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6 de out. de 2015

clássico

Saí de casa sem saber se tinha feito certo. Pensei que seria melhor se distrair, atender aos compromissos e renovar os ares afinal o quarto precisa ser arrumado e este não é o momento. Assim como não é o momento para estar aqui escrevendo.
Cheguei novamente em casa com um sentimento de esgotamento, como se tudo tivesse sido trazido à tona, todo aquele cansaço que eu estava ignorando e justificando mentalmente "só até amanhã" havia encontrado sua voz e gritava pra mim.
Foi então que procurei uma leitura encorajadora e encontrei apenas migalhas. Ecos do que já foi, palavras que pareciam olhares descontentes e sisudos. Procurei, e como procurei... só encontrei mágoa, questionamentos ruins, pessoas gritando não. 

Não teria mesmo como dar certo... 
pelo menos até amanhã.

"you'll be on my mind, don't give yourself away..." (TBK)

25 de jun. de 2014

subcity

to há horas pra voltar aqui. já abri essa janela várias vezes e, no entanto, continuo deixando ela em branco por um tempo, me distraindo com qualquer outra coisa idiota e fechando-a, porque afinal de contas está tarde e amanhã tem mais tarefas.
procrastinação. falta de foco. colocar outras coisas na frente das que realmente importam, falta de prioridade. como eu agora, com fome e matando aula pra supostamente fazer um seminário. voltei aqui.

essa minha habilidade de fazer tudo ao contrário do planejado me surpreende e quem sabe seja uma das coisas que eu gosto, afinal nenhum dia é igual ao outro e eu nem preciso ser alcoolista para que isso aconteça.


hoje chovia, minha doença crescia, o cachorro maldito iria pular em mim no minuto que saísse de casa assim como faz todos os dias e as aulas não seriam tão interessantes. o problema são as pessoas. as conversas de ontem me mostraram isso e mesmo ontem eu já pensava em não ir a aula hoje.
é culpa dessa dor de cabeça, da tensão que se acumula na mandíbula e eu nem sei porque. é culpa da chuva e dos meus desinteresses. não sei porque alguém pensaria em sair de casa no dia de hoje.
esse é o meu mal, quanto mais fico em casa, mais quero ficar, ciclo vicioso e que só me traz pensamentos ruins. acho que é por isso que quis voltar aqui. felizmente este momento não durará muito porque hoje já é quarta e logo chega o fim de semana e eu realmente não tenho me importando de estar no mesmo lugar que toda aquela gente vazia, porque eu importo e eu sei que não sou vazia. é melhor do que ficar aqui, jogada, olhando pras paredes e pensando coisas que não devo.
se é possível, estou pensando menos ainda. os 6 primeiros meses do ano se resumiram a menos e ando bem satisfeita. inclusive menos postagens, menos vozes na minha cabeça e menos estresse.

a chuva parou, a gaita ainda toca no player e a palavra estresse me lembra estresse oxidativo, assunto do meu seminário, aquele que matei aula para terminar.
até um outro dia.

5 de jun. de 2012

Café nos dias de frio.


- Eu sei que tu sempre achaste que poderia fazer tudo, só que agora chegou o momento da verdade. O momento em que todos têm que fazer a sua escolha e focar. – disse a voz arrastada.

Ali no chão da sala, em mais um dia lindo e ensolarado de frio, existia uma guria que não queria ser só uma física ou só uma pseudo escritora, ou só uma oceanógrafa.
Quando era criança, diziam que as pessoas poderiam ser tudo que quisessem, desde que sonhassem. É claro que não é verdade, assim como não existem príncipes encantados.
- A questão é: Porque que falam isso? – falei, irritada. - Certamente não vou falar isso para os meus filhos.
- Ao que tudo indica, nós precisamos de algum momento na vida em que realmente acreditemos, com todas nossas forças, que podemos mudar o mundo. – a voz me respondeu.
- É, pra que exista, em cinco gerações, alguém que consiga mudar o mundo.

Depois de um tempo eu deixei ele ‘sair de mim’. Deixei-o sentar no sofá e me encarar.
- Me fala, Dylan, como tu conseguiu mudar o mundo?
Obviamente não tive resposta. Ele ficou ali sentado usando seu chapéu que escondia seu rosto, longe do sol.

- Não tais com frio? – perguntei. O silencio estava me inquietando, não havia chamado-o para que ficasse quieto.
- Não, mas tu podias fazer um café pra gente. Podíamos ir pra cozinha, sentar em cadeiras. Tens que saber também que não é tu que me chamas, metida. -  Dylan falou calmamente, de forma simpática até.
- Não quero café e nem cadeiras. Quero chimarrão e sol, a cozinha é triste. Preciso descobrir que caminho eu quero seguir, podias me ajudar. Eu gosto de ti, agora.

- Por quê? – depois de um tempo ele finalmente sussurrou. – Porque tu subitamente começaste a gostar de mim e porque tens que descobrir um caminho... Existe uma coisa chamada hobby.
- Eu sei e sempre achei que poderia ser uma física que escreve, mas estou vendo que não vai adiantar. Não dá pra escrever bem e pouco. Todos os escritores que eu admiro escrevem páginas por dia. Eu calculo páginas por dia. Pra mim é mais natural resolver integrais e fazer gráficos do que montar frases e fazer um texto sobre a economia do mundo, por exemplo.
- Mas todos os escritores que tu admira escrevem páginas pra que uma frase valha a pena o esforço. A maneira objetiva de pensar é escrever páginas. A tua maneira é só diferente.
- E ineficaz, ruim.

- Então porque tu tens medo de te entregar à escrita?
- Porque eu não gosto do que ela me traz. Prefiro calcular.
- Tu te importas demais, com tudo. – falou Dylan, pausadamente. - Preciso de um café.
- É só colocar água na chaleira, se é que já não tem. Me deixa aqui.
- Em qualquer profissão tu vai precisar escrever, a diferença é se tu quer que escrever seja a tua profissão ou apenas faça parte dela. É uma decisão simples, assim como levantar e ir fazer um café pro melhor compositor já vivo.
Hoje ele estava, surpreendentemente simpático. Sorri bobamente.
- Tu sabias que eu adquiri toda tua discografia? – perguntei, sabendo que ele sabia que sim.
- Mas claro.
- E o que tu sentiste disso?
- Nada. Espero que tu saibas que milhões de pessoas no mundo têm a minha discografia. Milhões de pessoas no mundo fantasiam comigo e milhões irão fantasiar.
- Então é isso? É só admitir que tu é O cara?

- Mas claro que não. Eu ainda acho que não sei escrever. Eu ainda me pergunto por que as pessoas prestam atenção no que eu faço e meus ídolos ainda estão anos-luz a minha frente.

Chega a ser idiota. A gente sempre vai achar que não é muito bom. Independente da carreira que eu escolher. 

- E o café? – Dylan sorriu maliciosamente. Não respondi, só olhei pra ele. – Me responde, porque mesmo que o sol fique atrapalhando a tua visão, tu mesmo assim ficas sentada na mesma posição?
- Porque eu to com frio.
- Então, tu continuas aí por uma causa maior. – ele suspirou, impaciente.
- Tá, e ai? Mesmo sendo uma causa maior meu pé ainda tá gelado.
- É, mas tu não entendeste a metáfora, tais precisando de um café. – e sorriu com sua boquinha pequena.

Parei por uns instantes, observando as alpargatas já gastas. Dylan cruzou as pernas, voltei a encará-lo.
- Ok, eu preciso descobrir qual é a minha causa maior. – falei com dificuldade. - Não me ajudaste muito.
- Tens certeza? Vamos pra cozinha?
Braba, me levantei e fui tomar um café com o Dylan.

30 de nov. de 2011

agridoce e leve

comecei a redescobrir música e em especial nessa, sinto a leveza de nós dois. claro, só descobri isso depois de a ter escutado umas 10 vezes. é, custei a perceber, assim como tudo que se refere a ti.
assim como só percebi hoje que no lugar da sala onde fica a minha mesa, bem na altura dos meus olhos lá pelas oito horas e meia da manhã, o sol sobe alto e encontra as junções dos dois prédios da volta e acaba por bater no meu olho. tem dias que eu não dou bola mas em outros insisto em dar aquela fechadinha na janela, mas todas as vezes eu chego na sala, abro a janela, mesmo sabendo que daqui a meia hora terei de fechá-la, nem que seja um pouquinho.
contigo é assim também, sei que terei que me fechar novamente mas continuo pensando em te deixar entrar mais um pouquinho, apenas por que a beleza de te ter comigo (e a de olhar a laguna em seguida do nascer do sol) compensa ter alguns incômodos, assim como o sol no olho.

"O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você

Não esqueço aquela esquina
A graça da menina
Eu só queria enxergar
Por isso eu me entrego
A um imediatismo cego
Pronta pro mundo acabar

Você acredita no depois
Prefiro o agora
Se no fim formos só nós dois
Que seja lá fora

O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você"

23 de nov. de 2011

corredores largos e escadas pequenas

tenho a insensata mania de, mesmo quando não posso usar fones, reproduzir músicas na minha cabeça. sempre sou distraída. hoje, subindo as escadas daquele hospital enorme, me encaminhando pra minha sala fria e maravilhosamente quieta, a Janis cantava na minha cabeça e eu lembrava de alguns comentários sobre aquela música. em um lance de cabeça, por um momentinho, te vi subir as escadas comigo e subi o próximo lance com um sorriso meio bobo. uma senhora caminhando bem devagarzinho sorriu de volta pra mim quando cheguei no topo da escada e só então percebi o que estava fazendo.
ao passar por mim, ela sussurou 'muito obrigada jovemzinha'.

11 de set. de 2011

voltar a realidade

Depois de alguma confusão, esforço para não me atrasar (em vão) e considerável irritação e pressão psicológica, entrei no segundo ônibus incrivelmente atrapalhada. Passando a roleta, segurando bolsa, carteira aberta e classificador, acabei por me desequilibrar e segui aos trancos e barrancos ônibus adentro. Não consegui olhar para o fundo a tempo e quando avistei que não havia lugar tive que voltar para a frente, onde havia observado uma vaga ao lado de uma senhora, mas como era muito na frente optei por não sentar. Tive que dar o braço a torcer. Atrapalhada, deixei a pasta cair e quase bolsa e carteira abertas caem também. Uma mulher a recolheu pra mim, agradeci mas senti que meu sorriso foi forçado e talvez um pouco falso também. Quando vi era a senhora do lugar vago. Entre alguns mais tropeços, sentei. A música em meus ouvidos estava irritantemente alta mas pude escutar alguns risos das pessoas que acompanhavam a minha desventura.
Comentei com a senhora sobre o dia difícil que estava tendo e do quão atrapalhada eu era. Ela me sorriu e falou que de vez em quando isso acontece mas que tudo ia ficar bem. Comecei a pensar em todas as coisas que haviam dado errado e reclamava mentalmente.

Acontece que o ônibus que eu me encontrava era de deficientes e à minha frente estava uma guria cadeirante com alguma deficiência mental grave. Algumas paradas após a conversa e uma antes da minha, comecei a me lamentar psicológicamente pois a cadeirante desceria, logo perderia tempo precioso. Quando voltei à realidade, quem estava descendo a cadeirante era a senhora que estava ao meu lado, sua mãe.
Senti-me mal por ter reclamado, por ter esquecido meu caráter em casa e tantas outras coisas, afinal quem tinha me confortado para coisas tão inúteis, enfrentava desafios maiores todos os dias e havia demonstrado uma grandeza de espírito enorme.

Quando desci do ônibus caminhei rápido, atrasada e chorando de soluçar.

9 de ago. de 2011

meu sonho do Bukoswski

como sempre, hoje dormi demais. tinha muitas coisas pra fazer e queria acordar no máximo as 8:30h mas acordei as 11... pois bem, estava aqui pensando em como sou idiota e lembrei do sonho que eu tive. eu estava em Canela. mas não era a cidade de Canela, era tipo Chuí mas as construções eram de Canela. eu estava passeando sozinha porque a minha família fez um reserva num hotel mas não pôde ir então eu fui ficar sozinha. comecei a andar pela cidade e achei uma feirinha, com livros. passei horas olhando só que a abobada já tinha caminhado a cidade inteira, o que significa que o carro estava longe de onde eu estava. entre todos aqueles livros achei preciosidades, mas de todos eu só me lembro de ver os livros do Bukowski. escondi os livros pra que ninguém resolvesse comprá-los enquanto eu me ausentasse (sou dessas) e saí correndo pegar dinheiro no carro.

acho que já tinha corrido umas 5 quadras quando me lembrei que não sabia onde estava o carro, encontrei meu tio, Miguel. eu era pra vir com eles, com a minha tia e a minha prima mas ela não quis me convidar então eu vim sozinha (o que na verdade pode ter sido até um alívio pois nunca teria achado minhas preciosidades). mas agora eu estava esperando eles ao invés de ir comprar os meus livros. me pareceu uma coisa incabível, estava desesperada. expliquei a ele que precisava ir pro carro porque estava sem dinheiro, com fome e já estava ficando noite então eu precisava levar o carro pra mais perto. ele achou plausível, eu me lembrei onde ele estava e combinamos de nos encontrar na feirinha pra jantar.

quando eu já estava dentro da feirinha (apinhada de gente que não me deixava chegar no meu objetivo) vi que eles (minha família) estavam lá nos livros. quando cheguei mais perto vi que meu tio estava com as mãos no exemplar do Bukoswki que eu tanto queria. arranquei-o da mão dele e foi quando minha mãe apareceu atrás de mim pedindo pra mim me desculpar.

provavelmente eu não consegui comprar o livro, ou nenhum dos livros. acordei antes.

moral da história: sempre saia com dinheiro quando estiver sozinha porque se tu for uma pessoa que nem eu vais acabar em uma livraria e aí sim se tu estiver sem dinheiro (ou sem dinheiro suficiente) vais achar o livro que tu tanto querias.

6 de ago. de 2011

socializar: só os fortes sobrevivem.

de novo me encontro forçando a mim mesma. o que era pra ser uma coisa simples, feita até sem nem se precisar pedir, pra mim é algo extremamente anormal. preciso me forçar pra sair com os meus amigos e não sei porque.
prefiro ficar quietinha, só comigo, todo o tempo. já basta o tempo durante a semana que eu passo convivendo com todo mundo, no fim de semana prefiro ficar só comigo, fazendo qualquer coisa. não sei porque me sinto assim até porque quando estou com eles não finjo. eu realmente estou ali com eles, brincando e vivendo mas chega um momento que eu penso: "tá, quando eles vão pra casa mesmo?" me canso mas não necessariamente deles e sim da agitação.

quem sabe este seja um dos meus traços que fico tentando esconder, não sei. o que eu sei é que me preocupa é o que vai acontecer quando eu for bem mais velha, quando já tiver visto meus pais, avós e mais algum familiar ou conhecido ir embora. o que eu vou fazer? entregar as cartas? me entregar a solidão e virar uma velha amargurada e reclamona que não faz nada pra mudar sua situação, até que eu reúna forças pra morrer?
quem sabe seja por isso que continuo me forçando, pra ver se eu gosto e passo a fazer por vontade e não por obrigação. ainda espero que muita coisa se torne vontade, costume, mas parece que nunca vai mudar.

10 de jun. de 2011

meu eu lírico

hoje depois de muito tempo eu resolvi sentar no colo da minha mãe (e quase matar ela, consequentemente). a única vontade que eu senti foi chorar como um bebê. claro que ela não entenderia nada, mais ainda quando eu não resolvesse contar o verdadeiro motivo, ou seriam os verdadeiros motivos? ela ficaria braba comigo por não 'confiar' nela, eu choraria mais ainda e durante o período de uma semana esta seria a pauta para todas as conversas. então, pensando nisso tudo, desisti. engoli o choro como toda mulher aprende a fazer e fingi o sorriso mais natural do mundo.

me assusta o fato que ela não tenha percebido meu olhar. me assusta o fato que ninguém tenha percebido meu olhar, apenas meu mau humor, que se pronunciou mais do que normalmente hoje. me assusta o fato que eu consiga mentir tão bem para todo mundo. ou pelo menos quase todo mundo. acredito que só existam duas pessoas que poderiam ver realmente através dos meus olhos hoje. nenhuma delas pertence ao meu dia a dia mais. estou sozinha.

ou era isso que eu pensava. hoje eu vi que realmente em uma boa amizade não se precisa muita comunicação e sim sentimento. o anjo da minha vida hoje veio falar comigo no msn, sabendo exatamente do jeito que eu estava e me falando tudo que eu gostaria de ouvir. faz quase dois meses que não nos vemos pessoalmente e ela soube a hora e o que falar. ela me conhece mais do que eu. ela é o meu porto seguro e ela sabe disso.

mas mesmo sabendo de tudo isso eu ainda não consigo falar. ela sabe o que eu estou sentindo mas eu nunca falo o que é realmente. cada vez mais fico com medo de me tornar uma adulta amargurada e sozinha. queria não ter tantos bloqueios mas o que eu não quero mesmo é deixar alguém como ela.

13 de abr. de 2011

pura verdade

24 de mar. de 2011

sob certas circunstâncias

eu gosto de quando chove porque daí não preciso chorar, é só olhar a chuva cair.

10 de fev. de 2011

I'm batman



'Temos que ser nutridos, expelir excrementos e respirar para que nossas células não morram. O resto é opcional.'

Sheldon Cooper, ep. 09, temp. 01. The Big Bang Theory.

23 de dez. de 2010

as pessoas tem o que merecem.

não sei porque sinto isso, essa insatisfação que não é bem uma insatisfação, é mais uma desesperança, se é que isso existe. poxa, é natal, tecnicamente a época mais feliz e efusiva do ano, quando se junta com o ano novo. meu aniversário ou o que quer que seja.

pois então, é sobre isso mesmo, dezembro. tantas coisas acontecendo e acelerando tudo para que as férias passem vazias e rápidas, resultando em mais um ano devagar, entediante e cansado. ano que vem será complicado, bastante complicado.

esses fins de ano me lembram da felicidade alheia que eu não possuo, e que talvez eu não queira possuir, só para poder ainda ter do que me lamentar, ter autodesprezo, para variar as coisas um pouco.

é só que eu penso que tudo mudou de uma forma tão bruta, desnecessária inclusive. eu já vi coisas que preferia não ter visto, senti e conheci pessoas que fazem parte da minha antiga vida mas, pera aí, eu continuo tendo uma vida só, isso não muda. eu lembro do que as pessoas fizeram pra mim, lembro o quão idiota eu fui e eu acho que melhorei mas pra isso precisei me livrar do amor que sentia por todo mundo. não é amor do tipo eu te amo como bom dia mas simpatia, achar que existe o bom dentro de cada um porque isso é só papo para o natal e não para o ano inteiro. cansei.

se eu me senti assim apenas por um sonho que eu não faço a mínima idéia do que houve, então é melhor parar de procurar o resquício de memória que sobrou. afinal a única coisa que eu consigo me lembrar ainda é que faz um ano inteiro desde que eu me toquei de várias coisas, um ano e um mês, 13 meses dos quais 11 e talvez até os próprios 13 e quase 14 eu me senti enganada. não, não eu não vou esquecer o porque eu deixei tudo ir, eu já esqueci e passei por isso mas a ferida continua aberta e sangrando, as pessoas só não vêem o sangue porque esse sangue já bombeia para outro lugar, infelizmente para longe de mim.

sim, me marcou, me chocou, acabou comigo mas principalmente nesse natal eu me lembro daquelas palavras bêbadas em uma madrugada qualquer me falando que fui eu quem estraguei tudo e que as coisas não poderiam ser consertadas, mesmo conosco podendo tentar novamente. eu só precisava falar que sim.


ainda bem que não falei que sim, as pessoas tem o que merecem, nisso eu acredito.

18 de out. de 2010

sobre as coisas que fazemos sem nos dar conta

com os cabelos embaraçados, o coração com a tradicional batida forte e acelerada de poucas vezes e uma xícara de café na mão, ela pensa nele. é claro que o ele do escritor nunca é o ele do leitor... mas diga-se que seja... ele... é, ele.
- ele?
a noite já não era exclusiva dela e do maço de cigarros depositado ao canto da escrivaninha, que ela, inutilmente, tentava não alcançar. café forte era sinônimo de algo entre os dedos, algo para lhe lembrar de que a vida se esvai em uma tragada só, e de um jeito doloroso.
- porque não ficastes em Porto Alegre? Não era o que tu querias?
- acho que o que eu realmente queria não era Porto...
- e o que era?
fez-se silêncio por um momento, a resposta não chegava aos lábios dela nunca. tomou mais um gole do café. mudou o olhar, encarou os olhos cansados e então finalmente falou.
- o que tu queres com isso?
- eu? nada, já tu...
- não te entendo, não há motivo para o teu aparecimento...
- se assim tu achas.

ele esticou-se, pegou o maço, puxou um único cigarro, puxou do bolso um isqueiro verde-limão, parecido com o dela e acendeu o cigarro. ela sorriu para ele e olhou para o lado oposto, não fumaria.
- Porto Alegre te lembra a mim não né?
- lembra. lembra um tempo da minha vida também, dois na verdade.
- ambos bons?
- não. só um.
- não sei porque da tua relutancia, são coisas normais, tens que te adaptar. vai ser bom pra ti, tu sabes.
- não sei se será bom, não quero ter essa oportunidade...
- assim, sem aceitar é pior e tu sabes disso.
- pára de tentar me proteger, Dylan, eu sou tu, esse não é o teu papel.
- parei de te encomodar então.
e sumiu.
ela olhou para baixo, abriu as mãos e quase deixou cair o cigarro aceso por entre as pernas, assim, derrubou umas gotas de café quente em cima da coxa. não acreditava que havia realmente acendido o cigarro. olhou através da janela, uma paisagem de estrada... olhou para o relógio, duas horas da manhã. encostou a cabeça para o lado e adormeceu, abrindo os olhos apenas quando o ônibus fez uma curva acentuada, na entrada da rodoviária de Porto Alegre.

9 de set. de 2010

truth


30 de jun. de 2010

something in the way

eu sinto que existe alguma coisa no meio, no meio termo perdido no vácuo.
pausas não são boas e provavelmente também não farão sentido nestas linhas mal escritas e sonâmbulas. afinal todo o resto já se dissipou e está perdido pelo caminho, o caminho que eu marquei para chegar até aqui e procurei deixar migalhas para não me perder, caso não gostar, poder voltar ao ponto inicial. são jogos de tabuleiro em que o dado seleciona os passos que darás e que serão dados pelos outros ao teu redor, às vezes está ao teu favor e na maioria das vezes contra ti, por isso que nos perdemos no caminho.
eu procurei não parar, não pausar o dado e mantê-lo sempre girando e caindo de alturas cada vez maiores, assim ele é castigado e eu não páro de vez porque, meu deus, eu quero parar, eu preciso esquecer das migalhas e tomar a direção oposta.

peixes são legais e desdentados talvez. velhos são legais e desdentados talvez.

com certeza há algo no caminho, e quem sabe algo que já está programado para estar lá, e não é necessário eu me estender aqui até porque isso também está programado. isso não fará sentido mas quem o faz? mas lembre-se: há alguma coisa perdida pelo caminho e não serás cruxificado por voltar atrás ou ir na direção contraria sem pódio de chegada ou beijos de namorada, afinal somos apenas mais uns caras!

29 de mai. de 2010

cotidiano inútil

esse sábado mais ou menos em que eu me propus ler as cinqüenta páginas de Misto-Quente no completo escuro eu tenho certeza que não foi um sábado desperdiçado. essa melancolia e esse vazio não são prejudiciais, ao contrário. eu juro que se eu não tivesse um relatório a ser feito eu passava o dia todo longe do computador.

e eu acho que no fim é isso que todos precisamos: um dia na companhia de um livro apenas. eu tenho a impressão de que já não sabemos viver sem comodidades e atrofiamos vários órgãos por culpa delas. é triste falar isso mas eu mesma me enquadro nessa condição. se eu utilizasse as duas horas mínimas em que gasto apenas checando os sites dos quais participo (blogs, jogos online, twitter, formspring, orkut, msn e por aí vai) eu lia todos os livros que ocupam o espaço dos não-lidos na minha gaveta de cabeceira, passaria em todas as matérias e não ficaria por décimos como sempre fico, daria mais atenção aos meus familiares. esse problema atinge a maior parte da população, majoritariamente os adolescentes o que acaba sendo mais preocupante ainda pois torna-se um comportamento normal e com certeza eles levarão isso para a vida toda. por Deus, eu tenho várias matérias onde meu caderno tornou-se virtual, eu já não entrego trabalhos impressos, e sim os mando para o e-mail do professor. são mudanças, sim, e benéficas, mas precisamos impor limites, precisamos pensar até onde isso se tornou normal e até onde estrapolou.

hoje, um dia escuro, chuvoso e sozinho, tornou-se mil vezes mais produtivo do que uma terça-feira repleta de aulas e de pessoas. voltei para esse meu infortúnio apenas por causa de um relatório que, infelizmente, não se fará sozinho e por um motivo nobre: torcer pelo meu tricolor imortal.

reflitam.

13 de mai. de 2010

solitude in abs...


'Amanhã
Pode ser que o nada exista
E tudo seja ilusão
E o que importa agora
É esquecer então

Diga
Fale tudo que souber
Corra
Faça da vida o que quiser

E tudo parou agora
E tudo mudou'

Amanhã - Abril

4 de mai. de 2010

putas, A Janela Secreta e cubos mágicos

eu juro que poderia escrever uma história tipo 'A Janela Secreta'. alguma coisa dentro de mim se torna incrivelmente inspirada quando vejo filmes de escritores.
esse filme é muito foda e de quebra tu ainda olha pro Jonny Deep piradinho o filme inteiro *.*

eu não tenho muito o que falar, a não ser que hoje eu resolvi matar aula realmente, fiquei em casa o dia inteiro e não me arrependo disso. hoje o dia está completamente xoxo e chuvoso. gostaria de ter um cubo mágico e mais um livro de Shakespeare.




'isso é sobre aquelas garotas que dão para cachorros por falta de homens como eu; esses escritos tornam-se claros feitos de papel vegetal e obviamente nunca me inspiraria numa mulher como essa, puta e luxuosa, bebendo mais do que ouso agüentar, me socando e chutando, quebrando garrafas de wisky barato em cima de mim, enquanto um cachorro ridículo me olhava com orgulho, rosnando em um quarto de hotel podre completamente escuro. nunca me importei em pagar por sexo mas pelo menos elas tinham que me agradar. ela nunca me agradou e certamente se interessou por mim e se emputeceu quando preferi uma boa dose de tequila ao invés de comer aquele cu sujo. muito obrigada mas prefiro colocar minha boca em um copo imundo do que meu pau na sua boca sem dentes e cheia aftas.'

A.C.

14 de abr. de 2010

ah minha linda porto alegre *-*

eu gostaria de saber o que acontece quando nós não aturamos nós mesmos. eu queria que me dissessem o que eu faço agora já que não tenho ninguém e percebo que nunca tive, já que uma das únicas relações suficientes que eu tive também foram 'inventadas'.
eu minto, minto, minto... minto pra mim mesma e acredito tanto na mentira que até pra mim ela torna-se uma verdade. queria voltar pra porto naquele dia. ando pensando muito naquele dia. até demais. penso em que fim se deu aquele cara lindo e gentil que discutiu sobre Allan Kardec e Shakespeare comigo caminhando por entre as calçadas da Borges de Medeiros. foi uma noite maravilhosa, útil em sua presença.
agora ando querendo voltar pra porto mas para ver outras pessoas, pessoas que eu não conheço desta vez. quero conhecê-las. já faz tempo que eu não tenho que me virar sozinha. já faz tempo que eu não tenho preocupações na cabeça e que eu não penso na minha vida em Rio Grande.
tenho que dizer que se um dia eu puder te conhecer já bastaria por pelo menos uma semana. queria conversar, tomar uma Heineken novamente em um boteco de canto de rua em poa e fingir estar filosofando sem nenhuma pretenção.
cansei dessa história de estar sempre precisando ficar com alguém, cansei dessa futilidade de números (mesmo nunca tendo prestado muito atenção nisso), cansei de ter que pegar o mais bonitinho ou nao poder falar algo que eu quis. nunca dei bola pra isso e eu tenho certeza que seria esse meu aspecto que poderia te chamar atenção.
é só mais uma idéia que vai ficar por aqui. é só mais um desejo que eu transformei em palavra escrita mas poderia ter sentido. poderia.
nas férias de inverno eu quero ir num fest em porto, de preferencia que tu toques e que eu me misture ao bando de emos gaúchas histéricas tuas fãs. e quero ir com o senora. talvez o seco vá junto. se a mininha dele de fortaleza ou qualquer coisa do gênero deixar. piadinha.

já me perdi, mas isso não passa de alguns vários pensamentos sem cafeína (acabou de novo o café desta casa o que me faz pensar seriamente em me mudar ¬¬) que eu tento transformá-los em sonho após uma noite mal dormida e várias contas matemáticas não tão complexas assim.


'Ostenta ser feliz
Tudo que sempre quis
Mas melhor se cuidar
Com toda a tristeza que eu posso levar'