23 de fev. de 2015

encontrando uma forma de viver sem fugir tanto...

Fiquei muito tempo pensando no que escreveria quando chegasse ao ponto de abrir essa tela com esse espaço em branco, e acredito que ainda não saiba muito bem o que sentir dados os acontecimentos. Essas férias foram bem pesadas emocionalmente e acho que desejo voltar a correria do dia a dia, pois tenho medo de ficar parada na cidade. Lembro de quando tive 3 meses em casa, sem planejar nada, sem esperar nada. Quero que a vida siga seu rumo, que venha cheia de agitações, quero tomar decisões. Quero que mais um semestre vá para conta, mas também tenho medo de quando o próximo não existir.

Sábado eu senti que tudo está próximo demais e encarei a realidade de que amigos próximos não estarão mais ao meu lado nos semestres que se seguirem. Da mesma forma que estou feliz, também estou triste e incomodada pelas decisões que as pessoas à minha volta tomam. Semana que vem posso abraçar mais uma vez um amigo querido que retorna de uma viagem longa e que estará em um momento sensível, ficará poucos dias, pois já vai embora para seus próximos semestres.

Uma irmã retorna a cidade, outra não gosta da escola nova, outro retorna e outra só retorna quando outra vai embora. Idas e vindas. Talvez por ter sido obrigada, desde 2006, a enxergar que o estar perto não é físico, hoje eu lide um pouco melhor com as chegadas e partidas que a Maria Rita tanto canta.

Entretanto partir fora do tempo e sem a devida necessidade me atormenta. Nos últimos anos assisto a ausências fortes e antecipadas e a cada vez que devo prestar meus pêsames, deixo de acreditar um pouco na vida e isso me traz uma desolação muito grande. Aos invés de deixar esse sentimento vir a tona eu o guardo para quando estiver sozinha e daí rezo soluçando. Essa foi a solução que aprendi em 2006 e a qual, por enquanto, vinha funcionando. Talvez ela já não seja a saída apropriada e eu deva vasculhar dentro de mim algo um pouco melhor. A verdade é que experimentar altos e baixos em um dia ou uma semana não é a melhor ação para mim pois sei que os baixos acabam indo muito ao fundo, até as minhas entranhas e, ao subirem, trazem a tona uma leva de sentimentos brutos que, na superfície, já se transformaram. E a confusão se instaura.

A estrada para o auto conhecimento tem sido longa e muito dolorosa e só agora, com mais de 2 anos de terapia semanal, consigo dizer que mudei para melhor. Controlo muito mais o que digo e, quando sei o que quero, consigo me expressar com exatidão. Quem muda, muda o mundo a sua volta e é nesse sentido que gostaria de compartilhar os frutos da minha terapia com aqueles que amo. Acredito que todos nós devemos visitar regularmente um psicólogo, não para que ele nos diga o que fazer, mas para que consigamos ter sangue frio para controlar nossas emoções até decidirmos o que fazer.

Ao todo, completo quase 4 anos de acompanhamento psicológico e pretendo continuar, não porque dependo disso, mas porque é o momento da minha semana no qual coloco a mão na consciência de verdade. No período em que acreditei que conseguia sozinha, andei em círculos. Quando entro naquela sala, não são emoções que tomam conta, pelo contrário, são divagações, às vezes monólogos nos quais percebo que por conta de uma única palavra, estava agindo errado. Ao falar em voz alta enxergo o que tenho capacidade para enxergar. Ainda não sou forte como desejo mas cada passo é comemorado vigorosamente.

Admitir que precisamos de ajuda é o passo mais importante e devemos confiar em alguém mais forte para nos fornecer as iluminações necessárias para que sigamos sempre em movimento, capazes de compreender as diferentes óticas que outras pessoas possuem.

Eu quero que a vida seja otimista e colorida, que flua com o máximo de acontecimentos bons possíveis e quero ser capaz de tocar a vida de todos com quem me importo. Cada um segue sua estrada individual mas ao encontrarmos encruzilhadas, encontramos também pessoas que tem o gentil gesto de compartilhar sua estrada conosco, por um intervalo de tempo. Podemos pegar carona na estrada alheia, podemos forçar com que elas se encontrem novamente, mesmo que antes do tempo, ou podemos seguir tendo nossas próprias escolhas, rezando para que estas pessoas também decidam por si só e que, por algum acaso, coincidência, destino ou influência Divina, nos encontremos novamente. Até lá, são tantas as opções que só podemos e conseguimos pensar nas ações que tornarão nossa trilha bonita e, desde que esta seja nossa justificativa, tudo está justificado.

Eu? Eu acredito na ação e na reação. Quanto mais bonitos formos, mais encruzilhadas com pessoas bonitas teremos. Por isso eu rezo para os quais desejo encontrar novamente, para que tomem decisões bonitas também e que me encham de orgulho.


"You'll be on my mind
Don't give yourself away
To the weight of love"
Weight of Love - The Black Keys

22 de jan. de 2015

sobre as pequenices da vida

É incrível como nos acostumamos com algumas situações. Desde a falta da poltrona que mais parecia soca-soca até a falta de alguém. Momentos em que apenas saber se a pessoa está viva e bem contrastam com os do passado, quando se sabia ou se previa cada pensamento.
A pessoa que mais tive medo de que acontecesse algo de ruim ou falecesse e eu não soubesse ou estivesse longe, hoje está no show do Foo Fighters. Eu não viajei pra ver ele, não fui na sua formatura e nem ele na minha - e eu senti muito a falta dele. São momentos como esse em que penso que esse era o combinado, cada um ir até metade do caminho e ter lembranças únicas, como aquelas daquele hotel.

Até ano retrasado as nossas conversas me lembravam aquelas pessoas que éramos quando nos relacionamos e espero que tenhas sentido todo meu apoio. Sei que hoje talvez não nos identifiquemos com metade do que fizemos e, principalmente, sei que muito do que fiz foi bobo. Simplesmente eu não era madura o suficiente.
O que sentimos foi de verdade e até hoje eu guardo os desabafos e conselhos que aquelas madrugadas nos deram; sempre te desejo o melhor pra tua vida. Vejo tuas fotos e penso que boba eu fui! Aquele sorriso ainda é o mesmo e as poucas vezes que escutei a tua voz foram suficientes pra gravá-la em mim. Só penso na tua cara vendo o Dave Grohl.

Só tenho a te agradecer, ursinho na pele de carneiro; Espero que tu saibas o quanto aquele ano foi importante e que sempre estarás guardado, principalmente como o grande amigo que fostes. Hoje as conversas são bem (beeeem) menos frequentes mas sempre que acontecem me trazem conforto e paz. Fico muito feliz de ver teu sucesso e sei o quanto batalhastes. 

Tudo que passamos, principalmente com todas pessoas que nos relacionamos, marcam. Não acho errado lembrá-las; acho errado esquecê-las e principalmente manipular o que efetivamente sentimos para ter lembranças só boas ou só ruins. Se o relacionamento chegou a um momento de desgaste foi devido a algumas decisões equivocadas e reconhecê-las nos faz evoluir.

Não sei finalizar nada, muito menos textos, por isso escolhi uma imagem por que afinal, todo texto precisa de uma imagem.



19 de jan. de 2015

A Ilha


"Eu sei, que existe uma ilha
Onde o homem nunca lá pisou
Não há, nem pegadas ou trilhas
Só uma onda que abria, abria, abria, abria

Vou guardar você em segredo
Vou sentir quando eu partir
Mas te trago na lembrança
Quando o céu me ver sorrir

Eu sei, que existe uma ilha
Onde o homem nunca lá pisou
Quando a chuva vem, refresca e partia
è terrau todo dia, dia, dia, dia

Eu sei, que existe uma ilha
Onde o homem nunca lá pisou
Eu sei que até parece ironia
Mas ela vai se só minha, minha, minha, minha

Vou guardar você em segredo
Vou sentir quando eu partir
Mas te trago na lembrança
Quando o céu me ver sorrir

Vou guardar você em segredo
Vou sentir quando eu partir
Mas te trago na lembrança
Quando o céu me ver sorrir

Eu sei que existe uma ilha
Onde homem nunca lá pisou
Eu sei que, até parece ironia
Mas ela vai ser só minha, minha, minha

Eu sei que existe uma ilha
Onde homem nunca lá pisou
Eu sei que, até parece ironia
Mas ela vai ser só minha, minha, minha

Eu sei que, até parece ironia
Mas ela vai ser só minha, minha, minha, por um dia"

11 de jan. de 2015

sobre a antiga rotina

Peguei minha bicicleta e fiz o caminho mais natural possível: em direção a praia. Antes parei na casa de um amigo, que já nem mora aqui; queria falar com seus pais. Depois de uma hora de conversa, voltei ao meu caminho.

A casa dele tem a grama mais alta que a rua, o que sempre dá um certo embalo ao início da pedalada. Por 6 anos sempre tomei o rumo sul. Dobrei na entrada para a praia e já enxergava novamente o mar. Mais cedo, havia tomado o primeiro banho do ano e agradecido a tudo que já me aconteceu. Pedalei por um tempo, até que o nordestão me fez parar. Então larguei a bicicleta próxima e encontrei uma duna para sentar.

Pela posição do sol deviam ser umas 19:30h passada. As pessoas já estavam indo embora e um certo frescor pairava. Entre todas músicas altas e barulhos de carro, eu ainda conseguia escutar o barulho do mar e em menos de dois minutos, já estava arrepiada e com o olho cheio d'água. Dizem que esta reação tem sido muito recorrente.

Lembrei que da última vez que passei na casa do amigo e segui para a praia antes de ir para casa, ao me deparar com a imensidão do mar, pedi com todas as forças para que conseguisse a minha vaga para a Oceano. Aqui estou eu, indo pro 3º ano e cada vez mais maravilhada com tudo que aprendo. E nesse clima, segui observando com olhos de cientista-júnior a natureza a minha volta.

Agora a praia já estava quase vazia, com alguns resistentes que desejariam ver o pôr-do-sol. Lembrei das vezes que me senti incomodada pela quantidade de pessoas disputando seu lugar na areia. Lembrei de como fui mimada, tendo durante o ano inteiro uma praia com 250 km de extensão. Lembrei dos invernos de menos de 10ºC, onde mal se ensaiava um sol, e nós já estávamos mateando na praia.

Me fiz muitos questionamentos de diversas áreas e a única resposta que obtive foi: porque amo. Me entristece como quantos amigos partem sem necessariamente pensar em voltar. O ponto maior que penso é: se uma amizade prevalece até no outro lado do mundo, porque não?

Na sexta-feira estava certa que terminaria meu atual livro neste fim de semana e acabei conseguindo ler exatas meia página. Ali, na praia, o livro estava dentro da bolsa, mas me sentia boba por ignorar tudo ao meu redor. Este sempre foi o meu problema, eu queria a totalidade, não o específico.

Não me importo se as coisas não saem como planejei, o que me entristece e chateia é que tenham 'dado errado'. Em momentos onde os pensamentos bons são menos recorrentes do que os maus, acredito que seja 'dar errado'. Principalmente quando se trata de relacionamentos. E tenho dificuldades em aceitar e acabo cometendo erros por crer que a história só acaba quando 'dá certo'.
Algumas coisas tem que dar errado e permanecer erradas, por um tempo. Tipo eu. Eu dei errado e permaneci algum tempo errada. Vejo que, em momentos de isolamento, as coisas encontram o equilíbrio.

Agora, devo ser errada, egoísta e manipuladora para que desta forma os erros parem de ser cometidos. 'Se não pode vencê-los, una-se a eles' e, infelizmente vejo que este poderá ser o caminho. Sob perspectivas diferentes, devo ter sido todas essas coisas e, se de fato é isso que pensam de mim, devo aceitar. Não há nada que possa fazer. Tentei mostrar que tive meus motivos, tentei mostrar que minhas intenções foram boas.

Não tem sido fácil aceitar e existe um caminho tortuoso a frente - bem diferente da praia a perder de vista na qual estou acostumada. Como falei algumas horas mais cedo, a gente deve passar por fases difíceis para que, com o tempo, as feridas cicatrizem e só fiquem as lembranças boas. E como dizia a minha avó, água salgada cura!

"Acordar cedo
Sentir a energia salgada do vento 
E a doce brisa do mar 

Acordar cedo 
E dar uma sacada na bóia no tempo 
Será que vai rolar

Acordar cedo 
Fazer pela vida fazer por mim mesmo 
Eu hei de conquistar 

Acordar cedo 
Seguir pela trilha da onda da vida 
Rezar pra Iemanjá"

2 de jan. de 2015

da dificuldade de definir sentimentos

A verdade é que eu nunca me importei com o que os outros pensavam de mim. Essa atitude já foi um acerto e um erro. Me enxergo muito inocente. Não acredito que as pessoas sejam essencialmente más e que tenham intenções ruins. Eu sei que este lado existe, principalmente o vejo em mim, às vezes. O que não entendo é como esse lado domina ao longo do tempo.

A medida que vamos crescendo, encaramos situações que nos moldam. A escolha entre acreditar ou não nas pessoas, nos dirá se quebraremos a cara ou não. Eu, sempre escolho acreditar. Fui moldada sob essa perspectiva. Por escolher acreditar, necessito ajudar e causar reflexão no outro (e vice-versa). Sei que meus princípios não são os certos para todos, mas julgo ter sido criada por pessoas justas e amorosas e procuro no outro, alguém com quem se possa refletir nossos atos para corrigi-los. O que eu não aprendi é como não ser arrastada pela reflexão do outro. Penso que tenho melhorado um pouco, mas ainda estou longe do correto.

Acredito que o mal pode dominar por períodos e acredito que sozinhos, não vamos a lugar algum, apenas para baixo. Ninguém é uma ilha. Todos somos parte de uma rede e acabamos afetados pelas atitudes e pensamentos alheios e, por causa disso, desenvolvemos estratégias de convívio.
Saber se relacionar é uma arte, e aprendi isso da forma mais dolorida possível. Não sei como não guardei rancor e não sei como pude alimentar a parte ruim de mim por tantos anos. Resolvi amar todos e acreditar no bem em todos. Não quero ver apenas o lado ruim e mau. Escolho guardar boas lembranças e sentimentos sobre os que já entraram na minha vida. Sei que cada presença é passageira, uns por mais tempo e uns por menos. Acredito que todos contribuem em algum aspecto para a nossa evolução.

Por isso, sempre levei em consideração as ações e não as palavras. Principalmente, a razão psicológica para os atos. A verdade é que nem sempre sabemos como absorvemos internamente as coisas. Muitas vezes pensamos que temos determinada atitude devido a tal acontecimento importante que nos marcou mas, ao analisarmos, percebemos que a atitude é devido a outros tantos acontecimentos pequenos, mas insistentes. A gente nunca sabe o que efetivamente vai nos moldar, até que já repetimos o padrão tantas vezes que quebrá-lo se torna um exercício de contínuo foco. Foco. Palavra mais repetida pelo meu pai em toda sua vida, eu acho.

Eu, por ter acreditado nas pessoas, quebrei a cara e não soube me recuperar. Encarei o lado negativo da vida, me isolei e constatei que o meu fundo do poço – naquele momento – havia chegado. Não há lugar para ir, a não ser para cima. A grande questão é que o comportamento antigo já se consolidou. O que fazer? Procurar ajuda. Em si ou nos outros? Ambos. O antigo sempre buscará se sobrepujar ao novo e te puxará aos velhos hábitos, que morrem devagar. Mas morrem!

Seguir encarando a vida com olhos preto e branco era uma das coisas que me faziam mal. Fui descobrindo as cores e, aos poucos, acreditando mais nas pessoas. Fui puxada para o fundo do poço novamente. E sigo sendo. Mas a cada escalada, percebo que chego mais longe e fica cada vez mais difícil o ruim alcançar – embora eventualmente, ele chegará.

E aí que chegamos onde eu queria começar o texto! O ano de 2014. Me senti puxada para o meu buraco apenas duas vezes este ano. Penso que finalmente quebrei um ciclo, que eu julgo ser o principal motivador da autodestruição que eu tanto luto contra. E um ciclo extremamente importante. Colocar fim em uma montanha russa de alegrias e tristezas que durou oito anos inteiros significa muito. E talvez eu não tenha perdido a minha essência – acreditar – e tenha amadurecido um pouco quando se trata de saber deixar o problema de cada um com seu respectivo. Não se pode abraçar o mundo.

E então, cheguei a segunda vez que fui atirada no buraco. Esta, inesperada e sob muita luta. O que senti durante agosto/setembro foi desespero. Eu vi potencial, acreditei, me esforcei, lutei, amei e pra que? Concluí que, realmente não posso forçar a minha entrada onde não quero ser recebida. Não devo procurar ajudar quem não quer ser ajudado (inclusive a lição que eu achava que já tinha aprendido). Não posso contribuir e carregar fardos cujos donos não querem ser questionados pois acreditam que apenas seu jeito é o certo.

Aceitar foi a parte dolorosa. Perceber que havia entrado no meu modo autodestruidor a partir do momento em que me permitia continuar nutrindo esperanças de que o reslumbre de bom que havia visto ao longo dos atos, na verdade, era ofuscado sob pilhas de julgamento e opiniões solidificadas sem um mísero de questionamento, foi a minha ruína. Desistir significava que eu errara e não havia cumprido com o meu papel.

Aqui, acho desnecessário falar sobre o lado bom de nós. Ele foi grande para caber nessa pseudo retrospectiva-reflexão. Creio que o meu erro tenha sido justamente esse: avaliar com diferentes pesos os lados bom e ruim da relação, sempre considerando mais o lado bom.

Mesmo que para mim o fim tenha começado antes mesmo de termos terminado, demorei dois meses para perceber que eu deveria ter forças para lidar com o aprendizado escrachado nos meses anteriores, senão, tudo que havia sofrido anteriormente, teria sido inútil. E sob a lembrança do meu buraco anterior e já bem conhecido, engoli meus sentimentos bons e procurava expulsar os ruins e fazer com que eles se tornassem evidentes e insuportáveis. Não foi só ele quem concluiu que, de fato, somos muito diferentes. Mas eu também tive que concluir que não somos complementares.

O problema foi que, no caminho, lidei com emoções fortes. Tive sentimentos ruins sendo empurrados pelos poros em direção às trevas que se formavam ao meu redor, sentimentos que estavam guardados há muitos anos. Acabei acelerando o processo de autodestruição, que já vinha em curso. Gerei contradição (de ambas partes), lembrei de situações que dava por esquecidas e fiz coisas que julgo erradas. Percebi uma alimentação negativa, o julgamento dele se unia ao meu. Sabia que fazia errado mas não sabia outra forma de arrancar um sentimento tão forte que residia em mim, pronto para ser retribuído e então, pisado. Eu ouvia seu julgamento e me importava!

E foi assim que o outubro chegou. O que eu anteriormente havia levado anos para transformar em uma situação insustentável, consegui – e não me orgulho – transformar em aproximadamente um mês. E doeu tanto! Tinha nojo do que me tornei, e assim, aparentemente sem mais nem menos, eu dei fim. Ironicamente, o fiz com um beijo e sob extremo desejo. De repente, tudo que eu sentia não estava mais lá.

A medida que fui liberando meus pensamentos e culpas, resgatei um sentimento que eu ignorava. O que poderia ser bom, estava enterrado sob camadas e camadas de medos e incertezas. Acho importante esclarecer que, para retirar o máximo de sentimentos bons que eu carregava da pessoa que havia me entregado novamente o direito de ser feliz acompanhada, eu mudei e acredito que jamais serei a mesma. Eis que, aparentemente sem cerimônia e sem sofrimento, eu segui em frente. Aos trancos e barrancos.

O mais irônico de tudo é que eu não teria tomado atitude alguma se não fosse por ti, pelo teu jeito de não se deixar levar pelo sentimento. A verdade é que eu não teria esperado mais uma semana. Eu já não estava ali. Pelo menos não da forma como nós havíamos existido. Por alguns instantes virei um fantasma do que eu era e acabei nos transformando em fantasmas também. Por isso, te peço perdão. Ter sido forçada a atos tão drásticos me fez refletir e perceber o momento em que meu mecanismo de autodestruição é atiçado. Eu só tive boas intenções e atualmente, só desejo teu bem – seja ele qual for e sob qualquer tua atitude, mesmo que ocasionalmente eu vire apenas um número (5).

Eu não sei se aceitei o teu jeito de ser. Ainda é muito complicado. Mas eu respeito. Talvez sob tuas mesmas vivências eu também reagiria dessa forma ( e vice versa). O fato é: continuaria sem dar certo por mais tempo.

E então, sob tempestades e trovões, dei um passo que não teria como ser retirado. Eu tinha duas opções, continuar ou abandonar. Da forma como eu estava, provavelmente teria escolhido a segunda opção. Provavelmente teria caído na tua manipulação de me manter à volta, sendo tua e indo contra meu próprio julgamento. Mas porque existe um amigo merecedor envolvido, eu continuei. E agradeço todos os dias.

Encarei muitos momentos de dualidade e momentos onde o que queria era me isolar. Com sorte as provas e o foco me mantiveram fora do buraco. E assim, evitei grandes destruições. Neste momento, lutava contra o intuito natural de esquecer do meu próprio sofrimento e focar nos danos que minhas ações causavam, ou simplesmente aprender a me fortalecer, tentando unir os aprendizados novos à minha essência.

Levo de 2014 a certeza de que coloquei à minha frente inúmeras pessoas e sentimentos, alguns bons e alguns ruins. Ainda aprendo com todos. Fiz amigos, dei muitas risadas, sofri bastante. O importante foi só ter caído no buraco duas vezes. Os dois, valeram muito a pena. Inicio 2015 com a presença da família e com paz no coração. Vejo harmonia e fico maravilhada com a evolução dos sentimentos, afinal, para tudo deve haver o equilíbrio. Ainda devo aprender a lidar com o sentimento de impotência criado por ter desistido de ajudar uma pessoa querida, entretanto devo saber respeitar meu próprio limite. Aproveitei 2014 até as últimas forças.

E que venha 2015!

14 de dez. de 2014

ciclos

É tanta coisa! A se fazer, a aprender, a processar! Quando acredito que virá a calma... não.
Estou dispersa, analisando cada atitude. Não consegui processar nada do que aconteceu na última semana. Sabia que seria assim, afinal encaro duas semanas sem fim de semana, de trabalho contínuo. Não sei mais o que é dormir tranquila e as olheiras no meu rosto só aumentam. Não faço questão de escondê-las.

Hoje eu pensei que seria uma destas noites onde tudo se acalma, tu tens amigos banhados por cerveja e risadas. Tolinha!
Ao baixar a guarda, fui testada sobre o que venho me tratando há, pelo menos, 7 meses. Qual o equilíbrio certo, localizado bem no meio do caminho entre ser disponível, ajudar, e ser disponível demais, alimentar uma dependência destrutiva?
A verdade é que eu gosto de passar a mão na cabeça das pessoas porque me sinto útil. O livro que leio fala sobre esse comportamento. Mais uma coisa para mudar!
E não interessa se a bebisse já bate à cabeça, a vida acontece no presente e os problemas não param de vir. Eu ajudei, eu fui disponível. E agora?


Os próximos 3 dias são determinantes e quando olho ao redor, só vejo confusão e teias de relações complexas. Daí eu sinto falta de outras pessoas. De amigos distantes, de quem eu não sei conversar, de momentos de paz e que fugiram por entre as minhas mãos e não se propagaram.
Eu sei que tudo vai ficar bem, para todos nós. Estamos nos últimos suspiros do semestre, só preciso aguentar por mais 4 dias e então, tudo será modificado.
Talvez eu tenha tempo de lidar com os outros aspectos que vem se arrastado e rastejado no chão lamoso, apenas para continuar acompanhando a forma rápida com que o fim de ano vem acontecendo.

Eu já tenho 21 anos e ainda moro com meus pais. Não tenho namorado nem filhos. Mal tenho uma gata, que suspeito se gosta de mim.
O que eu tenho é um afilhado que me admira, no auge dos seus 4 anos e, ontem, enquanto brincava de jogar bola, imaginava levá-lo a Cabo Polônio (UY). Meu momento de paz em um futuro um tanto longe. Agora, me contento em fazê-lo dormir, pensando no dia em que ele achará bobo que eu queira colocá-lo na cama.

Mais um ano... mais conquistas e mais batalhas, principalmente internas e que eu sei... estão só começando.

8 de dez. de 2014

sobre os 5 dias que faltam


A quinta-feira começou feliz, com um dia bonito e super produtiva e foi piorando exponencialmente até que não conseguia fazer nada do que queria e acabei indo viajar brigada com Deus e o mundo, cansada, triste e meio desorganizada, carregando no corpo apenas o essencial. Na sexta de manhã foi muito complicado largar Rio Grande e entrar de cabeça naquela montoeira de informações que eram despejadas nos alunos ao longo dos 5 pontos de parada do dia. Quando chegamos ao pier de Cidreira, naquele semi pôr-do-sol praticamente mar adentro, percebi que eu já não me importava com o futuro emocional e sim, tinha certeza de que estava buscando a profissão (e junto os valores) corretos. À noite eu já não lembrava que havia deixado a tristeza pra trás.

O sábado foi ansioso pela noite, foi lindo, responsável e curioso porque descobri sentimentos aqui dentro. O domingo aconteceu quente e na corrida contra o tempo para a entrega do relatório e, quando o entreguei foi só comemoração. Até que cheguei à óbvia verdade de que estava voltando pra casa, já era noite e eu continuava levemente bêbada. O sentimento que tive ao chegar no Cassino foi o mesmo que tive hoje ao chegar na FURG pela tarde, não sabia como deveria me sentir.

Passei os últimos 3 dias em um estado de felicidade que há muito tempo não vivenciava e finalmente me sentia bem e de acordo com a minha vida. Voltar a realidade está um tanto estressante. Quero continuar sentindo a felicidade que senti mas ainda não desapeguei ou absorvi o que vivi. Não sei como deveria executar o tão falado desligamento e talvez não exista método correto. Eu nunca soube, pelo menos, apenas vou vivendo e aprendendo que 'o que não tem remédio, remediado está'. Sabedoria da minha mãe.

Dói muito ver o sofrimento alheio enquanto eu me sinto cheia de alegria. Dói mais ainda saber que, depois desse tempo de convivência, eu passo a impressão de ser uma pessoa confusa e triste, sem rumo na vida. Não sei como isso aconteceu, mas hoje penso que talvez eu tenha sido um espelho, que refletiu as características de quem se olhava nele.

Sobre as ações que tenho observado, prefiro não pensar. Não por que irei guardar e ser consumida por, mas por que prefiro lembrar dos momentos bons e dos aprendizados que tive e não guardar rancor de quem um dia já me fez tão bem.

A verdade é que as oportunidades passam. Algumas, retornam a nós, entretanto ocorrem pela nossa própria vontade e luta. A cada novo cenário tomamos decisões únicas que nos moldam pela forma com que enfrentamos as consequências e que acabam nos guiando para a próxima decisão a ser tomada. Não podemos esquecer que decidir em tempo hábil é o ponto chave para aproveitar a oportunidade ao máximo.

Me orgulho em dizer que nenhuma atitude drástica que tomei até hoje foi sem luta e sem avaliação. Quem sabe ter olhado a evolução da planície costeira me fez perceber que podemos ter fases de acresção e erosão também, mas que isso faz parte de um ciclo.

Sexta pela manhã acredito que tenha chegado no máximo da minha fase de erosão, a ponto de quase entrar em prantos no meio da Laguna dos Patos. Lembro de outra fase, ainda neste ano, em que a vida voltou a ter cores a partir das 17h de um dia de verão pré-carnaval e pós prova de exame. Viajar é sempre acrescivo e desta vez é o marco do início de um novo ciclo.

O meu problema é me deixar afetar pelos extremos. Penso com o coração e para realmente aprender a lutar apenas nos momentos certos, percebo que devo alterar este comportamento. Espero que a vida continue me surpreendendo com novos ambientes que causem reflexões. Que saiba enxergar o momento no qual posso aproveitar novas experiências e nos quais teria a oportunidade de corrigir os assuntos mal resolvidos.

Talvez agora, a 5 dias dos 21 anos eu esteja criando coragem para unir as duas situações acima. Finalmente me sinto preparada para embarcar em uma nova aventura antiga. Sinto muito medo e vários frios na barriga mas, o que seria da vida sem a incerteza do futuro? Continuo sendo fiel a minha forma de pensar e, desta vez, dando voz ao que o cérebro e o coração concordaram em fazer.

Minha resolução de aniversário será sempre ser fiel a minha avaliação.

Píer de Cidreira - RS. 06/12/2014.