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6 de out. de 2015

clássico

Saí de casa sem saber se tinha feito certo. Pensei que seria melhor se distrair, atender aos compromissos e renovar os ares afinal o quarto precisa ser arrumado e este não é o momento. Assim como não é o momento para estar aqui escrevendo.
Cheguei novamente em casa com um sentimento de esgotamento, como se tudo tivesse sido trazido à tona, todo aquele cansaço que eu estava ignorando e justificando mentalmente "só até amanhã" havia encontrado sua voz e gritava pra mim.
Foi então que procurei uma leitura encorajadora e encontrei apenas migalhas. Ecos do que já foi, palavras que pareciam olhares descontentes e sisudos. Procurei, e como procurei... só encontrei mágoa, questionamentos ruins, pessoas gritando não. 

Não teria mesmo como dar certo... 
pelo menos até amanhã.

"you'll be on my mind, don't give yourself away..." (TBK)

14 de dez. de 2014

ciclos

É tanta coisa! A se fazer, a aprender, a processar! Quando acredito que virá a calma... não.
Estou dispersa, analisando cada atitude. Não consegui processar nada do que aconteceu na última semana. Sabia que seria assim, afinal encaro duas semanas sem fim de semana, de trabalho contínuo. Não sei mais o que é dormir tranquila e as olheiras no meu rosto só aumentam. Não faço questão de escondê-las.

Hoje eu pensei que seria uma destas noites onde tudo se acalma, tu tens amigos banhados por cerveja e risadas. Tolinha!
Ao baixar a guarda, fui testada sobre o que venho me tratando há, pelo menos, 7 meses. Qual o equilíbrio certo, localizado bem no meio do caminho entre ser disponível, ajudar, e ser disponível demais, alimentar uma dependência destrutiva?
A verdade é que eu gosto de passar a mão na cabeça das pessoas porque me sinto útil. O livro que leio fala sobre esse comportamento. Mais uma coisa para mudar!
E não interessa se a bebisse já bate à cabeça, a vida acontece no presente e os problemas não param de vir. Eu ajudei, eu fui disponível. E agora?


Os próximos 3 dias são determinantes e quando olho ao redor, só vejo confusão e teias de relações complexas. Daí eu sinto falta de outras pessoas. De amigos distantes, de quem eu não sei conversar, de momentos de paz e que fugiram por entre as minhas mãos e não se propagaram.
Eu sei que tudo vai ficar bem, para todos nós. Estamos nos últimos suspiros do semestre, só preciso aguentar por mais 4 dias e então, tudo será modificado.
Talvez eu tenha tempo de lidar com os outros aspectos que vem se arrastado e rastejado no chão lamoso, apenas para continuar acompanhando a forma rápida com que o fim de ano vem acontecendo.

Eu já tenho 21 anos e ainda moro com meus pais. Não tenho namorado nem filhos. Mal tenho uma gata, que suspeito se gosta de mim.
O que eu tenho é um afilhado que me admira, no auge dos seus 4 anos e, ontem, enquanto brincava de jogar bola, imaginava levá-lo a Cabo Polônio (UY). Meu momento de paz em um futuro um tanto longe. Agora, me contento em fazê-lo dormir, pensando no dia em que ele achará bobo que eu queira colocá-lo na cama.

Mais um ano... mais conquistas e mais batalhas, principalmente internas e que eu sei... estão só começando.

6 de nov. de 2014

A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way

"37
Costumava levar minhas mulheres às lutas de box e e às corridas de cavalo. Naquela quinta à noite fui com Katherine ao box e no estádio Olympic. Ela nunca tinha visto uma luta de perto. Chegamos lá antes da primeira luta e sentamos na boca do ringue. Eu bebia cerveja, fumava e esperava.
– É engraçado – disse a ela –, as pessoas chegam aqui e ficam esperando os dois homens subirem  lá no ringue pra se massacrarem.
– É horrível mesmo.
– Esse lugar foi  construído há muito tempo – eu  disse, enquanto ela examinava com os olhos a velha arena. – Só têm duas toaletes, uma pras mulheres, outra pros homens, e são muito pequenas. É melhor você ir antes ou  depois do intervalo.
– Tudo bem.
A maioria do público do Olympic era de latinos e trabalhadores brancos pobres, mais algumas estrelas de cinema e outras celebridades. Tinha bons lutadores mexicanos que brigavam com paixão. As lutas ruins ficavam a cargo dos brancos e negros, sobretudo os pesos pesados.

Era estranho estar ali com Katherine. As relações humanas são estranhas. Quer dizer, você passa um  tempo com uma pessoa, comendo, dormindo, vivendo e amando, conversando com ela, indo aos lugares – e, um  dia, tudo acaba.
Daí, você passa um tempo sem ninguém, até que aparece outra mulher, e aí você come com  ela, trepa com ela, e tudo parece tão normal, como se você estivesse o tempo todo esperando exatamente por ela, e ela por você. Nunca achei  correto estar sozinho; às vezes, era até bom, mas nunca achei correto.

A primeira luta foi bem boa, muito sangue e coragem. Assistir a lutas de box e ensina alguma coisa sobre o ato de escrever; a mesma coisa acontece com as corridas de cavalo.
A lição não é muito clara, mas eu sinto que me ajuda. Isso é que é importante: a lição nunca é clara. Lição sem palavras, como uma casa se incendiando, um terremoto, uma inundação ou uma mulher saindo do carro e mostrando as pernas. Eu não sei do que os outros escritores precisam, nem me interessa. Não os leio mesmo, Sou prisioneiro dos meus hábitos, dos meus preconceitos. Não é mau ser burro, se a ignorância for sua de fato. Eu sabia que um dia ainda iria escrever sobre Katherine e que ia ser difícil. É fácil escrever sobre putas, mas escrever sobre uma boa mulher é muito mais difícil.

A segunda luta foi boa também. A galera berrava e urrava e se empapuçava de cerveja. Eles tinham fugido provisoriamente das fábricas, armazéns, matadouros, postos de gasolina, e estariam de volta ao cativeiro no dia seguinte. Mas, agora, estavam fora, embriagados com a liberdade. Não estavam pensando na pobreza nem na escravidão. Nem na humilhação do seguro-desemprego e das cotas alimentares. Nós, os do lado de cá, estaremos bem até o dia que os pobres descobrirem com o fazer bombas atômicas no porão de casa.
Todas as lutas foram boas. Me levantei pra ir ao banheiro. Quando voltei, Katherine estava muito quieta. Parecia assistir a um espetáculo de balé ou  a um  concerto. Tão delicada e, no entanto, que foda maravilhosa...
Continuei bebendo. Katherine pegava na minha mão quando a luta ficava muito violenta. A galera adorava nocautes. Eles berravam quando um dos lutadores estava aponto de beijar a lona. Eram  eles que disparavam aqueles golpes. Na certa, estavam esmurrando seus patrões e esposas. Quem  sabe? Quem se importa? Mais cerveja.

Sugeri que saíssemos antes do final. Já vira o suficiente.
– Tudo bem  – disse ela.
Subimos pelo corredor estreito, através do ar azul de fumaça. Ninguém assobiou  ou fez  gestos obscenos. Minha cara amassada e riscada de cicatrizes inspirava respeito.
Voltamos até o estacionamento, debaixo da autoestrada. O fusca 67 não estava lá. O modelo 67 foi o último bom Volks – e a moçada sabia disso.
– Hepburn, roubaram a porra do meu carro.
– Ah, Hank, não acredito!
– Sumiu. Estava aqui – apontei. – Agora sumiu.
– Hank, o que a gente vai fazer?
– Bom, vamos tomar um táxi. Tô me sentindo mal à beça.
– Por que será que as pessoas fazem isso?
– É o jeito de eles se virarem.

Fomos até uma cafeteria e eu liguei pedindo um táxi. Tomamos café com rosquinhas.
Enquanto a gente assistia às lutas, eles arrombaram o carro e fizeram ligação direta. Eu costumava dizer: “Leve minha mulher, mas deixe meu carro em paz”. Eu jamais mataria um homem que tivesse me levado a mulher; mas seria capaz de matar o cara que roubou meu
carro.

O táxi chegou. Em casa, por sorte, tinha cerveja e um pouco de vodca. Perdi a esperança de ficar sóbrio o bastante pra poder trepar. Katherine percebeu isso. Eu ficava andando de lá pra cá, falando do meu fusca 67 azul. O último bom modelo. Eu não podia nem chamar a polícia. Estava bêbado demais. Ia ter que esperar até de manhã, até a hora do almoço.
– Hepburn – disse a ela –, não é sua culpa, não foi você quem roubou ele!
– Tomara tivesse sido eu. Você estaria com ele agora.
Fiquei imaginando dois ou três garotos correndo com o meu baby azul pela Estrada Costeira, puxando fumo, dando risadas, desmontando ele. Daí, pensei em todos os ferros velhos de Santa Fe Avenue. Montes de para-choques, para-brisas, maçanetas, limpadores de para-brisas, peças de motor, pneus, rodas, capôs, capotas, bancos, macacos, pedais de breque, rádios, pistões, válvulas, carburadores, camisas de pistão, engrenagens, eixos – meu carrinho logo se transformaria numa pilha de peças avulsas.
Naquela noite eu dormi  agarrado a Katherine, mas meu coração estava frio e triste.

38
(...)
Me preparei pra terceira corrida, reservada para potros e capões de dois anos sem vitórias. A cinco minutos do fechamento das apostas verifiquei  o totalizador e fui jogar. Ao me afastar, vi que o homem  duas fileiras abaixo conversava com Katherine. Todos os dias tinha pelo menos uma dúzia como ele nas corridas. Ficavam contando vantagem pras mulheres bonitas, na esperança de levá-las pra cama. Talvez nem  chegassem a pensar nisso; talvez não soubessem  direito o que queriam. Viviam aturdidos, baratinados, na lona. Quem seria capaz de odiá-los? Grandes ganhadores! Estavam sempre apostando no guichê de 2 dólares, com  o salto do sapato gasto e as roupas sujas. Estavam mais por baixo que todo mundo.

Apostei  no favorito. Chegou  na ponta e pagou  4 dólares. Não era muito, mas eu tinha apostado 10 na cabeça. O homem  de baixo virou-se para Katherine e disse:
– Acertei. Tinha 100 na cabeça!
Katherine não respondeu. Começava a se dar conta do truque. Ganhadores não ficam abrindo o bico. Têm medo de serem assassinados no estacionamento.
Depois da quarta corrida, cujo ganhador pagou  22,80, o cara se virou  de novo e disse a Katherine:
– Acertei  esse também. 10 na cabeça.
Ela me disse:
– Olha só a cara dele, Hank. É amarela. Você reparou nos olhos dele? É doente, coitado.
– É doente de sonho. Todos nós somos doentes de sonho, por isso estamos aqui .
– Hank, vambora.
– Tudo bem.

Naquela noite ela bebeu meia garrafa de vinho tinto, de bom vinho tinto, e ficou quieta e triste. Sabia que ela estava me identificando com  a turma das corridas e das lutas de boxe – e era verdade. Eu andava com eles, eu era um deles. Katherine sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, ideias, ideais, nem me preocupava com  política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante; dava muito trabalho. Eu queria mesmo era um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Pouco me importava.

A trepada foi ótima naquela noite, mas essa foi a noite em que perdi Katherine. Não havia nada que eu  pudesse fazer. Rolei pro lado e me limpei com os lençóis. Ela foi ao banheiro. Um helicóptero da polícia sobrevoava nossas cabeças, patrulhando Hollywood."
Mulheres
Charles Bukowski

Estava eu no ônibus lendo o velho Buk quando senti estes trechos como socos no estômago. O que se seguiu foi mais triste ainda e influenciou na minha aura. Foram flashbacks intensos em que vi praticamente minha vida toda. Aquelas 5 páginas que contam os momentos com Katherine me fizeram grudar no assento e fazer a típica pergunta: o que estou fazendo com a minha vida?
Saber que não posso lidar com os problemas da forma antiga mais me atormenta. A verdade é que tenho me afastado de muitas pessoas, tantas que sinto medo de desenvolver os antigos sentimentos ruins.

Cada vez que puxo o livro dentro do ônibus o faço de forma lenta e cuidadosa, o mesmo se segue na devolução dele pra mochila. Movimentos calmos e de proteção.
Livros são só livros, mas o Buk continua sendo o Buk. E eu o leio quando as coisas não vão bem. Ele tem me feito olhar fundo nos meus defeitos e enfiar os dedos grossos nas feridas abertas. Não me sinto apta a nada. Inclusive me pergunto como consegui me arrastar até aqui e penso que talvez não esteja tão mal assim.
Não tenho vontade de nada e isso me apavora. Não quero de jeito nenhum regredir e ter aqueles sentimentos e pensamentos negativos.

O Led voltou a tocar com tudo e sinto falta de fones de ouvido. Nunca entendi a fixação das pessoas por Kashmir. 
Não tenho me sentido no controle das situações. Apenas faço o que sou mandada. Incômodo. Todos os dias.

Não me vejo bagunçada, me vejo com medo e esgotada. Lutas constantes e o sentimento de não ser bem interpretada têm me tomado a mente. Voltei a usar máscaras durante parte do dia porque é a saída mais fácil, mas é uma fuga. Sempre que me pego agindo assim tenho voltado ao controle. Não quero fugir mais e talvez esse sentimento de esgotamento queira dizer que eu, finalmente esteja chegando a algum lugar.

Autenticidade e movimentação. A chave é não se deixar parar, movimentar-se nem que isso custe joelhos esfolados de tanto se arrastar. Aprendi isso.
Hoje, Buk e Led me dão força para traçar todas as linhas de proteção à minha volta e quem sabe, ao final deste ciclo, não esteja na hora de finalmente tatuar o ciclo protetor?

11 de out. de 2014

quero ir além

Não tenho como continuar sendo tua amiga se, aos poucos, não ir conseguindo mais intimidade. Esse é o objetivo, seguir sempre em frente e perceber que, voltar atrás, já não dá. Ou somos desconhecidos, ou aprendemos a lidar com a intimidade criada e já não tão mais usada. Existem partes boas de ter amigos que te conhecem.
Sei que pra ti, essas coisas são muito complexas e também que tu te achas um monstro. Várias vezes te disse que aceitei o compromisso de conhecer o que for que tu quiser me mostrar. Claro, sou curiosa e isso quer dizer que vou fazer perguntas e aceito 'não' como resposta, embora prefira vários 'sim'.

Essa coisa de se abrir é complexa, mas faz parte da vida. Acredito que estamos aqui para sofrer, também. Sempre cresci muito com o sofrimento, principalmente quando me sentia sufocada. Aí mesmo é que descobrimos que temos coragem e vontade de emergir. Mas tudo bem, não estou te pedindo para sofrer. Na verdade, não estou te pedindo nada.

Sim, me chateio em perceber que nos momentos onde tu não pensas muito, eu consigo ver uma brecha desse portão, meio aberto. Em momentos pensativos, o portão de aço fica fechado a 7 chaves. Eaí eu sinto como se desse vários passos para trás. E vem a desmotivação.

Quando te falo em pegar na tua mão falo em desde o porque uma criança pega na mão do adulto até o porque uma idosa pega na mão do marido depois de um casamento de 50 anos. E perceber que é capaz de tu largar a minha mão, dá medo. O medo de se machucar, de ficar perdida por alguns momentos. Fico perplexa por saber que tu não sabes diferenciar quando simplesmente quero aconchego e nos que quero paixão. Daí vejo que realmente, não consegues me compreender. E já nem sei se queres. Mas que amizade é essa, então?

Não quero aprovação, quero respostas. Nunca mudaria meu jeito por causa de alguém. Sei que preciso ser aperfeiçoada e, acredite, estou trabalhando nisso. O que eu, talvez, espere de ti, seja amizade. O simples chimarrão onde se fala tudo, de desabafos a risadas histéricas até respostas como 'me deixa quieto' ou 'vamos sair pra beber hoje'.
E são nesses momentos em que se conhece alguém. Onde esta pessoa lhe explica as coisas que tu não entendes. Compartilhar momentos e conhecimentos.

Me alegra ver que consegui chegar bem longe até. Me desanima ver que não consigo me fazer clara. Continuarei tentando achar palavras, sempre sinceras, e tentar me comunicar contigo. São nesses momentos em que crescemos porque nos confrontamos com realidades muito diferentes. Sou teimosa e não consigo ver a autodestruição.
Por favor, não me faz ver que tudo isso foi apenas perda de tempo.

4 de out. de 2014

So have you got the guts?

eu sinto necessidade de escrever mas não sei ao certo sobre o quê. sinto necessidade de me controlar mas não sei que sentimentos devo ter porque não sei para onde quero ir.
hoje é sábado e semana passada eu nem podia imaginar tudo que aconteceu nessa semana, assim como tenho certeza de que sábado que vem também não acreditarei que mais uma semana se passou. e a semana que vem será complicada e exigirá muito foco.
acho que já cansei de saber o que sinto, já que sinto tudo junto. nos últimos dias creio que esteja só vivendo e esperando ser surpreendida pela vida. e foi exatamente o que tinha dito que não queria fazer porque achava que não seria satisfatório. tudo mudou e hoje já penso ser uma coisa boa, mas que desvia de todo objetivo que estava me impondo. o que me faz questionar: porque se impor?
agora me sinto sozinha e sem vontades. sem força para ir dormir e sem força para ir trabalhar. volto, então, à mesma sensação de antes, querer e não poder.
do lado existe um almaço todo rabiscado, o LibreOffice aberto, o Arctic Monkeys já no final e a Polar no freezer. o celular não toca e nem faz barulhos. o vento, silenciou.
quem sabe seja isso que esteja me incomodando: o silêncio. meu, dos outros e do vento.
porque me impus o silêncio? será que eu realmente cansei de falar? não sei se porque não falo mais, meu nível de audição aumentou. a sede, com certeza aumentou.
hoje senti como se nada tivesse mudado e esse sentimento tem sido recorrente. lembrei de quinta e pensei que tudo ficaria bem. com o tempo.
não sei se tenho todo esse tempo. nem imagino quanto tempo meu silêncio e muito menos o quanto essa sensação de pseudo calma irão durar.
o que eu sei é que são onze horas de um sábado a noite e tudo que eu mais quero é terminar os slides, que eu nem comecei.
aja Polar.

'Cause there's this tune I've found
That makes me think of you somehow
And I play it on repeat
Until I fall asleep(Do I Wanna Know - Arctic Monkeys)

6 de set. de 2014

pra gente se inventar de novo, e o mundo vai nascer de novo

e aqui em todo esse tempo livre, que eu reclamava não ter, cá estou.
falta vontade.
se me perguntassem segunda-feira, diria que tinha mil ideias pra esse sábado, uma mais demorada que a outra. e vontade transbordava.
porque estava sol, um leve vento, a grama estava verde, os amigos bem e perto e as aulas super interessantes. porque tudo estava encaixado ou no processo de.

o sábado está nublado e chuvoso e o sofá parece continuar sendo uma ótima opção. os planos foram por água abaixo e a ansiedade volta com tudo.
tomei a decisão de esperar... esperar o tempo passar, esperar quem sabe uma troca de ideia, uma conversa, uma vontade, uma notícia ou apenas o sol voltar.

27 de jan. de 2014

'tudo que vai'

Hoje parece que eu sinto toda a dor do mundo.
Sinto a dor daquele cachorro atropelado na faixa, segunda-feira passada. Sinto a dor do gato morto no acostamento no dia do término do meu namoro. Sinto o vazio que existe há 7 anos no meu peito e a aparente certeza de que nunca vou conseguir superar isso.
Sinto a falta do meu avô e as suas sábias palavras. Sinto a dor da quase perda do meu afilhado, que uma certa tarde tropeçou pra dentro da piscina. Sinto a dor da insegurança e da falta de acompanhamento das atitudes do cara que amo. Sinto a insônia e as noites de pesadelo, encarando o teto do quarto e pensando se ele está vivo ou fez algo que pode se arrepender.
Sinto a dor de não poder ajudar, a dor de ver alguém cavando seu próprio buraco e acabar me perdendo no buraco alheio. Sinto a dor das minhas respostas mau humoradas e o vazio que a bebida proporciona. Meus dedos coçam e um cigarro iria bem. Sentiria a dor do meu estômago pedindo que eu não exagere.
Sinto a dor física que a dor mental causa nas pessoas ansiosas. A minha ansiedade acaba deixando meus dedos e lábios em carne viva e o meu bruxismo atinge níveis exorbitantes. Ocasionalmente ainda vem uma dor na lombar.
Sinto a dor de querer mudar e não conseguir. Eu quero que a curiosidade vá embora.
Sinto a dor da saudade de todos que já se foram e dos que saíram da minha vida. Sinto a insatisfação e a falta da aceitação de que nem sempre todo mundo caminha junto contigo.  Às vezes as pessoas tem caminhos paralelos e aceitar é preciso. Sinto a dor de ser trocada, de ter sonhos e expectativas roubados. 

Sinto que o futuro está muito longe e que tudo podia acabar agora. Não quero perspectivas, só queria um remédio para dormir e fazer calar essa voz insuportável da minha cabeça. Queria acreditar que tudo vai ficar bem.

9 de set. de 2013

timidez mata o pseudo-futuro

Hoje pode ter sido a última vez nos próximos anos que eu te vi assim, ao vivo. Como sempre eu fiquei apavorada, mãos tremendo e estômago embrulhado e tudo. Sempre penso no que poderíamos ter sido, mesmo que o mais provável fosse continuar não sendo nada.

Quando entrei no ônibus e vi o teu olhar perdido através da janela, pensei na merda que eu tinha feito ao falar tudo que eu sentia, há alguns meses atrás. E fiquei mais nervosa ao pensar que tu podias estar pensando nisso também. Nesse meio tempo eu fiquei pensando no teu sorriso ao me dar oi e nas confusões que aconteciam sempre que tentávamos passar do 'oi, tudo bem?'. Quando tu saíste do ônibus já havia mudado de ideia, não me arrependo. 

Eu acho que gostaria de escutar as coisas que falei pra ti. Gostaria de saber que sou importante pra alguém que participou da minha vida por alguns dias, há muito tempo atrás. Vejo hoje tanta gente que deu errado e eu penso em ti e vejo o cara que evoluiu demais. A verdade é que espero ouvir muito o teu nome e sempre vou pensar com carinho no que 'escapou'. 

23 de jul. de 2013

ó frio

Descobri mais uma mania: tocar nas coisas. Pode ser interferência do meu afilhado que assim como qualquer criança quer tocar em qualquer coisa que vê pela frente (felizmente ele aprendeu que nem tudo deve ser colocado na boca). Agora eu vejo tecidos e quero senti-los.

Pois então veio a massa de ar polar que, aparentemente, nem tem muito a ver com tudo. O grande problema é a incapacidade que tenho em aquecer as mãos. E alguém sabe como é bater o dedo gelado? Parece que vai cair!
Num passe de mágica parei de tocar em tudo que via pela frente e o mais engraçado é que eu não uso luvas justamente para não perder o tato. Fico com dedos gelados, medo de esbarrar em algo e perder a mão e sem as sensações incríveis de experimentar o mundo como uma criança querendo expandir seu conhecimento em texturas.

Porque isso é relevante? Por que eu acredito que o dia só vale a pena se experimentamos alguma sensação diferente.

16 de nov. de 2012

releitura musical

Pra mim ainda é bem real. 
Tudo que um dia a gente inventou ainda é real mas claro, é diferente. Eu aceito o fim e aceito o caminho que percorremos e já não há espaço ou disposição para a negação mas me recuso a 'fechar essa porta' pra sempre porque creio que temos condições de colocar uma vírgula no passado e seguir contando a nossa história.
Eu te digo que não tenho mais um sentimento forte mas eu respeito que um dia eu senti. E mais do que lembrar apenas do final, eu me lembro do início e de toda amizade que existia.

Ao meu ver, já se passou tempo suficiente para que se pondere começar uma relação cordial. Eu tenho tentado mas tu sabes que esse não é exatamente o meu forte. Creio que ainda tenhamos intimidade demais e acabo, por vezes, 'forçando a barra', mas é que eu não sei qual o teu limite porque tu não falas. 
Devo então é simplesmente largar tudo e desconsiderar o que se viveu? Agir como qualquer ex-namorados e fingir que nada aconteceu?

12 de jun. de 2012

da rua

Em épocas de virada cultural



eu já não presto mais atenção. quando estou na rua, não me distraio mais pensando nas histórias boas e ruins que  as pessoas contam, involuntariamente, com seus gestos. deixei meu lado humano em casa, esquecido por baixo das tantas roupas que o frio daqui do sul nos força a usar.
perdi o poder do auto-conhecimento nos olhos alheios e me desesperei.

10 de jun. de 2011

meu eu lírico

hoje depois de muito tempo eu resolvi sentar no colo da minha mãe (e quase matar ela, consequentemente). a única vontade que eu senti foi chorar como um bebê. claro que ela não entenderia nada, mais ainda quando eu não resolvesse contar o verdadeiro motivo, ou seriam os verdadeiros motivos? ela ficaria braba comigo por não 'confiar' nela, eu choraria mais ainda e durante o período de uma semana esta seria a pauta para todas as conversas. então, pensando nisso tudo, desisti. engoli o choro como toda mulher aprende a fazer e fingi o sorriso mais natural do mundo.

me assusta o fato que ela não tenha percebido meu olhar. me assusta o fato que ninguém tenha percebido meu olhar, apenas meu mau humor, que se pronunciou mais do que normalmente hoje. me assusta o fato que eu consiga mentir tão bem para todo mundo. ou pelo menos quase todo mundo. acredito que só existam duas pessoas que poderiam ver realmente através dos meus olhos hoje. nenhuma delas pertence ao meu dia a dia mais. estou sozinha.

ou era isso que eu pensava. hoje eu vi que realmente em uma boa amizade não se precisa muita comunicação e sim sentimento. o anjo da minha vida hoje veio falar comigo no msn, sabendo exatamente do jeito que eu estava e me falando tudo que eu gostaria de ouvir. faz quase dois meses que não nos vemos pessoalmente e ela soube a hora e o que falar. ela me conhece mais do que eu. ela é o meu porto seguro e ela sabe disso.

mas mesmo sabendo de tudo isso eu ainda não consigo falar. ela sabe o que eu estou sentindo mas eu nunca falo o que é realmente. cada vez mais fico com medo de me tornar uma adulta amargurada e sozinha. queria não ter tantos bloqueios mas o que eu não quero mesmo é deixar alguém como ela.

19 de abr. de 2011

essa indiferença toda é real ou é coisa da minha cabeça?

não sei o que acontece. não sei que sumiço foi esse e também nem sei se quero saber. a única coisa que me deixa chateada é a desconsideração.
tudo bem que tu tenhas te arrependido, eu não confiei 100% no teu sim, sabia que tu querias mas em alguns momentos apenas. na verdade é isso que me chateia, eu nem sei se é por causa disso esse sumiço! não sei se é porque tu tens tido prova, ou porque tu chega cansado do dia-a-dia desgastante que tu tens.

eu fiz a minha parte, mandei mensagem, mention e até tentei comunicação por pensamento. acontece que eu não vou mais me desgastar. de novo, a única coisa que eu queria era que tu me dissestes porque, a 4 ou 5 dias tu não falas comigo e ignoras qualquer tipo de contato. não vou te julgar se tu falar que te arrependeu, eu sei que é isso que tu tá achando. mas qualquer coisa é melhor do que essa incerteza dentro de mim e essa raiva que está começando a se criar. tudo o que eu queria era não ter raiva de ti. saber que não deu certo por causa dessa distância toda.

estamos chegando a 2 meses. teoricamente terminamos o que nem sequer teve chance de começar da devida maneira. houveram recaídas. só queria saber exatamente se foram só recaídas ou tentativas. queria saber, se é que houve uma tentativa, se ela foi frustrada ou não.
eu só queria uma resposta pro que está acontecendo. prometo não ficar tão mal quanto da última vez. só queria saber se te espero pra dormir ou não.

15 de nov. de 2010

Hey, Mr. Jack



'Is that the trick of your disguise?
Is that the cause of your demise?'


System of a Down - Mr. Jack

11 de abr. de 2010

00:00


'Quando vem o amanhã incerto
E a certeza me faz ver o inverso
Já não tenho o mesmo medo de me repetir
A verdade disso tudo é o que me faz seguir


Não vou mudar em vão
Pra que mentir
Se os dias vem e vão e não me vejo aqui'

O Amanhã - Detonautas

11 de fev. de 2010

em busca da princesinha dentro de mim


Às vezes não é por mal que eu não falo as coisas. Às vezes eu só não sei o que eu quero e quase sempre isso me faz mal. Há alguns anos atrás as decisões tomadas eram tão sim ou não e agora envolvem sempre um talvez... Até para o pão com margarina eu lanço um olhar de talvez e penso que não posso pronunciar tal palavra para algo tão simples... quem sabe seja para o pão com margarina que eu deva falar todos talvez que me derem vontade... viu? Não sei chegar à uma decisão sozinha! Está começando a me irritar.

O pior problema é que constantemente eu exijo dos outros as decisões deles, e às vezes as deles também não estão tomadas e daí eu me perco pensando e quando eu penso invento coisas e passo a tratá-las como verdade nua e crua.

Uma chuva poderia vir e levar para longe todas essas perguntas sem resposta e afirmações infundadas. Não as quero mais perto de mim pois estão tornando as minhas férias um saco e eu sonhei tanto com estas férias (novamente as ilusões) ...

Quem sabe deva passar a acreditar mais em mim ao invés de acreditar nos outros e no que eles falam. Nessas horas ser egoísta por natureza torna-se divertido. Saudade do tempo em que era fria e calculista...




'É sempre essa vontade
De ver o lado errado
Porque a gente nunca se despede de vez?

Você está me querendo
E eu estou me perdendo
E os dois estão devendo
Nessa insensatez

É sempre assim
Conta pra mim
Porque a nossa história nunca tem um fim?'

22 de nov. de 2009

minha casa caiu

Eu sabia que isso ia terminar algum dia e ao decorrer dessa semana eu cheguei a pensar nisso. Eu percebi que já não sentia mais tanto a tua falta e que não pensava mais em ti a todo instante, mesmo que eu tenha pensado em ti, não era como antes.
Eu pensava em como nós haviamos nos afastado, pensava que talvez as tuas palavras tão frias eram sinceras e talvez as minhas, um pouco carinhosas eram um engano, eram apenas uma tentativa que as coisas continuassem bem, embora não estando.

Nesse tempo eu não pensei em te abandonar. Pensei que não estava bem mas nunca cogitei a hipótese de não estar mais junto contigo. Foi um choque. Não que eu já não estivesse preparada mas mesmo assim, meus medos se tornaram reais.

Ontem à noite as coisas foram bem difícies. Querendo ou não, nos últimos sete meses eu sempre pensei em ti antes de dormir e agora, simplesmente do nada eu não posso mais pensar em ti. Não posso porque, se acabou não devo ficar me martirizando e pensando em ti, nada vai mudar pra mim.

Acontece que, de vez em quando me pego pensando em todas as vezes que nos olhamos e que eu pensei que seria pra sempre mesmo sabendo que o pra sempre não existe; penso nas vezes que me dissestes que me amavas olhando no meu olho e eu, boba, te abraçava forte e deitava a cabeça em teu ombro.

Todas as vezes que nos dávamos a mão ou então as que eu descansava a minha sob tua coxa. Relembro exatamente como é a sensação de te apertar com força durante um abraço.
Não entendo como as pessoas podem, de uma hora para outra, apenas não se importarem mais. Eu também não entendo a mim mesma. Em uma hora pensava em mim, desprovida de culpa e sem ti mas agora que realmente não tenho mais a certeza que pensas em mim, perdi o chão.
Fico pensando nas coisas que me dissestes, tão bonitinhas e, penso eu verdadeiras e me pergunto se não pensas também.
Meu medo era esse, era ser obrigada a voltar a fazer as coisas que eu fazia antes de ficarmos, meu medo era o de ser obrigada a te esquecer de novo. Talvez não sejamos feitos um pro outro, talvez não temos tanta sintonia assim e quem sabe seja melhor estarmos afastados, mas eu só quero que saibas que do jeito que me senti contigo, até hoje (nesses anos todos que eu tenho (: [ironia]) nenhum me fez chegar nem perto. Eu acho que os motivos para não te ter mais estão errados, eu queria ter certeza que não deu certo para que assim não me arrependa de novo mas talvez eu tenha idealizado um motivo para que não desse certo e, quando se idealiza é pior.


Queria poder ter uma terceira chance, mesmo não encarando-a como a terceira e sim a continuação da segunda, até porque, para mim ainda não acabou; só espero que não seja que nem a dois anos atrás onde eu também pensei que não havia acabado e acabou.

E se não tiver mais volta mesmo... espero consequir te esquecer de uma vez.



P.S.: Te quero de novo, apenas mais uma vez, apenas por hoje e quem sabe amahã tu me queiras. Poderiamos ficar brincando disso né?




17 de nov. de 2009

só pra enxer lingüiça

Eu sei que a questão não é essa. Eu sei o que esse teu comportamento significa, acima de tudo eu sei o que o meu comportamento significa e é nisso que tenho pensado nos últimos quatro e intermináveis dias. Não digo que aconteceu muita coisa nesse tempo, só digo que serviu para pensar e, agora, sentada no sofá da sala sozinha esperando que a chuva caia, as coisas podem até começar a ter sentido.
A prequiça de preparar um café me impede, momentaneamente de voltar à pensar em ti. Minha trilha sonora voltou a ser Angra. Faziam uns três meses que eu só escutava Led Zeppelin. Ainda não sei o que isso quer dizer mas eu sei que diz, até porque as músicas que eu escuto sempre revelam uma parte que eu nem sabia que eu sentia.
É fácil dizer para deixar para lá e até que estou sendo bem sucedida dentre as possibilidades. Como sempre quero saber como está sendo para ti mas eu acho que tenho medo sabe? Prefiro não saber muito pra não me desapontar e, no final, a intenção é sempre essa... não me desapontar, não me magoar.
Quem sabe eu tenha cansado das coisas boas e queira me aventurar um pouco mais no que eu não conheço, o que seria normal pra mim mas, pra variar eu estou com medo do que esse novo é e mais medo ainda do que ele pode me trazer como conseqüência.

Agora não me reconheço mais, não sei mais do que eu sou capaz e não sei mais meus limites e isso complica um pouco as coisas mas eu também não sou retardada para ir fazendo as coisas sem pensar. Me cansei, não sei e adorei :)

6 de nov. de 2009

necessidade


Não vou mais fugir, não vou mais ter medo. Quero provar que consigo. Constantemente as coisas andam fugindo do meu controle e eu até gosto assim, me adaptei até, me acostumei a idolatrar cada segundo que te toco, passei a admirar teus olhos cada vez mais fundo, a te beijar mais ternamente. Confesso que ainda sou um desastre como eterna romântica mas estou tentando.
Sinto tua pele como uma extensão da minha, sinto vontade de manter contato 24hrs, quero usar e abusar, quero saborear cada beijo, suspirar a cada toque em meu rosto e sentir tuas mãos deslizando pelas minhas pernas.
Na minha cama, já existe um espaço reservado para o teu corpo descansar; preciso tanto te ter...
Quero tanto que até esqueço das outras coisas, sonho tanto que acho até que já virou realidade.

Que mal faria um filmezinho em uma tarde chuvosa? Aqueles que as gurias choram e os guris as consolam? Ou ainda aqueles de terror que as gurias sentem medo e os guris estão lá para protegê-las, rindo? Quero isso, quero o dia-a-dia; te quero todo o dia.

2 de nov. de 2009

um amor de verão


É só essa vontade de chorar. Vontade de me livrar de tudo que me prende, de tudo que eu não gosto e sou obrigada e agüentar, sem nem saber porque. É uma vontade tão grande jogar tudo pro alto e fazer o que der na telha, é uma vontade de viver um amor de cinema, de lutar cegamente por um objetivo e de tentar fazer a coisa certa. É uma vontade de não desapontar os outros e à mim mesma. Algo incontrolável que existe em mim que sempre tenta fazer pelo não-comunicável e não consegue. Eu não aprendo mesmo.
Eu tenho medo de perder as coisas que eu quero e que eu amo apenas por medo de conversar mas eu não sei por onde começar. Estou completamente perdida.
Esse aperto no peito está encomodando e nem chorando com força passa. Já contei várias noites de travesseiros molhados, de promessas quebradas e de insônia.

Queria que chorando passasse; queria que me consolaste; queria um amor pra toda vida.