a profissão (e junto os valores) corretos. À noite eu já não lembrava que havia deixado a tristeza pra trás.

O sábado foi ansioso pela noite, foi lindo, responsável e curioso porque descobri sentimentos aqui dentro. O domingo aconteceu quente e na corrida contra o tempo para a entrega do relatório e, quando o entreguei foi só comemoração. Até que cheguei à óbvia verdade de que estava voltando pra casa, já era noite e eu continuava levemente bêbada. O sentimento que tive ao chegar no Cassino foi o mesmo que tive hoje ao chegar na FURG pela tarde, não sabia como deveria me sentir.

Passei os últimos 3 dias em um estado de felicidade que há muito tempo não vivenciava e finalmente me sentia bem e de acordo com a minha vida. Voltar a realidade está um tanto estressante. Quero continuar sentindo a felicidade que senti mas ainda não desapeguei ou absorvi o que vivi. Não sei como deveria executar o tão falado desligamento e talvez não exista método correto. Eu nunca soube, pelo menos, apenas vou vivendo e aprendendo que 'o que não tem remédio, remediado está'. Sabedoria da minha mãe.

Dói muito ver o sofrimento alheio enquanto eu me sinto cheia de alegria. Dói mais ainda saber que, depois desse tempo de convivência, eu passo a impressão de ser uma pessoa confusa e triste, sem rumo na vida. Não sei como isso aconteceu, mas hoje penso que talvez eu tenha sido um espelho, que refletiu as características de quem se olhava nele.

Sobre as ações que tenho observado, prefiro não pensar. Não por que irei guardar e ser consumida por, mas por que prefiro lembrar dos momentos bons e dos aprendizados que tive e não guardar rancor de quem um dia já me fez tão bem.

A verdade é que as oportunidades passam. Algumas, retornam a nós, entretanto ocorrem pela nossa própria vontade e luta. A cada novo cenário tomamos decisões únicas que nos moldam pela forma com que enfrentamos as consequências e que acabam nos guiando para a próxima decisão a ser tomada. Não podemos esquecer que decidir em tempo hábil é o ponto chave para aproveitar a oportunidade ao máximo.

Me orgulho em dizer que nenhuma atitude drástica que tomei até hoje foi sem luta e sem avaliação. Quem sabe ter olhado a evolução da planície costeira me fez perceber que podemos ter fases de acresção e erosão também, mas que isso faz parte de um ciclo.

Sexta pela manhã acredito que tenha chegado no máximo da minha fase de erosão, a ponto de quase entrar em prantos no meio da Laguna dos Patos. Lembro de outra fase, ainda neste ano, em que a vida voltou a ter cores a partir das 17h de um dia de verão pré-carnaval e pós prova de exame. Viajar é sempre acrescivo e desta vez é o marco do início de um novo ciclo.

O meu problema é me deixar afetar pelos extremos. Penso com o coração e para realmente aprender a lutar apenas nos momentos certos, percebo que devo alterar este comportamento. Espero que a vida continue me surpreendendo com novos ambientes que causem reflexões. Que saiba enxergar o momento no qual posso aproveitar novas experiências e nos quais teria a oportunidade de corrigir os assuntos mal resolvidos.

Talvez agora, a 5 dias dos 21 anos eu esteja criando coragem para unir as duas situações acima. Finalmente me sinto preparada para embarcar em uma nova aventura antiga. Sinto muito medo e vários frios na barriga mas, o que seria da vida sem a incerteza do futuro? Continuo sendo fiel a minha forma de pensar e, desta vez, dando voz ao que o cérebro e o coração concordaram em fazer.

Minha resolução de aniversário será sempre ser fiel a minha avaliação.

Píer de Cidreira - RS. 06/12/2014.

4 de out. de 2014

So have you got the guts?

eu sinto necessidade de escrever mas não sei ao certo sobre o quê. sinto necessidade de me controlar mas não sei que sentimentos devo ter porque não sei para onde quero ir.
hoje é sábado e semana passada eu nem podia imaginar tudo que aconteceu nessa semana, assim como tenho certeza de que sábado que vem também não acreditarei que mais uma semana se passou. e a semana que vem será complicada e exigirá muito foco.
acho que já cansei de saber o que sinto, já que sinto tudo junto. nos últimos dias creio que esteja só vivendo e esperando ser surpreendida pela vida. e foi exatamente o que tinha dito que não queria fazer porque achava que não seria satisfatório. tudo mudou e hoje já penso ser uma coisa boa, mas que desvia de todo objetivo que estava me impondo. o que me faz questionar: porque se impor?
agora me sinto sozinha e sem vontades. sem força para ir dormir e sem força para ir trabalhar. volto, então, à mesma sensação de antes, querer e não poder.
do lado existe um almaço todo rabiscado, o LibreOffice aberto, o Arctic Monkeys já no final e a Polar no freezer. o celular não toca e nem faz barulhos. o vento, silenciou.
quem sabe seja isso que esteja me incomodando: o silêncio. meu, dos outros e do vento.
porque me impus o silêncio? será que eu realmente cansei de falar? não sei se porque não falo mais, meu nível de audição aumentou. a sede, com certeza aumentou.
hoje senti como se nada tivesse mudado e esse sentimento tem sido recorrente. lembrei de quinta e pensei que tudo ficaria bem. com o tempo.
não sei se tenho todo esse tempo. nem imagino quanto tempo meu silêncio e muito menos o quanto essa sensação de pseudo calma irão durar.
o que eu sei é que são onze horas de um sábado a noite e tudo que eu mais quero é terminar os slides, que eu nem comecei.
aja Polar.

'Cause there's this tune I've found
That makes me think of you somehow
And I play it on repeat
Until I fall asleep(Do I Wanna Know - Arctic Monkeys)

8 de mar. de 2014

o (des)carnaval

Os últimos dias foram repletos de obstáculos e recompensas. Estar em qualquer outro país é lindo e complicado, houveram muitas oscilações de humor onde tudo ia bem e então tínhamos que encontrar soluções para vários problemas. 
Foram inúmeros os momentos de saudade do conforto de casa e de desejos da companhia de amigos e familiares.

Fomos contra a corrente, fomos bolando nossa própria viagem e sobrevivendo nesse mundo portunholglês que vivemos nos últimos 10 dias. Conheci gente de todos os continentes, descobri uma fluência de idiomas que nem sabia que existia embaixo de toda essa timidez. Descobri que tudo se resolve e que só se deve agradecer e esperar, tudo vem em dobro.

O que fica dessa viagem é a certeza de que o meu futuro está sendo preparado cuidadosamente e que seguirei agradecendo pela oportunidade de ter visto tudo que eu já vi e que ainda vou ver.


Cabo Polonio, lindo!

5 de fev. de 2014

do lado de cá

Mais uma vez a gente se despede. 
Eu lembro de todas e lembro que elas vão ficando cada vez mais fáceis. Hoje eu entendo que tu és do mundo, meu amor. Sei que vamos nos reencontrar porque me sinto em casa contigo e te conheço como a palma da mão. Estamos aqui, como sempre estivemos e provavelmente sempre estaremos. Tu me fazes bem demais.
Eu te amo meu amigo. Até o próximo reencontro e que a saudade seja suportável até lá.



"Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados
Na maternidade"

Exagerado; Cazuza

20 de ago. de 2013

a tal da simplicidade

Acho que tenho um gosto bem bagual. Na verdade, eu sou bagual. Bagual... grossa, rude.
Me interesso por uma literatura direta, sem floreios e para alguns, até desagradável. Na pintura vejo confusões, 'coisa de gente louca'. De certa forma, o mais simples pode ser o mais complicado. Nirvana. Até na música!

Isso é reflexo da personalidade, de alguém que nunca se importou em comunicar, simplesmente. Sinceramente não entendo o que mascarar a realidade pode colaborar. O engraçado é que sempre que posso, mascaro a verdade de mim mesma.

A única coisa que me importo é que talvez eu seja má interpretada pelas pessoas que amo e é por isso que tento ser um pouco mais delicada no meu jeito de falar. 
Na verdade, acredito que eu era outra pessoa por que acreditava que seria feliz numa floresta de concreto, trancada em um escritório, enfrentando trânsito pesado para voltar para um apartamento de um quarto. Vida cinza não é o que eu quero pra mim.

Quero o simples, quero aproveitar o sol e poder ter um pátio. Quero poder ser abagualada e poder ter uma duna dentro de casa e quero também não depender de alguém para cortar a grama e varrer a duna para fora da minha casa. Quero uma grade de horários que mude, assim como eu. Quero todas experiências que eu puder ter.

Quero poder continuar tendo ideias mirabolantes dentro do ônibus e não ir a um café com o notebook, mesmo que isso soe bem melhor. 
O importante é que a única coisa cinza seja o meu husky.

11 de ago. de 2013

essa gente estranha na minha cidade

Acho que faz parte do ser humano exaltar o lugar onde nasceu e seu modo de vida. Aqui no sul existem muitas coisas erradas mas ao meu ver, nada supera um domingo frio e ensolarado na Praia do Cassino. Ali tem alegria (de uma família pouco descompensada para o riso), comida boa, o barulho do mar revolto algumas quadras para baixo, chimarrão, (a criança mais linda do mundo), uma gritalhada, as árvores sem folhas, e quando vamos embora o cheirinho de lenha queimando na lareira alheia.

Agora que sou obrigada a ter convívio com um pessoal de todos os cantos do Brasil, sinto que é a minha obrigação mostrar o lado bom do meu lugar e fazê-los sentir como em casa. Assim como sei que quando eu for visitá-los, me tratarão da melhor forma possível. Mas e quando as pessoas não aceitam?

"Será que você está realmente onde gostaria de estar?" Acredito que não importa o motivo da mudança, tu vieste e deu, agora é lidar com a adaptação. É ignorância negar a cultura local, falta de humildade em admitir que quem mora aqui sabe sim, muito mais, do que tu que recém chegaste. Os costumes podem parecer tolos para ti, mas sempre lembra que a recíproca pode ser verdadeira também.

Não é querer acreditar em destino ou força maior, porém eu acho que se tu tomaste uma decisão, foi por um motivo e tu deves estar (ou entrar) em equilíbrio emocional e viver com ela. Caso contrário, vai logo pro lugar onde tu queres estar, senão tudo que emanas é energia negativa e insatisfação.

Englobar não é renegar. Aceitar que o Brasil é enorme e que as pessoas desenvolveram técnicas de adaptação não quer dizer que as técnicas daqui são melhores que as de lá. A faculdade é mais uma das formas de aprendizagem e ter o jogo de cintura de agregar e (permitir) ser agregado vale mais (no mundo real) do que saber toda teoria.

Acima de tudo, saber para onde se está indo e perder um pouco de tempo pesquisando sobre o estilo de vida local pode te impedir de tomar alguma decisão errada ou cometer uma gafe. Como falam, se a vida te deu um limão, faz uma limonada. Ajuda dar o braço a torcer também.


verãozão, calorão, cassinão
Por isso, não enche o meu saco.

28 de jan. de 2013

como não aproveitar as férias de verão.

Estar em uma universidade que fez greve - que durou só 3 meses - está sendo meio complicado. Nos meses onde tudo que se quer é praia, festa e dormir até tarde, ter que estudar e encarar um final de bimestre é algo totalmente novo e, o mecanismo de funcionamento ainda deve ser descoberto. 
Não digo que estudar seja um martírio mas sob calor de 30ºC (eu sei não é muito pro resto do país mas pros gaúchos de Rio Grande é) e tendo a maior praia do mundo a 20 minutos, não há muitas motivações para se concentrar.
Primeiro, saí do ambiente 'praia'. Atitude difícil. Segundo, procuro deixar os cadernos abertos e à mão de forma que quando eu começar a ficar culpada que tenho que estudar, eu os olhe e possa pegá-los. Terceiro,  sair do facebook e joguinhos.

Só saberei hoje se toda essa técnica funcionou, tenho prova. Espero que por mais atribulado que o pensamento (e o coração) estejam, consiga abrir a caixa do conhecimento e pelo menos ficar satisfeita que o sacrifício não está sendo em vão.

18 de jan. de 2013

p-i-j-a-m-a shooooooow

Conheci a banda Cartolas através de um programa de rádio aqui do Sul chamado Pijama Show. Durante as madrugadas de terça-feira rolava a Terça do Ministério, que consistia num papo descontraído entre amigos-músicos do âncora do programa, o famoso Mr. Pi. O programa acabava sendo uma desordem organizada, onde todo mundo gritava mas se entendia e entre um desses caras muito loucos, uma voz suave e sempre comedida se destacava, a voz do André da Cartolas. Durante muito tempo foi só essa a referência que tive dele. Me apaixonei pela voz e uma pequena obsessão apareceu. Já sobre a banda, lembro que tocava a música de trabalho da época, Cara de Vilão.

A medida que os anos foram passando, fui tendo outras oportunidades de conhecer os caras e agora, no 'trabalho mais novo', me peguei cantando a música O Divórcio.

"(...)
Se tem cabimento

fazer essa queixa na hora
do Jornal Nacional
Apostei na bolsa
achei bem mais interesante
que ser sentimental



Eu nunca mais vou deitar com você
Vai ver se eu tô na esquina
Já tem bem mais coisa pra eu fazer

Preciso ser muito mais..."

Hoje a música ecoa na minha cabeça, sabe aqueles discos arranhados? A frase sublinhada fica pulsando e aparecendo nos meus pensamentos nas horas mais impróprias. Meu ano nem começou com metas sobre o desapego, mas provavelmente o meu subconsciente está me indicando que é sim, necessário.

Evoluir já não é mais uma opção, e sim uma necessidade. Está na hora de começar a tornar-me adulta e ir, aos poucos, estabelecendo prioridades e descobrindo o que eu preciso ser (e ter) na vida.

20 de set. de 2012

"Foi o 20 de Setembro, o precursor da liberdade"

daqui


"À frente do estagnado porto de Buenos Aires, do outro lado do estuário, na banda oriental do rio Uruguai ou Banda dos Charruas - onde os gados introduzidos pelo Governador Hernandarias iam gradativamente se reproduzindo - não havia ainda nenhum estabelecimento fixo espanhol. Todavia, a introdução do cavalo começava a mudar os hábitos das tribos andarilhas. A galope, as boleadeiras já deixavam de caçar avestruzes e veados para caçar gordos bois chimarrões (selvagens) nos campos realengos (do patrimônio do Rei). Também alguns espanhóis dos povoados do rio Paraná começam a trilhar, aventurosamente, aquelas planícies sem-fim, onde a subsistência se garante pela carne fácil. Nem accioneros nem faeneros; espontaneamente, surgia uma terceira classe de homens, à margem do rei e da lei. Muito pouco numerosos, ainda, mas já com seu lugarzinho assegurado na História do futuro. Do ajuntamento de brancos com as índias vão nascendo piás (che piá, meu coração), que ao crescerem serão chinas ou chirus (che iru, meu amigo). Quando eventualmente contratados pelos accioneros ou faeneros para algum serviço de caça ou coureada de vois, ganham um nome: changadores. Mas preferem viver sem fazer nada, cavalgando sem rumo, andarengos sem casa mas com a carne garantida para o espeto. Pouco se preocupam com o futuro, ou quem sabe nem tenham uma noção sobre o amanhã. Por causa desse viver de gáudio, de despreocupação, de gozo, ganham outro nome: gaudérios.

Instintivamente aplicaram ao seu universo o mesmo raciocínio dos corsários. Só é dono das coisas quem tiver condições de defendê-las.

A terra, o céu, o vento e a solidão, o cavalo ou o boi selvagem - tudo isso é de ninguém."

Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo - Como surgiu o Rio Grande
- pág. 22 - 
Barbosa Lessa