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30 de dez. de 2015

adeus ano velho

Nesse fim de ano todo mundo fica dizendo que 2015 foi terrível, o pior ano de todos. E eu sempre pensava que não, que esse ano foi bom. Até que comecei a me perguntar se realmente foi. 
Ele foi um paulaço na cabeça, isso sim.

Olhando desde a virada, naquela festa estranha com gente esquisita, eu já escolhi voltar pra casa e tomei essa decisão em vários momentos. Me desliguei de, no mínimo, duas pessoas e ainda não sei muito bem as consequências disso. Entretanto existem, para cada uma delas, respectivos momentos onde eu vi que não daria mais certo e, quando sinto compaixão, lembro de como me senti naqueles momentos e volto a sentir raiva, tristeza e decepção.

Chegar nesse ponto tão profundo me fez ver que o meu padrão ainda se repetia e que, na verdade, eu nem tinha total consciência dele. E essa reflexão só aconteceu no inverno! No próximo semestre eu me confrontaria com situações bem mais enraizadas e difíceis de digerir do que o tal mundo externo à minha família.
Algumas mudanças são tão importantes e ocorrem sem que tenhamos qualquer noção do Universo trabalhando, no nosso, segundo plano. E esse ano agradeço por elas terem ocorrido e da forma com que se deram.

Conheci muita gente legal e percebi que consigo manter um distanciamento quando é necessário, vi que aprendi a ler algumas pessoas. Ainda me choco com a ignorância humana e devo aprender muito ainda a como me posicionar sem me anular e sem me remoer por tudo dito, não dito ou não executado. Assertividade é a palavra.

Com certeza toda preparação caótica do ano passado e desse primeiro semestre de 2015 me prepararam pros socos no estômago que eu tomaria, com muita relutância, no segundo semestre. Tirei força de onde eu nem sabia que tinha, voltei pras minhas raízes e me conectei comigo mesma de novo. Não sei onde eu estava com a cabeça na minha adolescência, achava que iria morar em um apartamento, em uma cidade cinza e trabalhar em um cubículo! Não.

Agradeço pelo meu primeiro cactus porque, por mais simples que pareça, foi ele quem me ajudou a expandir a minha personalidade na sua natureza. Hoje, eu sei que sou calma e que posso retornar ao silêncio, mesmo que pareça impossível.

Mesmo com todos atos bons de 2015 e com todas sincronicidades eu ainda me sinto frágil e esse é um dos objetivos pra 2016. Preciso compreender e aceitar a toda culpa que cultivo desde fevereiro deste ano para conseguir compreender e aceitar aquela que cultivo a vida inteira, e que me olha nos olhos todos os dias e me diz 'Bom dia!', antes que eu já não tenha mais oportunidade.

Tive provações de que vale a pena, de que a disciplina compensa e que tudo é correspondido. Parece bobo e aprendemos no colégio essas coisas, entretanto sempre esquecemos e, 2015 fez o favor de me jogar tudo na cara, dizendo pra desconstruir tudo que eu já tinha pensado e pensar tudo de novo. E a caminhada continua...

Gratidão.

23 de ago. de 2015

onde existia o equilíbrio

Este ano é das despedidas.
Quando tu compras uma blusa nova é porque uma velha vai ser aposentada. Quando tu realmente gostas daquela blusa, tu luta para que ela fique lá no teu guarda-roupas e a usa mesmo que ela já esteja rasgada e surrada; e qualquer blusa que tu compre, pode até tentar, mas não vai substituir aquela que tu adorava. Acho que a analogia se aplica ao momento.

Vim guardando e tentando processar tudo que aconteceu nos últimos 3 anos. Houveram muitos momentos de descontrole, muitos de resgate... Com certeza foram aprendizados muito grandes. Consegui me abrir, analisar os outros e a mim, procurar os principais motivos de tais atitudes, montar o background e então tomar uma decisão com calma e serenidade.
Demorou. Foi bem doloroso e um caos enorme que muitas vezes explodiu de forma radial.

Durante um período tudo que eu queria era voltar à forma com que tudo transcorria. Mudanças são desgastantes. Maiores ainda quando a reforma é em ti e nos outros. Precisei alterar os padrões de toda minha família.
E ainda falta tanto...

Seria tudo bem mais fácil se o meu pessoal tivesse se mantido calmo e constante... não, foi uma série de desilusões e faltas de timming. Foi tentar resgatar tudo que eu havia deixado dormente ao longo da minha caminhada.
Principalmente ao longo deste tempo, minha autoconfiança foi muito oscilante. Aceitei a minha imagem, minhas qualidades e meus defeitos. Tentei mobilizar tudo que me afeta e processá-los internamente.
Talvez seja preciso resolver tudo do passado que ainda te assombra no presente para seguir para o futuro.

Muitas vezes tive pena de quem assistia aos meus dramas. Eu sabia que havia me desviado do caminho, sabia como corrigir tudo e mesmo assim eu ainda seguia, cada vez mais profundo, no caminho errado. Surrando ainda mais todo um emocional já fragilizado e em desordem.
E tu estavas lá, na mesma hora a cada semana, esperando para me mostrar o lado positivo das coisas erradas que eu fazia.
No penúltimo mês eu sentia vontade de te contar as coisas, de ver o teu sorriso de aprovação, de orgulho do teu próprio trabalho e de como tudo evoluiu.

No início desse ano eu conheci o trabalho da Flavia Melissa e, acompanhando todo desenrolar da caminhada dela, descobri outra destas raras conexões. Então, com o projeto 300 dias de Gratidão senti a vontade de colocar em prática muitas das teorias e desejos que passei a ter.
No início deste mês, quando recebi a notícia, logo pensei na situação da Flavia Melissa. A cada dia que passa sinto mais gratidão pelo trabalho que desenvolvemos e compreendo a necessidade deste momento em nossa caminhada.
Mas também não deixo de sentir tristeza e insegurança. Vou dizer adeus a uma das pessoas mais queridas que já conheci e admirei e no lugar que ela ocupa, virá alguém diferente.

Talvez agora, com estas duas últimas e fortes despedidas, eu esteja mais preparada para esta terceira. Saber que o motivo é muito nobre também ajuda.

Até na despedida tu me ajudas. A única coisa que posso fazer sobre estes 3 anos é agradecer por toda ajuda, paciência e positividade que tivestes.
Desejo, do fundo do meu coração, que tudo dê certo, pra nós duas.

2 de jan. de 2015

da dificuldade de definir sentimentos

A verdade é que eu nunca me importei com o que os outros pensavam de mim. Essa atitude já foi um acerto e um erro. Me enxergo muito inocente. Não acredito que as pessoas sejam essencialmente más e que tenham intenções ruins. Eu sei que este lado existe, principalmente o vejo em mim, às vezes. O que não entendo é como esse lado domina ao longo do tempo.

A medida que vamos crescendo, encaramos situações que nos moldam. A escolha entre acreditar ou não nas pessoas, nos dirá se quebraremos a cara ou não. Eu, sempre escolho acreditar. Fui moldada sob essa perspectiva. Por escolher acreditar, necessito ajudar e causar reflexão no outro (e vice-versa). Sei que meus princípios não são os certos para todos, mas julgo ter sido criada por pessoas justas e amorosas e procuro no outro, alguém com quem se possa refletir nossos atos para corrigi-los. O que eu não aprendi é como não ser arrastada pela reflexão do outro. Penso que tenho melhorado um pouco, mas ainda estou longe do correto.

Acredito que o mal pode dominar por períodos e acredito que sozinhos, não vamos a lugar algum, apenas para baixo. Ninguém é uma ilha. Todos somos parte de uma rede e acabamos afetados pelas atitudes e pensamentos alheios e, por causa disso, desenvolvemos estratégias de convívio.
Saber se relacionar é uma arte, e aprendi isso da forma mais dolorida possível. Não sei como não guardei rancor e não sei como pude alimentar a parte ruim de mim por tantos anos. Resolvi amar todos e acreditar no bem em todos. Não quero ver apenas o lado ruim e mau. Escolho guardar boas lembranças e sentimentos sobre os que já entraram na minha vida. Sei que cada presença é passageira, uns por mais tempo e uns por menos. Acredito que todos contribuem em algum aspecto para a nossa evolução.

Por isso, sempre levei em consideração as ações e não as palavras. Principalmente, a razão psicológica para os atos. A verdade é que nem sempre sabemos como absorvemos internamente as coisas. Muitas vezes pensamos que temos determinada atitude devido a tal acontecimento importante que nos marcou mas, ao analisarmos, percebemos que a atitude é devido a outros tantos acontecimentos pequenos, mas insistentes. A gente nunca sabe o que efetivamente vai nos moldar, até que já repetimos o padrão tantas vezes que quebrá-lo se torna um exercício de contínuo foco. Foco. Palavra mais repetida pelo meu pai em toda sua vida, eu acho.

Eu, por ter acreditado nas pessoas, quebrei a cara e não soube me recuperar. Encarei o lado negativo da vida, me isolei e constatei que o meu fundo do poço – naquele momento – havia chegado. Não há lugar para ir, a não ser para cima. A grande questão é que o comportamento antigo já se consolidou. O que fazer? Procurar ajuda. Em si ou nos outros? Ambos. O antigo sempre buscará se sobrepujar ao novo e te puxará aos velhos hábitos, que morrem devagar. Mas morrem!

Seguir encarando a vida com olhos preto e branco era uma das coisas que me faziam mal. Fui descobrindo as cores e, aos poucos, acreditando mais nas pessoas. Fui puxada para o fundo do poço novamente. E sigo sendo. Mas a cada escalada, percebo que chego mais longe e fica cada vez mais difícil o ruim alcançar – embora eventualmente, ele chegará.

E aí que chegamos onde eu queria começar o texto! O ano de 2014. Me senti puxada para o meu buraco apenas duas vezes este ano. Penso que finalmente quebrei um ciclo, que eu julgo ser o principal motivador da autodestruição que eu tanto luto contra. E um ciclo extremamente importante. Colocar fim em uma montanha russa de alegrias e tristezas que durou oito anos inteiros significa muito. E talvez eu não tenha perdido a minha essência – acreditar – e tenha amadurecido um pouco quando se trata de saber deixar o problema de cada um com seu respectivo. Não se pode abraçar o mundo.

E então, cheguei a segunda vez que fui atirada no buraco. Esta, inesperada e sob muita luta. O que senti durante agosto/setembro foi desespero. Eu vi potencial, acreditei, me esforcei, lutei, amei e pra que? Concluí que, realmente não posso forçar a minha entrada onde não quero ser recebida. Não devo procurar ajudar quem não quer ser ajudado (inclusive a lição que eu achava que já tinha aprendido). Não posso contribuir e carregar fardos cujos donos não querem ser questionados pois acreditam que apenas seu jeito é o certo.

Aceitar foi a parte dolorosa. Perceber que havia entrado no meu modo autodestruidor a partir do momento em que me permitia continuar nutrindo esperanças de que o reslumbre de bom que havia visto ao longo dos atos, na verdade, era ofuscado sob pilhas de julgamento e opiniões solidificadas sem um mísero de questionamento, foi a minha ruína. Desistir significava que eu errara e não havia cumprido com o meu papel.

Aqui, acho desnecessário falar sobre o lado bom de nós. Ele foi grande para caber nessa pseudo retrospectiva-reflexão. Creio que o meu erro tenha sido justamente esse: avaliar com diferentes pesos os lados bom e ruim da relação, sempre considerando mais o lado bom.

Mesmo que para mim o fim tenha começado antes mesmo de termos terminado, demorei dois meses para perceber que eu deveria ter forças para lidar com o aprendizado escrachado nos meses anteriores, senão, tudo que havia sofrido anteriormente, teria sido inútil. E sob a lembrança do meu buraco anterior e já bem conhecido, engoli meus sentimentos bons e procurava expulsar os ruins e fazer com que eles se tornassem evidentes e insuportáveis. Não foi só ele quem concluiu que, de fato, somos muito diferentes. Mas eu também tive que concluir que não somos complementares.

O problema foi que, no caminho, lidei com emoções fortes. Tive sentimentos ruins sendo empurrados pelos poros em direção às trevas que se formavam ao meu redor, sentimentos que estavam guardados há muitos anos. Acabei acelerando o processo de autodestruição, que já vinha em curso. Gerei contradição (de ambas partes), lembrei de situações que dava por esquecidas e fiz coisas que julgo erradas. Percebi uma alimentação negativa, o julgamento dele se unia ao meu. Sabia que fazia errado mas não sabia outra forma de arrancar um sentimento tão forte que residia em mim, pronto para ser retribuído e então, pisado. Eu ouvia seu julgamento e me importava!

E foi assim que o outubro chegou. O que eu anteriormente havia levado anos para transformar em uma situação insustentável, consegui – e não me orgulho – transformar em aproximadamente um mês. E doeu tanto! Tinha nojo do que me tornei, e assim, aparentemente sem mais nem menos, eu dei fim. Ironicamente, o fiz com um beijo e sob extremo desejo. De repente, tudo que eu sentia não estava mais lá.

A medida que fui liberando meus pensamentos e culpas, resgatei um sentimento que eu ignorava. O que poderia ser bom, estava enterrado sob camadas e camadas de medos e incertezas. Acho importante esclarecer que, para retirar o máximo de sentimentos bons que eu carregava da pessoa que havia me entregado novamente o direito de ser feliz acompanhada, eu mudei e acredito que jamais serei a mesma. Eis que, aparentemente sem cerimônia e sem sofrimento, eu segui em frente. Aos trancos e barrancos.

O mais irônico de tudo é que eu não teria tomado atitude alguma se não fosse por ti, pelo teu jeito de não se deixar levar pelo sentimento. A verdade é que eu não teria esperado mais uma semana. Eu já não estava ali. Pelo menos não da forma como nós havíamos existido. Por alguns instantes virei um fantasma do que eu era e acabei nos transformando em fantasmas também. Por isso, te peço perdão. Ter sido forçada a atos tão drásticos me fez refletir e perceber o momento em que meu mecanismo de autodestruição é atiçado. Eu só tive boas intenções e atualmente, só desejo teu bem – seja ele qual for e sob qualquer tua atitude, mesmo que ocasionalmente eu vire apenas um número (5).

Eu não sei se aceitei o teu jeito de ser. Ainda é muito complicado. Mas eu respeito. Talvez sob tuas mesmas vivências eu também reagiria dessa forma ( e vice versa). O fato é: continuaria sem dar certo por mais tempo.

E então, sob tempestades e trovões, dei um passo que não teria como ser retirado. Eu tinha duas opções, continuar ou abandonar. Da forma como eu estava, provavelmente teria escolhido a segunda opção. Provavelmente teria caído na tua manipulação de me manter à volta, sendo tua e indo contra meu próprio julgamento. Mas porque existe um amigo merecedor envolvido, eu continuei. E agradeço todos os dias.

Encarei muitos momentos de dualidade e momentos onde o que queria era me isolar. Com sorte as provas e o foco me mantiveram fora do buraco. E assim, evitei grandes destruições. Neste momento, lutava contra o intuito natural de esquecer do meu próprio sofrimento e focar nos danos que minhas ações causavam, ou simplesmente aprender a me fortalecer, tentando unir os aprendizados novos à minha essência.

Levo de 2014 a certeza de que coloquei à minha frente inúmeras pessoas e sentimentos, alguns bons e alguns ruins. Ainda aprendo com todos. Fiz amigos, dei muitas risadas, sofri bastante. O importante foi só ter caído no buraco duas vezes. Os dois, valeram muito a pena. Inicio 2015 com a presença da família e com paz no coração. Vejo harmonia e fico maravilhada com a evolução dos sentimentos, afinal, para tudo deve haver o equilíbrio. Ainda devo aprender a lidar com o sentimento de impotência criado por ter desistido de ajudar uma pessoa querida, entretanto devo saber respeitar meu próprio limite. Aproveitei 2014 até as últimas forças.

E que venha 2015!

14 de dez. de 2014

ciclos

É tanta coisa! A se fazer, a aprender, a processar! Quando acredito que virá a calma... não.
Estou dispersa, analisando cada atitude. Não consegui processar nada do que aconteceu na última semana. Sabia que seria assim, afinal encaro duas semanas sem fim de semana, de trabalho contínuo. Não sei mais o que é dormir tranquila e as olheiras no meu rosto só aumentam. Não faço questão de escondê-las.

Hoje eu pensei que seria uma destas noites onde tudo se acalma, tu tens amigos banhados por cerveja e risadas. Tolinha!
Ao baixar a guarda, fui testada sobre o que venho me tratando há, pelo menos, 7 meses. Qual o equilíbrio certo, localizado bem no meio do caminho entre ser disponível, ajudar, e ser disponível demais, alimentar uma dependência destrutiva?
A verdade é que eu gosto de passar a mão na cabeça das pessoas porque me sinto útil. O livro que leio fala sobre esse comportamento. Mais uma coisa para mudar!
E não interessa se a bebisse já bate à cabeça, a vida acontece no presente e os problemas não param de vir. Eu ajudei, eu fui disponível. E agora?


Os próximos 3 dias são determinantes e quando olho ao redor, só vejo confusão e teias de relações complexas. Daí eu sinto falta de outras pessoas. De amigos distantes, de quem eu não sei conversar, de momentos de paz e que fugiram por entre as minhas mãos e não se propagaram.
Eu sei que tudo vai ficar bem, para todos nós. Estamos nos últimos suspiros do semestre, só preciso aguentar por mais 4 dias e então, tudo será modificado.
Talvez eu tenha tempo de lidar com os outros aspectos que vem se arrastado e rastejado no chão lamoso, apenas para continuar acompanhando a forma rápida com que o fim de ano vem acontecendo.

Eu já tenho 21 anos e ainda moro com meus pais. Não tenho namorado nem filhos. Mal tenho uma gata, que suspeito se gosta de mim.
O que eu tenho é um afilhado que me admira, no auge dos seus 4 anos e, ontem, enquanto brincava de jogar bola, imaginava levá-lo a Cabo Polônio (UY). Meu momento de paz em um futuro um tanto longe. Agora, me contento em fazê-lo dormir, pensando no dia em que ele achará bobo que eu queira colocá-lo na cama.

Mais um ano... mais conquistas e mais batalhas, principalmente internas e que eu sei... estão só começando.

8 de dez. de 2014

sobre os 5 dias que faltam


A quinta-feira começou feliz, com um dia bonito e super produtiva e foi piorando exponencialmente até que não conseguia fazer nada do que queria e acabei indo viajar brigada com Deus e o mundo, cansada, triste e meio desorganizada, carregando no corpo apenas o essencial. Na sexta de manhã foi muito complicado largar Rio Grande e entrar de cabeça naquela montoeira de informações que eram despejadas nos alunos ao longo dos 5 pontos de parada do dia. Quando chegamos ao pier de Cidreira, naquele semi pôr-do-sol praticamente mar adentro, percebi que eu já não me importava com o futuro emocional e sim, tinha certeza de que estava buscando a profissão (e junto os valores) corretos. À noite eu já não lembrava que havia deixado a tristeza pra trás.

O sábado foi ansioso pela noite, foi lindo, responsável e curioso porque descobri sentimentos aqui dentro. O domingo aconteceu quente e na corrida contra o tempo para a entrega do relatório e, quando o entreguei foi só comemoração. Até que cheguei à óbvia verdade de que estava voltando pra casa, já era noite e eu continuava levemente bêbada. O sentimento que tive ao chegar no Cassino foi o mesmo que tive hoje ao chegar na FURG pela tarde, não sabia como deveria me sentir.

Passei os últimos 3 dias em um estado de felicidade que há muito tempo não vivenciava e finalmente me sentia bem e de acordo com a minha vida. Voltar a realidade está um tanto estressante. Quero continuar sentindo a felicidade que senti mas ainda não desapeguei ou absorvi o que vivi. Não sei como deveria executar o tão falado desligamento e talvez não exista método correto. Eu nunca soube, pelo menos, apenas vou vivendo e aprendendo que 'o que não tem remédio, remediado está'. Sabedoria da minha mãe.

Dói muito ver o sofrimento alheio enquanto eu me sinto cheia de alegria. Dói mais ainda saber que, depois desse tempo de convivência, eu passo a impressão de ser uma pessoa confusa e triste, sem rumo na vida. Não sei como isso aconteceu, mas hoje penso que talvez eu tenha sido um espelho, que refletiu as características de quem se olhava nele.

Sobre as ações que tenho observado, prefiro não pensar. Não por que irei guardar e ser consumida por, mas por que prefiro lembrar dos momentos bons e dos aprendizados que tive e não guardar rancor de quem um dia já me fez tão bem.

A verdade é que as oportunidades passam. Algumas, retornam a nós, entretanto ocorrem pela nossa própria vontade e luta. A cada novo cenário tomamos decisões únicas que nos moldam pela forma com que enfrentamos as consequências e que acabam nos guiando para a próxima decisão a ser tomada. Não podemos esquecer que decidir em tempo hábil é o ponto chave para aproveitar a oportunidade ao máximo.

Me orgulho em dizer que nenhuma atitude drástica que tomei até hoje foi sem luta e sem avaliação. Quem sabe ter olhado a evolução da planície costeira me fez perceber que podemos ter fases de acresção e erosão também, mas que isso faz parte de um ciclo.

Sexta pela manhã acredito que tenha chegado no máximo da minha fase de erosão, a ponto de quase entrar em prantos no meio da Laguna dos Patos. Lembro de outra fase, ainda neste ano, em que a vida voltou a ter cores a partir das 17h de um dia de verão pré-carnaval e pós prova de exame. Viajar é sempre acrescivo e desta vez é o marco do início de um novo ciclo.

O meu problema é me deixar afetar pelos extremos. Penso com o coração e para realmente aprender a lutar apenas nos momentos certos, percebo que devo alterar este comportamento. Espero que a vida continue me surpreendendo com novos ambientes que causem reflexões. Que saiba enxergar o momento no qual posso aproveitar novas experiências e nos quais teria a oportunidade de corrigir os assuntos mal resolvidos.

Talvez agora, a 5 dias dos 21 anos eu esteja criando coragem para unir as duas situações acima. Finalmente me sinto preparada para embarcar em uma nova aventura antiga. Sinto muito medo e vários frios na barriga mas, o que seria da vida sem a incerteza do futuro? Continuo sendo fiel a minha forma de pensar e, desta vez, dando voz ao que o cérebro e o coração concordaram em fazer.

Minha resolução de aniversário será sempre ser fiel a minha avaliação.

Píer de Cidreira - RS. 06/12/2014.

1 de jun. de 2014

por causa do jogo do grêmio e dos velhos amigos

ter te visto fugir do edredom e enfrentar o frio ao sentar na cama sem camisa, colocando os pés para fora e olhando ao redor, procurando a meia que havia sumido há tempos foi um dos momentos importantes. na verdade ter te encontrado naquele fim de noite foi muito importante. dentro daquela festa foram vários os momentos que me senti dispersa e fora do ritmo. estava ali por uma amiga e foi isso que me manteve lá até as seis da manhã, mesmo com a ameaça de voltar sozinha pra casa e observando a decepção em pessoa me olhar de volta e conversar com outra guria.

a leve chuva, típica do inverno cassineiro, não importou quando te vi sorrindo e caminhando em minha direção. toda aquela ansiedade que eu sentia sumiu quando largastes uma conversa e, como um imã, viestes em minha direção.

já tínhamos visto o sol nascer e agora ele estava se pondo novamente, o ar ficando mais frio. eu só queria te abraçar e tentar te comunicar o quanto salvasse a minha noite, te agradecer a felicidade que tu criou ao ter me feito esquecer, em questão de segundos, que aquela guria evitando olhar alguém não era eu. foi tudo muito natural e a cada beijo no pescoço que eu te dava, queria te agradecer por ter me feito voltar ao 'normal', por ter voltado a olhar a felicidade da chuva, do vento e do grão de areia remexido.

às vezes a gente precisa que outras pessoas enxerguem pela gente, às vezes elas tem que nos dizer o quão legal somos e redescobrir as coisas boas que temos em nós porque simplesmente já não conseguimos mais. eu me sentia incapaz, com baixa autoestima, mesmo com tudo me apontando a vida maravilhosa que tenho.

hoje, depois de ter dormido mais de 12 horas, acordei e fui limpar as conchas lindas que estavam aqui em casa, escondidas. acordei e fui falar com a minha família e por mais feio que o dia esteja, reencontrei a minha paz interior.

7 de abr. de 2014

já não importa mais

Já não importa mais a opinião alheia. Não importa se vou acordar com a maquiagem borrada e o cabelão cacheado desgrenhado e, de pijama, dar bom dia aos meus colegas que também estão ressaquentos e maltrapilhos.
Taí uma das maiores mudanças dos últimos anos: assumi meus crespos. Quer dizer que estou cada vez mais gostando de mim e me libertando do que os outros falam. A maneira de vestir também ficou mais confortável e preguiçosa porque simplesmente eu sempre gostei do básico. A personalidade, que antes era complicada, também está ficando cada vez mais sem vontade de lutar pelo complicado.

Ao contrário que muitos pais e familiares acha, a Oceanologia não muda as pessoas, ela revela o que tu sempre quis ser mas sempre se sentiu sozinho para fazer. Encontrar um grupo de pessoas que pensa exatamente como tu é relaxante. É tu te sentir a vontade na casa de alguém que tu nunca viu na vida. É tu ter vontade de dividir tudo e todos momentos pelo simples fato de que aquela é a tua família de ideologias.
Vejo esta dita mudança em todos do meu curso. Há muito mais desprendimento!

Por isso não me envergonho da minha falta de voz após a primeira semana de festas aula. Me diverti como há muito tempo não conseguia. Saí de casa na segunda pela manhã e voltei no domingo a tarde sem voz nenhuma, dor em todo corpo e mesmo assim, feliz.

Hoje durante a aula percebi que esse é o meu lugar, a minha futura profissão e os meus futuros colegas/amigos/irmãos. Essa é a minha liberdade com a vida porque, sinceramente, eu definitivamente não me importo mais.

daqui

8 de mar. de 2014

o (des)carnaval

Os últimos dias foram repletos de obstáculos e recompensas. Estar em qualquer outro país é lindo e complicado, houveram muitas oscilações de humor onde tudo ia bem e então tínhamos que encontrar soluções para vários problemas. 
Foram inúmeros os momentos de saudade do conforto de casa e de desejos da companhia de amigos e familiares.

Fomos contra a corrente, fomos bolando nossa própria viagem e sobrevivendo nesse mundo portunholglês que vivemos nos últimos 10 dias. Conheci gente de todos os continentes, descobri uma fluência de idiomas que nem sabia que existia embaixo de toda essa timidez. Descobri que tudo se resolve e que só se deve agradecer e esperar, tudo vem em dobro.

O que fica dessa viagem é a certeza de que o meu futuro está sendo preparado cuidadosamente e que seguirei agradecendo pela oportunidade de ter visto tudo que eu já vi e que ainda vou ver.


Cabo Polonio, lindo!

5 de fev. de 2014

do lado de cá

Mais uma vez a gente se despede. 
Eu lembro de todas e lembro que elas vão ficando cada vez mais fáceis. Hoje eu entendo que tu és do mundo, meu amor. Sei que vamos nos reencontrar porque me sinto em casa contigo e te conheço como a palma da mão. Estamos aqui, como sempre estivemos e provavelmente sempre estaremos. Tu me fazes bem demais.
Eu te amo meu amigo. Até o próximo reencontro e que a saudade seja suportável até lá.



"Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados
Na maternidade"

Exagerado; Cazuza

27 de dez. de 2013

a tal da retrospectiva

"3. Eu estou viva. 2mil&13 me matou um bocadinho. Geralmente os ímpares me matam, nos anos pares eu colho. Parece coincidência, mas não é. Os ímpares matam (morrer é importante, deus me livre ser highlander) os pares acompanham, te dão suporte."
Li isso aqui. Fez total sentido. Talvez não do sentido pretendido, mas é assim não é? As palavras depois de ditas, tomam vida própria.

Esse ano foi maravilhoso, cheio de esclarecimentos e eventos. Mas por que não consigo me sentir assim agora, então? Agora tem o vazio e o sentimento de culpa. Sei que não deveria me queixar, tive um ano incrível e existem tantas outras coisas realmente difíceis. Um coração partido é apenas um coração partido até que ele se complete de novo e o ciclo se repita.

Sinto dor por ter falhado mais uma vez. Uma amiga solteira afirma que ela já sabe com quem vai casar, mas que no momento não é parar eles estarem juntos. Concluí que é isso que eu sinto. Quando finalmente me entreguei a todo sentimento, mandei uma mensagem dizendo que tínhamos todo tempo do mundo, porque eu não me imaginava mais sem ele. Continuo pensando a mesma coisa e estou me complicando.

Agora existem dias em que tudo é maravilhoso e quase não me sinto culpada por sorrir, entretanto a maior parte do tempo me sinto mal por ter provocado uma sensação tão terrível em quem eu amo. Eu queria entender porque eu gosto tanto de ti. Queria entender porque sinto como se nunca fôssemos conseguir ficar juntos. Quem sabe realmente não sejamos feito para estar juntos! Será que estamos insistindo em uma ideia fixa que nunca dará certo? Será que isso é amor?

Eu só queria o teu companheirismo e a tua risada estranha. Queria acordar contigo sempre, só para te ver sem óculos e não ser xingada por isso. Tu vais ficar guardado pra sempre. Agora eu preciso seguir a minha vida, de novo. E sozinha, de novo. Não vou morrer chorando dessa vez. Não vou dizer que nunca mais vou me apaixonar de novo e que o amor é uma merda. As coisas não são assim. O que falta é timming, não amor.

Aproveitando que 2013 foi um ano de descobertas e muito auto conhecimento, entro no clima de 2014. Ainda existem muitos obstáculos (internos e externos), e com certeza tudo que eu sinto agora já faz parte do primeiro desafio de 2014. Que venha o ano par!

3 de dez. de 2013

estação dos plátanos

A primeira coisa que a minha mãe me levou a fazer depois de quase 3 meses em Porto Alegre internada, foi ir até a igreja do calçadão (não sei nomes) e acender uma vela. Durante anos, a cada aniversário ela me levava para acender uma vela. Daqui a 10 dias, completo 20 anos e há uns 5 anos não acendo mais velas. 

A cada consulta em Porto Alegre, eu penso naquela igreja e agradeço. A cada véspera de aniversário e a cada virada de ano, eu agradeço. A cada vez que eu acordo naquela sala branca totalmente higienizada depois de uma cirurgia, ainda meio abobada, eu agradeço. Agradeço mais ainda por não proporcionar aos meus pais um sofrimento tão grande. Eu percebi que não acendia a vela por mim, acendia pela minha mãe que ficou do meu lado no sofá do hospital de uma cidade desconhecida, segurando a minha mão. Ela que rezava todos os dias. Eu tinha 8 meses, eu nem lembro e nem entendia o que acontecia. Hoje eu também agradeço por não lembrar, deve ter sido uma dor muito grande.

Todos são sempre muito gratos por eu ter sobrevivido (alguns me chamam de guerreira) mas eu não lembro! A minha família sim que é guerreira. Eles lembram e eles tem consciência de que podiam me perder. Eu? Só no instinto de sobrevivência. A cada aniversário tem a sessão nostalgia: 'Ela era tão pequeninha, cabia numa caixa de sapato! Agora está aí grande, já está fazendo *insira a idade aqui* anos!' e a fala é seguida de um afago no cabelo. 

A cada ano eu não acendo mais a vela, mas com certeza agradeço. Não sei direito para quem, mas agradeço mesmo assim. Agradeço por fazer parte da melhor família do mundo, por ter tido a oportunidade de conhecer toda essa gente exótica e companheira. Agradeço por todas as coisas boas que aconteceram e sobre como tudo deu certo. Agradeço pelas aventuras que ainda vão se seguir. Agradeço sem pedir nada. Agradeço pelo que vier, seja bom ou mau.

Em todos os momentos em que me sinto pra baixo, penso que se um bebê sobreviveu, eu sobrevivo também e é isso que me faz continuar. Nada é tão grande assim que dê para lidar. De todos esses anos, aprendi a viver a vida a cada dia, com mais calma e agradecendo sempre.

Estamos todos vivos, quer presente maior que esse?


25 de nov. de 2013

together

O meu amor mudou, ficou mais silencioso, compreensivo e contido.
Fiquei mais observadora e prevejo um problema. Eu me preocupo demais. É problema quando tu quer tanto que uma coisa dê certo e então fica pensando em todas coisas que podem dar errado e tentando evitá-las? Entre tudo que pode nos afastar eu consegui reduzir a apenas o que envolve diretamente nós dois. 

Agora penso no que me fez acreditar que nessa chance, daria certo. São essas as metas que eu mantenho erguidas, sem esquecê-las. Eu estou feliz demais e a cada vez que penso nisso, morro de medo das coisas saírem do controle.

Eu me preocupo com os níveis de ansiedade e no que isso representa. Eu posso te ajudar. Vivi com esses mesmos sentimentos durante tempo demais, e não que isso tenha me dado sabedoria sobre o assunto, mas me deu muita dor de cabeça e problema: coisas que eu não quero pra ti. Espero que possamos refletir sobre tudo que nos levou até aqui. Realmente acredito que tudo acontece por um motivo e se nós ainda estamos aqui é por que precisamos passar por essa experiência, caso contrário a gente só vai ficar dando círculos e voltando um para o outro.

Aceitei que preciso passar por essa experiência e agora preciso saber porque. Quero que tu me ajudes me dando coragem, tu sabes como enfrentar as coisas.
Eu quero o auto conhecimento, quero a felicidade das pequenas coisas. Queria ter escrito esse texto ontem, te vendo dormir, roncar, respirar pesado e até resmungar umas coisas sem sentido mas fiquei com medo de te acordar (era óbvio que eu não ia conseguir). A verdade é que me desaponta quando tu vais silenciosamente para a cozinha. Na minha cabeça a gente já passou por tanta coisa que não faz sentido jogar essa ansiedade em velhos vícios, ao invés de voltar na mente e pensar porque mesmo tu canalizas toda esse sentimento em autodestruição?

Eu quero te ajudar mas tu precisas te ajudar. Eu quero te ajudar mas preciso que tu me ajudes. Eu quero me ajudar e preciso a tua ajuda.
Eu te amo.

16 de out. de 2013

coitados dos que não sorriem

Sabem aqueles dias onde nada vai te fazer sorrir e tudo parece trabalhoso? Foi ontem. Acordei bem, mas de mau humor e a medida que o tempo foi passando, foi tudo piorando. Até que me peguei no meio da aula de física olhando para a classe, melancolicamente emocionada. Aquele branco parecia um creme e olhava fixo para a minha alma.

Mas ontem não foi de todo perdido! Tenho certeza que ao olhar para trás vou lembrar da vez que aproveitei a gaveta de aulas para uma pausa no bar próximo ao campus e vou lembrar da conversa filosófica da beira da calçada. Puro momento de amizade! Nem vou lembrar que estava triste.

O dia de ontem valeu pela conversa e pelo ninho de batatas, bacon e queijo que me permiti de janta e ao meu ver, já são dois bons motivos. O dia de hoje está valendo pela aula que terminou mais cedo e me permitiu voltar para casa tomar chimarrão no meio da manhã e almoçar com a minha família. E, bem, olha o sol entrando pela janela.

A vida é trabalhosa mas a todo dia existem confirmações de que vale a pena.

9 de set. de 2013

timidez mata o pseudo-futuro

Hoje pode ter sido a última vez nos próximos anos que eu te vi assim, ao vivo. Como sempre eu fiquei apavorada, mãos tremendo e estômago embrulhado e tudo. Sempre penso no que poderíamos ter sido, mesmo que o mais provável fosse continuar não sendo nada.

Quando entrei no ônibus e vi o teu olhar perdido através da janela, pensei na merda que eu tinha feito ao falar tudo que eu sentia, há alguns meses atrás. E fiquei mais nervosa ao pensar que tu podias estar pensando nisso também. Nesse meio tempo eu fiquei pensando no teu sorriso ao me dar oi e nas confusões que aconteciam sempre que tentávamos passar do 'oi, tudo bem?'. Quando tu saíste do ônibus já havia mudado de ideia, não me arrependo. 

Eu acho que gostaria de escutar as coisas que falei pra ti. Gostaria de saber que sou importante pra alguém que participou da minha vida por alguns dias, há muito tempo atrás. Vejo hoje tanta gente que deu errado e eu penso em ti e vejo o cara que evoluiu demais. A verdade é que espero ouvir muito o teu nome e sempre vou pensar com carinho no que 'escapou'. 

20 de ago. de 2013

a tal da simplicidade

Acho que tenho um gosto bem bagual. Na verdade, eu sou bagual. Bagual... grossa, rude.
Me interesso por uma literatura direta, sem floreios e para alguns, até desagradável. Na pintura vejo confusões, 'coisa de gente louca'. De certa forma, o mais simples pode ser o mais complicado. Nirvana. Até na música!

Isso é reflexo da personalidade, de alguém que nunca se importou em comunicar, simplesmente. Sinceramente não entendo o que mascarar a realidade pode colaborar. O engraçado é que sempre que posso, mascaro a verdade de mim mesma.

A única coisa que me importo é que talvez eu seja má interpretada pelas pessoas que amo e é por isso que tento ser um pouco mais delicada no meu jeito de falar. 
Na verdade, acredito que eu era outra pessoa por que acreditava que seria feliz numa floresta de concreto, trancada em um escritório, enfrentando trânsito pesado para voltar para um apartamento de um quarto. Vida cinza não é o que eu quero pra mim.

Quero o simples, quero aproveitar o sol e poder ter um pátio. Quero poder ser abagualada e poder ter uma duna dentro de casa e quero também não depender de alguém para cortar a grama e varrer a duna para fora da minha casa. Quero uma grade de horários que mude, assim como eu. Quero todas experiências que eu puder ter.

Quero poder continuar tendo ideias mirabolantes dentro do ônibus e não ir a um café com o notebook, mesmo que isso soe bem melhor. 
O importante é que a única coisa cinza seja o meu husky.

27 de mai. de 2013

certas provas da vida

Com tanta gente longe e de longe, a minha vida tá uma loucura. Ao ver os meus novos coleguinhas darem adeus a vida que levavam na sua cidade e vir pra minha, sem pais e aparentemente sem responsabilidades (só no final do primeiro mês que essa parte vai importar), decidi acompanhá-los e fazer só festa também.

As comparações são inevitáveis, seja com o curso de Física, seja entre as diferenças nos hábitos que pessoas do mesmo país têm, e percebi que com pouco mais de duas semanas de aula nós já nos entrosamos demais, apesar dos pesares. Daí surgem as minhas loucuras psicológicas de começar a traçar um perfil das pessoas. Está todo mundo iniciando sua vida adulta, morando sozinho e tendo responsabilidades como lavar roupa, fazer supermercado (ler com sotaque interiorano paulista) e arrumar a casa. E eu? Eu lavo roupa e cozinho, mas não me sinto adulta. Não me sinto solta!
Comecei a pensar e se quero (tentar) acompanhá-los, tenho que, no mínimo, começar tendo a coragem que eles tiveram. Tem gente da Bahia! Eu não sei se teria coragem de me mudar pra Bahia só pra fazer faculdade!

Falei. Falei tudo que estava preso na minha garganta. E cansei de falar! E me tremi de tão nervosa! E tenho me sentido muito melhor. Eu tinha medo de conhecer tanta gente nova, essa é a verdade.
Parei de tentar e fui ser, junto dos meus coleguinhas, tendo certeza de que é esse tipo de vida que eu quero pro futuro, afinal, estamos todos no mesmo barco.

20 de mar. de 2013

idiot wind*

Saí do auditório pronta para tomar um banho de chuva e pouco me importando se chegaria em casa um pinto molhado. Até pensava que compraria material escolar novo (viva a greve e as papelarias vazias). Vi que a mãe tinha mandado mensagem e meio distraída atravessei a rua do campus e me abriguei na parada de ônibus. Ventava muito e respingava, dia típico de inverno. Esboçava um sorriso enquanto digitava com dificuldade. A mensagem não foi enviada porque aparentemente eu falo demais ao celular, então liguei a cobrar. Foi quando percebi que a guria do meu lado chorava de soluçar.

Olhei pra ela porque sabia o que ela estava sentindo. Há um mês atrás eu saí daquele mesmo auditório enxugando as lágrimas que, teimosas, caíam. Pensei em tentar consolá-la mas não saberia o que responder se ela teimasse que o ano dela estava 'perdido'. Achei que ela acharia muito estranho.

Esperei alguns minutos, pensando no que fazer e com o número da mãe ali, pronto para ser discado. Pensei na vez que liguei pra mãe dando a notícia de que haviam chamado 4 pessoas e eu era a 5º. Pensei na baita 'injustiça' que era, eu ali agora contando que já tinha sido matriculada e a guria querendo uma matrícula. Vai saber se ela queria medicina? Vai saber se ela já tinha sido reprovada em outras universidades? Será que ela estudou mesmo? Senão não estaria chorando de soluçar!

Me contentei em sair do abrigo e contar para a mãe o mais longe possível. Na hora que todos teus sonhos foram aparentemente destruídos, tu só queres chorar mesmo. Aquela era a hora dela de achar que tudo estava dando errado e que o mundo era uma droga. Deixa ela chorar em paz.

Só queria dizer que no fim, as coisas podem sempre dar certo, como deram pra mim. 
Tomara que chamem ela. Nem que seja em maio.


17 de mar. de 2013

sobre a primeira vez que fiz uma criança dormir.

Eu, no meu 'poder' de neta mais velha, assisti a algumas crianças chegarem depois de mim. A família é muito unida e 8 crianças vieram tirar o meu lugar de criança mais nova da família. De todas essas oito, a única que eu tive o contato - e a responsabilidade - de fazer dormir foi a Catarina, nove anos mais nova, e admito que mais a agitei do que a acalmei. Ela já era grande, tinha uns quatro ou cinco anos, mas ainda dormia depois do almoço e todos dias eu deitava com ela na cama da vó e contava uma estória. Lá no meio da estória, eu já não lembrava o que de fato tinha acontecido e de propósito, começava a inventar histórias com abdução de alienígenas bonzinhos, roubos de cofres, acidentes e toda a sorte de filmes manjados que passam na Rede Globo. Obviamente caíamos na risada e eu aproveitava para brincar de 'monstro' e fazer o Massacre da Serra Elétrica (uma brincadeira (da nossa família?) que envolve cosquinhas).

Não teve nenhuma criança depois da Catarina, até que em 2010 a minha tia anunciou que estava grávida do meu afilhado. Hoje, depois de uma tarde ensolarada de brincadeiras embaixo da figueira, veio a hora da manha, quando a criança quer brincar mas os olhos já vão se fechando sozinhos. As minhas instruções eram que, quando essa hora chegasse, eu ligasse pra casa da minha tia que ela atravessaria as 4 quadras de distância e viria buscá-lo para a hora da soneca.
A minha avó, atrapalhada, ficou de fazer a ligação. Já o meu afilhado, se deitou na cama e eu fui junto para esperar. Mas ele dormiu. Comecei a contar a estória dos Três Porquinhos e de repente ele ficou de costas pra mim, achei que ele fosse fazer alguma graça, mas não. Sabe quando tu queres olhar pra ver se a pessoa está dormindo mas tens medo que acorde? Fiquei cuidando a respiração, olhando aquelas costas pequeninhas que já vão fazer 3 anos.

Quando tomei coragem de me levantar, fiquei na beirada da cama olhando a primeira criança que eu consegui fazer dormir na vida. Ele parecia tão sereno e as mãozinhas estavam posicionadas da mesma forma que estavam na primeira vez que o vi, recém nascido e no colo da mãe. Saí do quarto e disse pro meu avô: já dormiu.

25 de fev. de 2013

dias melhores, pra sempre.

Em um intervalo de 4 horas eu me apaixonei 3 vezes. Saí de casa meio triste por ter algumas dúvidas importantes para a prova de quarta-feira. Cheguei na faculdade, encontrei um amigo e fiquei sentada em um banco, tomando um pouco de sol e lendo. Quando percebi que estava tão compenetrada no livro que, devido ao vento em demasia, meu coque estava desmoronando, liberando os cachos mal penteados e os malditos fiapos que as mulheres tanto lutam contra; me apaixonei.

Quando estava no ônibus, voltando para casa, um guri de camisa escura, fones de ouvido e cabelo nos ombros entrou no ônibus e sentou na minha frente. Não sei que perfume usava (talvez nem usasse nenhum e o cheiro bom viesse dos cabelos molhados), mas me fez retirar a atenção do meu livro apaixonante e mirar aquela nuca apaixonante. Desci do ônibus sem ver o seu rosto, só a barba e bochechas. Pra sempre vou ficar curiosa para ver sua fisionomia e isso também me encanta.

Antes de voltar para casa fui fazer o meu curativo diário (queimei a mão direita) e, atendida rápido  por uma enfermeira meiga, a mesma médica que me atendeu para iniciar a série de curativos, me falou que a partir de hoje eu não precisaria mais fazer nenhum curativo. Me apaixonei.

Hoje o dia está sendo produtivo.

21 de fev. de 2013

na prática, a teoria é outra.

Drain You e Heart-Shapped Box são duas músicas que me fascinam. Já vi gente falando que não são românticas, mas sim doentes. Eu que devo ser doente então porque as acho extremamente românticas. Heart-Shapped Box combina com o momento atual, quando eu só posso ficar olhando através da tela fina retangular. 

Tenho sentido coisas estranhas dentro de mim, sabe. Vontades incontroláveis de apertar, tipo a Felícia. Custo a aceitar o que sinto e nem sei porque tenho tal comportamento. Até escrever é complicado. 
O que sei é que algo mudou, em pleno carnaval! Só prestei atenção quando acordei feliz, na rede. Outra situação que me fez ver o quanto já mergulhei de cabeça em tudo isso - e nem havia reparado - aconteceu ontem, ao notar a maneira com que me olhas durante as minhas longas histórias cheias de detalhes entediantes.
Não sei se faz sentido mas eu me vi em ti e te vi em mim e não haveria outra saída que não, dizer que gosto de ti. Tenho adorado ver a evolução do teu olhar e das tuas sentenças.


Espero que algo tenha mudado dentro de ti também porque quero que alguém me ajude a descobrir o que é isso. Por mim, tu poderias me ajudar pro resto da vida.

One baby to another said: "I'm lucky to have met you."
Drain You - Nirvana