Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amor. Mostrar todas as postagens

18 de dez. de 2018

Sobre as Lições que nos acompanham há anos

No final do ano passado, quando ajudava uma amiga a arrumar as malas para o estágio, brinquei de leitura de tarot pensando em ti. Nunca tinha feito e parti para uma das leituras mais complexas porque gostei da introdução. Depois de jogar as cartas nas suas posições fui ver o que tudo aquilo significava e não gostei das conexões que fiz. Não me lembro ao certo quais cartas e em quais posições mas sei que as cartas Apego ao passado e Consciência saíram. Fiquei com esse sentimento de que ainda haviam coisas que eu precisava trabalhar.
Antes de trocar o marca-passo, como sempre, trabalhei com a possibilidade de morrer e foi então que eu me lembrei dessa jogada de cartas. Ao longo desse ano tive muitos avanços e assumi que o assunto estava encerrado. Quando conversamos e eu me senti confortável de novo, na maior parte do tempo, pensei que, pelo menos, tinha aprendido a maior parte das lições. Agora, são duas pessoas completamente estranhas conversando porque quem eu conheci já não deve existir mais... e então pensando nisso resolvi jogar novamente as cartas, com o mesmo jogo e a mesma pessoa.
Abaixo trago a sequência de cartas e a interpretação de Osho para cada.

"Leitura Espelho
Esta leitura é utilizada para a percepção de assuntos relacionados com outra pessoa (amor, amizade, parentes, etc.); Ela revela cada indivíduo no seu processo de vida atual, assim como a maneira como se compõem as energias ou o efeito-parceria (seu relacionamento com a pessoa em questão).

Você no aqui/agora
 
1 -  Sobre o Corpo: Carta Preguiça
Quando você está preguiçoso, o sabor é negativo: você simplesmente sente que não tem energia, sente-se entediado; sente-se sonolento; você simplesmente se sente morto. Quando você está num estado de não-fazer, então, você está cheio de energia - é um sabor muito positivo. Você tem energia total, transbordante. Você se sente radiante, borbulhante, vibrante. Não há sonolência, você está perfeitamente consciente. Você não está morto - você está tremendamente vivo... 
Há certa possibilidade de que a mente o iluda: ela pode racionalizar a preguiça como sendo não-fazer. Ela é capaz de dizer "Eu me tornei um mestre Zen", ou "Eu acredito no Tao", mas você não estará enganando ninguém. Apenas a você mesmo. Esteja alerta, portanto.

Comentário:
O cavalheiro desta figura claramente acha que já conquistou tudo. Senta-se na sua grande poltrona estofada e macia, à sombra do seu guarda-sol, com seus óculos escuros e seus chinelos cor-de-rosa, segurando um coquetel refrescante. Não sente disposição para se levantar e fazer algo, porque acha que já fez tudo. Ainda não se voltou para ver o espelho que está se partindo à sua direita, um sinal seguro de que essa posição que ele acha que finalmente galgou, está prestes a desmoronar e dissolver-se diante dos seus próprios olhos. 
A mensagem desta carta é de que esse recanto à beira da piscina não é o seu destino final. A jornada não terminou ainda, como demonstra o pássaro branco voando na vastidão do céu. Sua atitude autocomplacente certamente decorre de um sentimento verdadeiro de realização, mas agora já é hora de seguir em frente. Não importa quão confortáveis sejam os chinelos, quão saboroso o seu coquetel: há ainda céus acima de céus esperando por serem explorados.

2 -  Sobre o Coração: Carta Possibilidades
A mente pode aceitar fronteiras em qualquer lugar. A verdade, porém, é que, por sua própria natureza, a existência não pode aceitar fronteiras de espécie alguma, pois... - o que haverá do outro lado do muro? Céu e novamente um outro céu. Por isso é que estou dizendo que céus sobre céus estão disponíveis para o seu voo. 
Não se contente facilmente. Os que se contentam com pouco permanecem pequenos: pequenas são as suas alegrias, pequenos são os seus êxtases, pequenos são os seus silêncios, pequeno é o seu ser. 
Mas não há necessidade disso! 
Essa pequenez é uma imposição que você mesmo faz à sua liberdade, às suas possibilidades ilimitadas, ao seu potencial sem limites. 

Comentário:
A águia tem uma visão panorâmica de todas as possibilidades existentes na paisagem lá embaixo, enquanto voa livremente pelo céu, com naturalidade e sem qualquer esforço. Ela está realmente no seu domínio, majestosa e senhora de si. 
Esta carta indica que você se encontra num ponto em que um mundo de possibilidades lhe é oferecido. Por ter desenvolvido mais amor para consigo mesmo, por estar mais pleno de si mesmo, você consegue trabalhar facilmente com os outros. Por estar relaxado e à vontade, você é capaz de reconhecer possibilidades à medida que elas se apresentam, algumas vezes até antes que outros as consigam perceber. Por estar em sintonia com a sua própria natureza, você compreende que a existência lhe está proporcionando exatamente aquilo de que você precisa. Aproveite o voo! E celebre todas as variadas maravilhas da paisagem aberta diante de seus olhos.

3 -  Sobre a Mente: Carta Celebração 
A vida é um momento para ser celebrado, desfrutado. Torne-a divertida, uma celebração, e então você entrará no Templo. Esse templo não é para os tristes e desanimados, nunca foi para eles. Olhe para a vida: você vê tristeza em alguma parte? Você já viu uma árvore deprimida? Você já encontrou um pássaro movido por ansiedade? Já viu um animal neurótico? Não, a vida não é assim, absolutamente. Só o homem é que seguiu um caminho errado, se desviou em algum lugar, porque ele se considera muito sábio, muito esperto.
Sua esperteza é o seu mal. Não seja sábio demais. Lembre-se sempre de parar; não vá a extremos. Um pouco de tolice e um pouco de sabedoria fazem bem, e a combinação certa faz de você um buda...

Comentário:
Estas três mulheres dançando ao vento e na chuva, nos fazem lembrar de que uma celebração nunca precisa ficar na dependência de circunstâncias exteriores. Não é preciso esperar por um feriado especial ou por uma ocasião formal, nem por um dia de sol sem nuvens. A verdadeira celebração nasce de uma alegria que primeiro é experienciada profundamente dentro do seu ser, e que se derrama num transbordamento de canto e dança, de riso, e até mesmo de lágrimas de gratidão.
Quando você tira esta carta, é um sinal de que está se tornando cada vez mais disponível e aberto às muitas oportunidades que existem para celebrar na vida e contagiar outras pessoas. Não se preocupe em programar uma festa na sua agenda. Deixe o cabelo ao natural, tire os sapatos, e comece a pular nas poças d`água agora mesmo. A festa está acontecendo à sua volta, a cada momento!


Pessoa no aqui/agora
 
4 - Sobre o Corpo: Carta Indo com a Correnteza
Quando eu digo "transforme-se em água", quero dizer "transforme-se num fluxo" - não fique estagnado. Mova-se, e mova-se como a água. Lao Tsé diz: A maneira de ser do Tao é igual à de um curso d`água. Movimenta-se como a água. E como é o movimento da água? Ou um rio? Esse movimento tem algumas coisas belas em si. Uma delas é que a água se desloca sempre em direção à profundeza, sempre procura o terreno mais baixo. A água não tem ambição, nunca briga por ser a primeira: ela quer ser a última. Lembre-se de que Jesus disse: "Os últimos serão os primeiros no meu reino de Deus". Ele estava falando sobre essa maneira de ser do rio, do Tao - sem mencioná-la, mas falando a respeito dela. Quanto a você, seja o último, seja sem ambição. Ambição significa subir morro acima. A água vai para baixo, procura o terreno mais baixo, quer ser uma não-entidade. Não quer proclamar-se especial, excepcional, extraordinária. A água não tem qualquer noção de ego.

Comentário:
A figura desta carta está completamente relaxada e à vontade na água, deixando a correnteza levá-la aonde queira. É alguém que dominou a arte de ser passivo e receptivo, sem sentir-se enfadado ou sonolento. Apenas está disponível ao rio da vida, sem ter nunca um pensamento do tipo "Eu não gosto disto aqui", ou "Eu prefiro ir em outra direção". 
A cada momento na vida temos a opção de entrar na correnteza e boiar, ou de tentar nadar rio acima. Quando esta carta aparece em uma leitura, é uma indicação de que agora você está preparado para flutuar, confiante em que a vida o apoiará no seu relaxamento, e irá levá-lo exatamente aonde ela quer que você vá. Deixe que esse sentimento de confiança e relaxamento cresça cada vez mais; tudo está acontecendo exatamente como deveria.




5 - Sobre o Coração: Carta Abundância
No Oriente, as pessoas condenaram o corpo, condenaram a matéria, chamaram-na de "ilusória", de maya: coisa que de fato não existe, apenas parece existir; coisa feita da mesma substância dos sonhos. As pessoas renegaram o mundo, e esta é a razão pela qual o Oriente permaneceu pobre, doente, faminto. 
Metade da humanidade tem vivido aceitando o mundo interior, mas negando o mundo exterior. A outra metade tem aceitado o mundo material, e negado o mundo interior. Ambas são metades, e homem nenhum que seja uma metade pode estar satisfeito. 
É necessário ser inteiro: rico no corpo, rico em ciência; rico em meditação, rico em consciência. No meu modo de ver, apenas a pessoa inteira é uma pessoa sagrada. 
Eu quero que se misturem Zorba e Buda. Zorba sozinho é vazio. Sua dança não tem significação eterna, é prazer momentâneo. Logo ele se cansará dela. A menos que você disponha de fontes inesgotáveis que lhe venham do próprio cosmos... a menos que você se torne existencial, não poderá tornar-se inteiro. 
Esta é a minha contribuição para a humanidade: a pessoa inteira.

Comentário:
Este tipo dionisíaco é o próprio retrato de um homem inteiro, um "Zorba e Buda" que pode beber vinho, dançar na praia, cantar na chuva, e ao mesmo tempo desfrutar as profundezas da compreensão e do conhecimento próprios do sábio. Em uma das mãos ele segura uma flor de lótus, demonstrando que respeita e contém em si mesmo a graça do feminino. O peito exposto (um coração aberto) e a barriga relaxada mostram que ele está à vontade com a sua masculinidade também, inteiramente pleno de si. Os quatro elementos; terra, fogo, água e céu, confluem no Rei do Arco-Íris, que está sentado sobre o livro da sabedoria da vida. 
Se você é mulher, o Rei do Arco-Íris traz para a sua vida o apoio de suas energias masculinas, uma união com a alma gêmea interior. Para um homem, esta carta representa uma oportunidade para romper com os estereótipos masculinos convencionais, permitindo que transpareça a plenitude do ser humano. 

 
6 -  Sobre a Mente: Carta Política
Qualquer um que seja capaz de fingir com convicção, que consiga ser hipócrita, se tornará seu líder político, se tornará seu sacerdote religiosamente. Tudo que ele precisa é de hipocrisia, tudo o que ele precisa é de dissimulação, tudo que ele precisa é de uma "fachada" para se esconder por trás. Os seus políticos vivem vidas duplas, os seus sacerdotes levam vida dupla - uma pela porta da frente, a outra pela porta dos fundos. E aquela vivida pela porta dos fundos é a vida real deles. Aqueles sorrisos pela porta da frente são pura falsidade, aquelas caras tão inocentes são puramente cultivadas. Se você quiser ver a realidade do político, precisará olhá-lo pela porta dos fundos. Deste ângulo ele aparece na sua nudez, do jeito como ele é; e para o sacerdote a coisa é assim também. Esses dois tipos de pessoas dissimuladas têm dominado a humanidade. Muito cedo eles descobriram que, se você quer dominar a humanidade, deve torná-la fraca, fazê-la sentir-se culpada, não-merecedora. Destrua a sua dignidade, tire-lhe toda a glória, humilhe-a. E encontraram maneiras tão sutis de humilhar, que eles nem aparecem "na foto"; você mesmo fica encarregado de se humilhar, de se destruir. Eles lhe ensinaram uma forma de suicídio lento. 

Comentário:
Você reconhece este homem? Com exceção dos mais inocentes e sinceros de nós, todos temos um político de tocaia em algum lugar da nossa mente. De fato, a mente é política. É da sua própria natureza planejar, montar esquemas, e tentar manipular situações e pessoas de maneira a conseguir o que quer. Nesta carta, a mente é representada pela serpente recoberta de nuvens, que "fala com uma língua bífida". O que é importante perceber, porém, a propósito desta figura, é que ambas as caras são falsas. A face cândida, inocente, do tipo "confie em mim", é uma máscara, e a face diabólica, venenosa, do tipo "vou tirar vantagem de você", também não passa de uma máscara. Políticos não têm faces verdadeiras. Seu jogo é na totalidade uma mentira. 
Dê uma boa examinada em si mesmo para verificar se você tem estado fazendo esse jogo. O que você vai encontrar poderá ser doloroso de ver, mas não tão doloroso quanto continuar agindo igual. No final, esse jogo não serve ao interesse de ninguém, e muito menos ao seu. O que quer que você consiga por esse caminho, irá transformar-se em pó nas suas mãos.

Manifestação exterior da parceria 

7 - Sobre a dissolução e fusão (intimidade): Carta Projeções
Numa sala de cinema, você olha para a tela, nunca para o fundo da sala - o projetor está no fundo. O filme de fato não está na tela: é apenas uma projeção de sombra e luz. O filme existe apenas lá atrás, mas você nunca olha naquela direção. E o projetor está lá. Sua mente está por trás da coisa toda: a mente é o projetor. Mas você fica sempre olhando para o outro, porque o outro é a tela. 
Quando você está apaixonado, a pessoa parece linda, incomparável. Quando você sente ódio, a mesma pessoa parece a mais feia de todas, e você nunca se questiona como pode a mesma pessoa ser a mais feia e a mais bonita... 
A única maneira, portanto, de se chegar à verdade, é aprender como enxergar diretamente, como deixar de lado a intermediação da mente. Essa interferência é o problema, porque a mente só é capaz de criar sonhos... 
Com a ajuda do seu entusiasmo, o sonho começa a parecer realidade. Quando o entusiasmo é demasiado, então você está intoxicado, não está na posse dos seus sentidos. Nessa condição, o que quer que você enxergue será apenas uma projeção sua. E existem tantos mundos quanto mentes, porque cada mente vive no seu próprio mundo.

Comentário:
O Homem e a mulher desta carta estão se olhando; contudo, não são capazes de se enxergar com nitidez. Cada qual está projetando uma imagem que construiu em sua mente, de maneira a encobrir o rosto verdadeiro da pessoa para quem está olhando.
Todos nós podemos cair na armadilha de projetar "filmes" de nossa própria autoria, sobre as situações e as pessoas à nossa volta. Isso acontece quando não estamos plenamente conscientes de nossas expectativas, desejos e julgamentos; em vez de assumir a responsabilidade por tais expectativas, desejos e julgamentos, e de reconhecê-los como nossos, tentamos atribuí-los aos outros. Uma projeção pode ser diabólica ou divina, perturbadora ou confortadora, mas continua sendo uma projeção -- uma nuvem que nos impede de ver a realidade como ela é. O único modo de escapar disso é entender como funciona o jogo. Quando você der com um julgamento se formando a respeito de outra pessoa, vire-o do avesso: aquilo que você está vendo no outro, na verdade, não pertence a você? A sua visão está límpida, ou obstruída pelo que você quer ver?

8 - Sobre a Alquimia do companheirismo (transformação): Carta Culpa
Este momento!... O aqui-agora... fica esquecido quando você começa a pensar em termos de conquistar alguma coisa. Quando a mente realizadora se manifesta, você perde contato com o paraíso em que está. Esta é uma das abordagens mais liberadoras: ela o liberta imediatamente! Esqueça tudo a respeito do pecado e da santidade - ambas são ideias estúpidas. Juntas, destruíram todas as alegrias da humanidade. O pecador se sente culpado, e com isso sua alegria fica perdida. Como é possível apreciar a vida se você está sempre se sentindo culpado? Se o tempo todo você fica indo à igreja para confessar que fez isto e aquilo errado? Errado, errado, errado... a sua vida inteira parece ser feita de pecados. Como viver com alegria? Fica impossível sentir prazer na vida. Você se torna pesado, carregado. A culpa instala-se no seu peito como uma pedra - ela o esmaga; não permite que você dance. Como seria possível dançar? Como a culpa pode dançar? Como a culpa pode cantar? Como a culpa pode amar? Como a culpa pode viver? Assim, quem pensa que está fazendo coisas erradas sente-se culpado, pesado, um morto antes da hora - já está dentro do túmulo.

Comentário:
A culpa é uma das emoções mais destrutivas em que podemos nos deixar aprisionar. Se tivermos agido mal com alguém, ou procedido contrariamente à nossa própria verdade, naturalmente nos sentiremos mal. Mas permitir que fiquemos sobrecarregados de culpa é fazer um convite à enxaqueca. Acabaremos envolvidos por nuvens perturbadoras de dúvidas a nosso próprio respeito, e por sentimentos de desvalor, a ponto de não conseguirmos enxergar as belezas e alegrias que a vida está tentando nos oferecer. 

Todo mundo anseia por ser uma pessoa melhor - mais amorosa, mais consciente, mais sincera consigo mesmo. Quando, porém, nos punimos por nossas falhas, sentindo-nos culpados, podemos cair prisioneiros de um ciclo de desespero e desesperança que nos tira toda a clareza de visão a nosso próprio respeito e a respeito das situações que encontramos pela frente. Você é absolutamente bom do jeito que é, e é absolutamente natural errar o caminho de vez em quando. Apenas aprenda com a experiência; siga em frente e aproveite a lição para não cometer o mesmo erro outra vez.

9 - Sobre as Bênçãos (benefícios e dádivas): Carta Sofrimento
Esta dor que o aflige não deve deixá-lo triste, lembre-se disso. É este o ponto que as pessoas continuam a não compreender... Esta dor é apenas para deixá-lo mais alerta - porque as pessoas só ficam atentas quando a seta vai fundo no seu coração e as fere. De outra maneira, não despertam. Quando a vida é fácil, confortável, conveniente, quem se preocupa? Quem se dá ao trabalho de ficar alerta? Quando morre um amigo, apresenta-se uma possibilidade. Quando a sua mulher o abandona - naquelas noites escuras, você sente solidão. Você amou tanto aquela mulher e arriscou tudo por ela e, então, de repente, um dia, ela vai-se embora. Chorando na sua solidão... essas são as ocasiões em que, sabendo aproveitá-las, você poderá tornar-se consciente. A seta está ferindo: então é possível usá-la. 
A dor não existe para fazê-lo infeliz: ela está aí para torná-lo mais consciente! E quando você se torna consciente, a infelicidade desaparece.
 
Comentário:
Esta figura é de Ananda, primo e discípulo do Buda Gautama. Ele esteve ao lado do Buda constantemente, cuidando de cada necessidade dele por quarenta e dois anos. Quando Buda morreu, conta-se que Ananda estava ainda a seu lado, chorando. Os outros discípulos repreenderam-no por ele não estar entendendo: Buda havia morrido completamente realizado; Ananda deveria estar celebrando! Mas Ananda respondeu: "Vocês é que não estão compreendendo. Não estou chorando por ele, mas por mim mesmo, porque ao longo desses anos todos eu estive constantemente ao seu lado, e mesmo assim não consegui atingir". Ananda ficou acordado a noite inteira, meditando profundamente e sentindo sua dor, sua tristeza. Diz a história que, quando o dia amanheceu, ele estava iluminado. 
Tempos de grande sofrimento trazem em si, potencialmente, tempos de grande transformação. Para que a transformação aconteça, porém, precisamos ir fundo às raízes da nossa dor, vivenciando a dor exatamente como ela é, sem culpa e sem autopiedade.

Propósito espiritual interior
 
10 - Sobre a dissolução e fusão (intimidade): Carta Além da Ilusão
Esta é a única distinção entre o sonho e o real: a realidade permite-lhe duvidar e o sonho não lhe permite duvidar... 
Para mim, a capacidade de duvidar é uma das maiores bênçãos da humanidade. As religiões comportam-se como inimigas, porque podam as próprias raízes da dúvida; e existe uma razão para que elas ajam assim: elas querem que as pessoas acreditem em determinadas ilusões que elas vivem pregando... 
Por que motivo pessoas como o Buda Gautama têm insistido tanto em que a existência inteira - com exceção do seu eu que a tudo testemunha, com exceção da sua consciência - é efêmera, feita do mesmo material de que são feitos os sonhos? Elas não estão afirmando que aquelas árvores não se encontram ali. Não estão dizendo que aqueles pilares não estão lá. Não entenda mal por causa da palavra 'ilusão' (maya)... A palavra foi traduzida como "ilusão", mas 'ilusão' não é a palavra certa. Ilusão é algo que não existe. A realidade existe. "Maya" fica exatamente entre as duas - algo que quase-existe. No que diz respeito a atividades do dia-a-dia, maya pode ser tomado como realidade. Apenas no seu sentido máximo - a partir do ápice da sua iluminação -, as coisas se revelam irreais, ilusórias.

Comentário:
A borboleta, nesta carta, representa o exterior, aquilo que está constantemente se transformando, aquilo que não é real, mas uma ilusão. Por detrás da borboleta está a face da consciência, olhando para dentro, para aquilo que é eterno. O espaço entre os dois olhos abriu-se, revelando o lótus do desenvolvimento espiritual e o sol da consciência que se levanta. Através da ascensão do sol interior, nasce a meditação. 
A carta nos lembra de não olhar para fora à procura do que é real, mas olhar antes para dentro de nós mesmos. Quando nos concentramos no mundo exterior, com frequência nos assaltam os julgamentos - isto é bom, isto é ruim, isto eu quero, aquilo eu não quero. Tais julgamentos nos mantêm prisioneiros das nossas ilusões, da nossa sonolência, dos nossos velhos hábitos e padrões. Abandone sua mente opiniosa e mova-se para dentro. Lá você poderá relaxar no seio da sua própria verdade mais profunda, onde a diferença entre sonhos e realidade já é.

11 - Sobre a Alquimia do companheirismo (transformação): Carta Repressão
Em sânscrito, a palavra é "alaya vigyan": a casa em cujo porão você vai juntando coisas que gostaria de fazer, mas que não pode por causa das condições sociais, da cultura, da civilização. Essas coisas, porém, vão se acumulando ali, e muito indiretamente passam a afetar as suas ações, a sua vida. Elas não podem encará-lo diretamente - você as obrigou a ficar na escuridão; mas, do escuro, elas continuam influenciando o seu comportamento. Elas são perigosas: é arriscado manter todas essas inibições dentro de você. 
É possível que essas sejam as coisas que atingem um clímax, quando uma pessoa enlouquece. A loucura não é outra coisa senão todas essas repressões chegando a um ponto em que você já não consegue controlá-las. A loucura, porém, é aceitável, ao passo que a meditação não - e a meditação é o único caminho para tornar uma pessoa absolutamente sã. 

Comentário:
A figura desta carta apresenta-se literalmente "emaranhada em nós". Sua luz ainda brilha no íntimo, mas esse personagem reprimiu sua própria vitalidade na tentativa de corresponder a muitas exigências e expectativas. Abriu mão de todo o seu próprio poder e visão, em troca de ser aceito por essas mesmas forças que o aprisionaram. O perigo de reprimir dessa maneira a própria energia natural é visível nas rachaduras de uma erupção vulcânica que está para acontecer em toda a volta da figura. 

A verdadeira mensagem desta carta é que é necessário encontrar uma saída de cura para essa explosão iminente. É essencial encontrar uma maneira de dar vazão a qualquer tensão e estresse que possam estar se acumulando, neste momento, dentro de você. Soque um travesseiro, dê pulos, procure uma área deserta e berre contra o céu vazio: qualquer coisa que possa ativar sua energia e consiga fazê-la circular livremente. Não espere que aconteça uma catástrofe.

12 - Sobre as Bênçãos (benefícios e dádivas): Carta A Mente
Esta é a situação da sua cabeça: vejo ali guidões de bicicleta, pedais e coisas estranhas que você foi juntando de toda parte. Uma cabeça tão pequena… e sem espaço para se viver nela! E esse material inútil fica revolvendo-se em sua cabeça; sua cabeça fica girando e tramando - e isso mantém você ocupado. Imagine só que tipos de pensamentos vão passando pela sua mente… 
Qualquer dia, simplesmente sente-se, feche os olhos, e coloque no papel, durante meia hora, o que quer que passe pela sua mente. Você compreenderá o que estou querendo dizer, e ficará surpreso com o que transita no interior da sua mente. Isso tudo vai ficando nos bastidores, fica ali o tempo todo, e acaba envolvendo-o, como uma nuvem. Devido a essa nuvem, você não consegue distinguir a realidade, não consegue chegar à percepção espiritual. É preciso desfazer-se dela. E apenas com a sua decisão de descartá-la é que ela irá desaparecer. Você está apegado a ela,  a nuvem mesma não tem o menor interesse em você, lembre-se disso.” 

Comentário:
Isto é o que acontece quando nos esquecemos de que a mente foi feita para servir, e começamos a permitir que ela dirija a nossa vida. A cabeça está cheia de mecanismos, a boca não pára de censurar, e toda a atmosfera em volta fica poluída por essa fábrica de argumentos e de opiniões. “Mas, espere aí!”, você talvez diga. “A mente é o que nos torna humanos, é a fonte de todo progresso, de todas as grandes verdades!” Se você acredita nisso, faça uma experiência: entre no seu quarto, feche a porta, ligue um gravador, e passe a falar sem restrições o que quer que lhe venha “à mente”. Se de fato você deixar que saia tudo, sem nenhuma censura ou retificação, ficará espantado de ver a quantidade de tolices que você dirá.
O Valete das Nuvens está lhe dizendo que alguém, em algum lugar, está preso em uma “viagem da cabeça”. Dê uma olhada, e assegure-se de que não é você."








Tarot Zen, de Osho
17/12/2018 15h 

 

8 de jul. de 2016

a ficha caiu

“Só tememos por nós mesmos
 Ou por aqueles que amamos 
Homem que nada teme
É homem que nada ama”
Medo - Pitty

Esta deveria ser a resposta para a minha psicóloga.
Mas não vai ser.

Estou em negação.

"Se quiser saber como eram seus pensamentos no passado, olhe para o seu corpo hoje. Se quiser saber como seu corpo será no futuro, olhe para seus pensamentos hoje."

"Podemos ter consciência de nossas emoções e escolher não nos identificarmos com elas"
Supercérebro - Deepak Chopra


"O que você pensa, você cria. O que você cria, você se torna. O que você se torna, você expressa. O que você expressa, você vivencia. O que você vivencia, você é. O que você é, você pensa.
O círculo se completa.
Criador e chefe da existência é o teu pensamento."

Por pouco tempo, quem sabe... 
 

31 de mai. de 2016

das dificuldades...

Semana passada eu caminhei na direção do desabafo. Comentar as suas fraquezas com os outros é uma tarefa muito difícil pois sempre estamos sujeitos ao outro, suas vivências, próprias facilidades e dificuldades. Senti necessidade de compartilhar meu momento com algumas pessoas.
Como sempre comecei com perguntas. 
Na quarta eu senti uma urgência enorme e em 10 minutos falei tudo que queria em uma conversa simples e despretensiosa. A primeira pergunta que fiz pro meu namorado já remexeu no que tenho de mais inseguro, no que é muito basal e enraizado e a resposta dele foi tão rápida, leve e sem hesitação...
Quase uma semana depois recebo, da minha psicóloga, a maior das afirmações "ele te impulsiona a dar o teu melhor"; e eu nem contei desse momento...

Naquela pergunta eu quis saber se ele estava pronto para saber o que eu tinha pra falar, mas na verdade quem precisava da permissão dele era eu. Aquele foi um dos maiores momentos de fragilidade emocional que eu tive... Tem tanta coisa fora do meu controle! Mesmo assim quando ouvi aquela resposta, me transbordei e tive a certeza de que ele já sabia de tudo que eu tinha pra contar e mesmo assim, me acolheu para contar com as minhas próprias palavras. Aquela frase inesperada tornou tudo tão mais fácil...

30 de dez. de 2015

adeus ano velho

Nesse fim de ano todo mundo fica dizendo que 2015 foi terrível, o pior ano de todos. E eu sempre pensava que não, que esse ano foi bom. Até que comecei a me perguntar se realmente foi. 
Ele foi um paulaço na cabeça, isso sim.

Olhando desde a virada, naquela festa estranha com gente esquisita, eu já escolhi voltar pra casa e tomei essa decisão em vários momentos. Me desliguei de, no mínimo, duas pessoas e ainda não sei muito bem as consequências disso. Entretanto existem, para cada uma delas, respectivos momentos onde eu vi que não daria mais certo e, quando sinto compaixão, lembro de como me senti naqueles momentos e volto a sentir raiva, tristeza e decepção.

Chegar nesse ponto tão profundo me fez ver que o meu padrão ainda se repetia e que, na verdade, eu nem tinha total consciência dele. E essa reflexão só aconteceu no inverno! No próximo semestre eu me confrontaria com situações bem mais enraizadas e difíceis de digerir do que o tal mundo externo à minha família.
Algumas mudanças são tão importantes e ocorrem sem que tenhamos qualquer noção do Universo trabalhando, no nosso, segundo plano. E esse ano agradeço por elas terem ocorrido e da forma com que se deram.

Conheci muita gente legal e percebi que consigo manter um distanciamento quando é necessário, vi que aprendi a ler algumas pessoas. Ainda me choco com a ignorância humana e devo aprender muito ainda a como me posicionar sem me anular e sem me remoer por tudo dito, não dito ou não executado. Assertividade é a palavra.

Com certeza toda preparação caótica do ano passado e desse primeiro semestre de 2015 me prepararam pros socos no estômago que eu tomaria, com muita relutância, no segundo semestre. Tirei força de onde eu nem sabia que tinha, voltei pras minhas raízes e me conectei comigo mesma de novo. Não sei onde eu estava com a cabeça na minha adolescência, achava que iria morar em um apartamento, em uma cidade cinza e trabalhar em um cubículo! Não.

Agradeço pelo meu primeiro cactus porque, por mais simples que pareça, foi ele quem me ajudou a expandir a minha personalidade na sua natureza. Hoje, eu sei que sou calma e que posso retornar ao silêncio, mesmo que pareça impossível.

Mesmo com todos atos bons de 2015 e com todas sincronicidades eu ainda me sinto frágil e esse é um dos objetivos pra 2016. Preciso compreender e aceitar a toda culpa que cultivo desde fevereiro deste ano para conseguir compreender e aceitar aquela que cultivo a vida inteira, e que me olha nos olhos todos os dias e me diz 'Bom dia!', antes que eu já não tenha mais oportunidade.

Tive provações de que vale a pena, de que a disciplina compensa e que tudo é correspondido. Parece bobo e aprendemos no colégio essas coisas, entretanto sempre esquecemos e, 2015 fez o favor de me jogar tudo na cara, dizendo pra desconstruir tudo que eu já tinha pensado e pensar tudo de novo. E a caminhada continua...

Gratidão.

2 de ago. de 2015

retorno

"Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento"
Facebook da vida

Hesito muito em vir aqui. Principalmente por que acredito que descobri uma nova forma de lidar com meus demônios. Talvez eu tenha seguido o conselho da minha psicóloga e ido procurar um hobby.
A questão agora é que desisti de colocar tantos nomes no que sinto. Não sei mais escrever sobre as coisas. Não sei escrever sobre felicidade; é isso que tenho sentido a maior parte do tempo. Sempre fui completa e hoje me transbordo. Tive a coragem de arriscar no caminho, sem focar no final dele.

Entretanto, durante todo esse tempo, reconheço que ainda venho me reconstruindo. Ainda tenho pesares e dúvidas do ano passado... céus, dos anos passados.
Em especial nessa semana tenho refletido todas impossibilidades criadas ao longo do tempo que me relaciono com pessoas. Todas amizades e o porque delas se perderem; e também dos amores.

Tenho achado engraçado as coisas de que me lembro. Nunca é o primeiro beijo ou o primeiros contato, sempre é o momento da decepção. E lembrar disso faz aquela menina de 13 anos se decepcionar com quem ela se tornou. Ela escolheu não lembrar do ruim e pensar no porque deu certo.

Talvez nessa etapa da reconstrução eu tenha que passar por isso.
Um médico me disse que é melhor perdoar, sempre é o melhor remédio. Talvez os novos hobbies tenham contribuído para que eu me sinta bem, saudável, longe daqueles problemas que me rondaram. As pílulas ainda estão na gaveta da escrivaninha, acho que sobraram 7. Sempre duvidei do diagnóstico.

Perdoar os outros, ok. Mas e a si mesmo?

Penso se até hoje não existe alguém nesse mundo que tenha mágoa de mim e que não consiga me perdoar. Sempre fui muito inconsequente... talvez até egoísta.


Vejo toda essa felicidade que não sei se mereço, todo esse sorriso e olhar amável me olhando de volta e penso se já não causei mais dor que felicidade... Não importa o momento, ele sempre acha o meu melhor.
Eu sabia que o ponto baixo chegaria, havia muito tempo que eu estava nas nuvens.
Sobre a conversa de ontem... não sei se fui ouvida ou se a mensagem foi entendida. Me pareceu que eu era a errada e ponto, que eu deveria me ajustar.
Não queria que tudo ficasse bem assim tão rápido. Queria ter tido algum sinal de compreensão do meu problema. Sinto como se não tivesse sido nada.


Por outro lado, eu acredito. Acredito em filmes, em livros, em pessoas. Acredito que seja verdade e que as pessoas tenham em seu interior sentimentos bons e generosos. E não me importo em ser feita de boba, manipulada ou mentida porque eu escolhi acreditar. Eu tomei a decisão e corri o risco. Há 50% de chance de quebrar a cara.
Sei que não reconheço quando devo pular fora, pode ser burrice mas eu atribuo também ao fato de acreditar. Porque eu acredito que todos tem seu lado bom, acredito que é possível parar de ser feita de boba e ter arrependimento e pedir perdão.

É difícil largar a luta e assumir que perdi e que algumas coisas (e pessoas) não tem sentimentos, sendo elas antipáticas e até beirando a sociopatia. É difícil acreditar em um mundo egoísta e que o meu afilhado tenha que lidar com ele.
Nós sempre fazemos escolhas, entre o caminho mais fácil e o mais difícil. Acreditar é o mais difícil, é o mais vulnerável.


Nesse mundo de perguntas eu me questiono se agora estou fazendo bem, se aprendi algo com todos romances que já tive.
Sou insegura. Só de pensar em causar algo que possa significar o fim...
E pensando em tudo que já fiz, vem o medo de me preocupar com o que eu possa fazer e esquecer que há outro alguém nesse relacionamento. E se ele...?
Percebi que queria causar muita felicidade, agradar quando e quanto possível.
Agora não me sinto tão a vontade. Não sei o que ando sentindo... queria mais tempo.


23 de fev. de 2015

encontrando uma forma de viver sem fugir tanto...

Fiquei muito tempo pensando no que escreveria quando chegasse ao ponto de abrir essa tela com esse espaço em branco, e acredito que ainda não saiba muito bem o que sentir dados os acontecimentos. Essas férias foram bem pesadas emocionalmente e acho que desejo voltar a correria do dia a dia, pois tenho medo de ficar parada na cidade. Lembro de quando tive 3 meses em casa, sem planejar nada, sem esperar nada. Quero que a vida siga seu rumo, que venha cheia de agitações, quero tomar decisões. Quero que mais um semestre vá para conta, mas também tenho medo de quando o próximo não existir.

Sábado eu senti que tudo está próximo demais e encarei a realidade de que amigos próximos não estarão mais ao meu lado nos semestres que se seguirem. Da mesma forma que estou feliz, também estou triste e incomodada pelas decisões que as pessoas à minha volta tomam. Semana que vem posso abraçar mais uma vez um amigo querido que retorna de uma viagem longa e que estará em um momento sensível, ficará poucos dias, pois já vai embora para seus próximos semestres.

Uma irmã retorna a cidade, outra não gosta da escola nova, outro retorna e outra só retorna quando outra vai embora. Idas e vindas. Talvez por ter sido obrigada, desde 2006, a enxergar que o estar perto não é físico, hoje eu lide um pouco melhor com as chegadas e partidas que a Maria Rita tanto canta.

Entretanto partir fora do tempo e sem a devida necessidade me atormenta. Nos últimos anos assisto a ausências fortes e antecipadas e a cada vez que devo prestar meus pêsames, deixo de acreditar um pouco na vida e isso me traz uma desolação muito grande. Aos invés de deixar esse sentimento vir a tona eu o guardo para quando estiver sozinha e daí rezo soluçando. Essa foi a solução que aprendi em 2006 e a qual, por enquanto, vinha funcionando. Talvez ela já não seja a saída apropriada e eu deva vasculhar dentro de mim algo um pouco melhor. A verdade é que experimentar altos e baixos em um dia ou uma semana não é a melhor ação para mim pois sei que os baixos acabam indo muito ao fundo, até as minhas entranhas e, ao subirem, trazem a tona uma leva de sentimentos brutos que, na superfície, já se transformaram. E a confusão se instaura.

A estrada para o auto conhecimento tem sido longa e muito dolorosa e só agora, com mais de 2 anos de terapia semanal, consigo dizer que mudei para melhor. Controlo muito mais o que digo e, quando sei o que quero, consigo me expressar com exatidão. Quem muda, muda o mundo a sua volta e é nesse sentido que gostaria de compartilhar os frutos da minha terapia com aqueles que amo. Acredito que todos nós devemos visitar regularmente um psicólogo, não para que ele nos diga o que fazer, mas para que consigamos ter sangue frio para controlar nossas emoções até decidirmos o que fazer.

Ao todo, completo quase 4 anos de acompanhamento psicológico e pretendo continuar, não porque dependo disso, mas porque é o momento da minha semana no qual coloco a mão na consciência de verdade. No período em que acreditei que conseguia sozinha, andei em círculos. Quando entro naquela sala, não são emoções que tomam conta, pelo contrário, são divagações, às vezes monólogos nos quais percebo que por conta de uma única palavra, estava agindo errado. Ao falar em voz alta enxergo o que tenho capacidade para enxergar. Ainda não sou forte como desejo mas cada passo é comemorado vigorosamente.

Admitir que precisamos de ajuda é o passo mais importante e devemos confiar em alguém mais forte para nos fornecer as iluminações necessárias para que sigamos sempre em movimento, capazes de compreender as diferentes óticas que outras pessoas possuem.

Eu quero que a vida seja otimista e colorida, que flua com o máximo de acontecimentos bons possíveis e quero ser capaz de tocar a vida de todos com quem me importo. Cada um segue sua estrada individual mas ao encontrarmos encruzilhadas, encontramos também pessoas que tem o gentil gesto de compartilhar sua estrada conosco, por um intervalo de tempo. Podemos pegar carona na estrada alheia, podemos forçar com que elas se encontrem novamente, mesmo que antes do tempo, ou podemos seguir tendo nossas próprias escolhas, rezando para que estas pessoas também decidam por si só e que, por algum acaso, coincidência, destino ou influência Divina, nos encontremos novamente. Até lá, são tantas as opções que só podemos e conseguimos pensar nas ações que tornarão nossa trilha bonita e, desde que esta seja nossa justificativa, tudo está justificado.

Eu? Eu acredito na ação e na reação. Quanto mais bonitos formos, mais encruzilhadas com pessoas bonitas teremos. Por isso eu rezo para os quais desejo encontrar novamente, para que tomem decisões bonitas também e que me encham de orgulho.


"You'll be on my mind
Don't give yourself away
To the weight of love"
Weight of Love - The Black Keys

22 de jan. de 2015

sobre as pequenices da vida

É incrível como nos acostumamos com algumas situações. Desde a falta da poltrona que mais parecia soca-soca até a falta de alguém. Momentos em que apenas saber se a pessoa está viva e bem contrastam com os do passado, quando se sabia ou se previa cada pensamento.
A pessoa que mais tive medo de que acontecesse algo de ruim ou falecesse e eu não soubesse ou estivesse longe, hoje está no show do Foo Fighters. Eu não viajei pra ver ele, não fui na sua formatura e nem ele na minha - e eu senti muito a falta dele. São momentos como esse em que penso que esse era o combinado, cada um ir até metade do caminho e ter lembranças únicas, como aquelas daquele hotel.

Até ano retrasado as nossas conversas me lembravam aquelas pessoas que éramos quando nos relacionamos e espero que tenhas sentido todo meu apoio. Sei que hoje talvez não nos identifiquemos com metade do que fizemos e, principalmente, sei que muito do que fiz foi bobo. Simplesmente eu não era madura o suficiente.
O que sentimos foi de verdade e até hoje eu guardo os desabafos e conselhos que aquelas madrugadas nos deram; sempre te desejo o melhor pra tua vida. Vejo tuas fotos e penso que boba eu fui! Aquele sorriso ainda é o mesmo e as poucas vezes que escutei a tua voz foram suficientes pra gravá-la em mim. Só penso na tua cara vendo o Dave Grohl.

Só tenho a te agradecer, ursinho na pele de carneiro; Espero que tu saibas o quanto aquele ano foi importante e que sempre estarás guardado, principalmente como o grande amigo que fostes. Hoje as conversas são bem (beeeem) menos frequentes mas sempre que acontecem me trazem conforto e paz. Fico muito feliz de ver teu sucesso e sei o quanto batalhastes. 

Tudo que passamos, principalmente com todas pessoas que nos relacionamos, marcam. Não acho errado lembrá-las; acho errado esquecê-las e principalmente manipular o que efetivamente sentimos para ter lembranças só boas ou só ruins. Se o relacionamento chegou a um momento de desgaste foi devido a algumas decisões equivocadas e reconhecê-las nos faz evoluir.

Não sei finalizar nada, muito menos textos, por isso escolhi uma imagem por que afinal, todo texto precisa de uma imagem.



11 de jan. de 2015

sobre a antiga rotina

Peguei minha bicicleta e fiz o caminho mais natural possível: em direção a praia. Antes parei na casa de um amigo, que já nem mora aqui; queria falar com seus pais. Depois de uma hora de conversa, voltei ao meu caminho.

A casa dele tem a grama mais alta que a rua, o que sempre dá um certo embalo ao início da pedalada. Por 6 anos sempre tomei o rumo sul. Dobrei na entrada para a praia e já enxergava novamente o mar. Mais cedo, havia tomado o primeiro banho do ano e agradecido a tudo que já me aconteceu. Pedalei por um tempo, até que o nordestão me fez parar. Então larguei a bicicleta próxima e encontrei uma duna para sentar.

Pela posição do sol deviam ser umas 19:30h passada. As pessoas já estavam indo embora e um certo frescor pairava. Entre todas músicas altas e barulhos de carro, eu ainda conseguia escutar o barulho do mar e em menos de dois minutos, já estava arrepiada e com o olho cheio d'água. Dizem que esta reação tem sido muito recorrente.

Lembrei que da última vez que passei na casa do amigo e segui para a praia antes de ir para casa, ao me deparar com a imensidão do mar, pedi com todas as forças para que conseguisse a minha vaga para a Oceano. Aqui estou eu, indo pro 3º ano e cada vez mais maravilhada com tudo que aprendo. E nesse clima, segui observando com olhos de cientista-júnior a natureza a minha volta.

Agora a praia já estava quase vazia, com alguns resistentes que desejariam ver o pôr-do-sol. Lembrei das vezes que me senti incomodada pela quantidade de pessoas disputando seu lugar na areia. Lembrei de como fui mimada, tendo durante o ano inteiro uma praia com 250 km de extensão. Lembrei dos invernos de menos de 10ºC, onde mal se ensaiava um sol, e nós já estávamos mateando na praia.

Me fiz muitos questionamentos de diversas áreas e a única resposta que obtive foi: porque amo. Me entristece como quantos amigos partem sem necessariamente pensar em voltar. O ponto maior que penso é: se uma amizade prevalece até no outro lado do mundo, porque não?

Na sexta-feira estava certa que terminaria meu atual livro neste fim de semana e acabei conseguindo ler exatas meia página. Ali, na praia, o livro estava dentro da bolsa, mas me sentia boba por ignorar tudo ao meu redor. Este sempre foi o meu problema, eu queria a totalidade, não o específico.

Não me importo se as coisas não saem como planejei, o que me entristece e chateia é que tenham 'dado errado'. Em momentos onde os pensamentos bons são menos recorrentes do que os maus, acredito que seja 'dar errado'. Principalmente quando se trata de relacionamentos. E tenho dificuldades em aceitar e acabo cometendo erros por crer que a história só acaba quando 'dá certo'.
Algumas coisas tem que dar errado e permanecer erradas, por um tempo. Tipo eu. Eu dei errado e permaneci algum tempo errada. Vejo que, em momentos de isolamento, as coisas encontram o equilíbrio.

Agora, devo ser errada, egoísta e manipuladora para que desta forma os erros parem de ser cometidos. 'Se não pode vencê-los, una-se a eles' e, infelizmente vejo que este poderá ser o caminho. Sob perspectivas diferentes, devo ter sido todas essas coisas e, se de fato é isso que pensam de mim, devo aceitar. Não há nada que possa fazer. Tentei mostrar que tive meus motivos, tentei mostrar que minhas intenções foram boas.

Não tem sido fácil aceitar e existe um caminho tortuoso a frente - bem diferente da praia a perder de vista na qual estou acostumada. Como falei algumas horas mais cedo, a gente deve passar por fases difíceis para que, com o tempo, as feridas cicatrizem e só fiquem as lembranças boas. E como dizia a minha avó, água salgada cura!

"Acordar cedo
Sentir a energia salgada do vento 
E a doce brisa do mar 

Acordar cedo 
E dar uma sacada na bóia no tempo 
Será que vai rolar

Acordar cedo 
Fazer pela vida fazer por mim mesmo 
Eu hei de conquistar 

Acordar cedo 
Seguir pela trilha da onda da vida 
Rezar pra Iemanjá"

2 de jan. de 2015

da dificuldade de definir sentimentos

A verdade é que eu nunca me importei com o que os outros pensavam de mim. Essa atitude já foi um acerto e um erro. Me enxergo muito inocente. Não acredito que as pessoas sejam essencialmente más e que tenham intenções ruins. Eu sei que este lado existe, principalmente o vejo em mim, às vezes. O que não entendo é como esse lado domina ao longo do tempo.

A medida que vamos crescendo, encaramos situações que nos moldam. A escolha entre acreditar ou não nas pessoas, nos dirá se quebraremos a cara ou não. Eu, sempre escolho acreditar. Fui moldada sob essa perspectiva. Por escolher acreditar, necessito ajudar e causar reflexão no outro (e vice-versa). Sei que meus princípios não são os certos para todos, mas julgo ter sido criada por pessoas justas e amorosas e procuro no outro, alguém com quem se possa refletir nossos atos para corrigi-los. O que eu não aprendi é como não ser arrastada pela reflexão do outro. Penso que tenho melhorado um pouco, mas ainda estou longe do correto.

Acredito que o mal pode dominar por períodos e acredito que sozinhos, não vamos a lugar algum, apenas para baixo. Ninguém é uma ilha. Todos somos parte de uma rede e acabamos afetados pelas atitudes e pensamentos alheios e, por causa disso, desenvolvemos estratégias de convívio.
Saber se relacionar é uma arte, e aprendi isso da forma mais dolorida possível. Não sei como não guardei rancor e não sei como pude alimentar a parte ruim de mim por tantos anos. Resolvi amar todos e acreditar no bem em todos. Não quero ver apenas o lado ruim e mau. Escolho guardar boas lembranças e sentimentos sobre os que já entraram na minha vida. Sei que cada presença é passageira, uns por mais tempo e uns por menos. Acredito que todos contribuem em algum aspecto para a nossa evolução.

Por isso, sempre levei em consideração as ações e não as palavras. Principalmente, a razão psicológica para os atos. A verdade é que nem sempre sabemos como absorvemos internamente as coisas. Muitas vezes pensamos que temos determinada atitude devido a tal acontecimento importante que nos marcou mas, ao analisarmos, percebemos que a atitude é devido a outros tantos acontecimentos pequenos, mas insistentes. A gente nunca sabe o que efetivamente vai nos moldar, até que já repetimos o padrão tantas vezes que quebrá-lo se torna um exercício de contínuo foco. Foco. Palavra mais repetida pelo meu pai em toda sua vida, eu acho.

Eu, por ter acreditado nas pessoas, quebrei a cara e não soube me recuperar. Encarei o lado negativo da vida, me isolei e constatei que o meu fundo do poço – naquele momento – havia chegado. Não há lugar para ir, a não ser para cima. A grande questão é que o comportamento antigo já se consolidou. O que fazer? Procurar ajuda. Em si ou nos outros? Ambos. O antigo sempre buscará se sobrepujar ao novo e te puxará aos velhos hábitos, que morrem devagar. Mas morrem!

Seguir encarando a vida com olhos preto e branco era uma das coisas que me faziam mal. Fui descobrindo as cores e, aos poucos, acreditando mais nas pessoas. Fui puxada para o fundo do poço novamente. E sigo sendo. Mas a cada escalada, percebo que chego mais longe e fica cada vez mais difícil o ruim alcançar – embora eventualmente, ele chegará.

E aí que chegamos onde eu queria começar o texto! O ano de 2014. Me senti puxada para o meu buraco apenas duas vezes este ano. Penso que finalmente quebrei um ciclo, que eu julgo ser o principal motivador da autodestruição que eu tanto luto contra. E um ciclo extremamente importante. Colocar fim em uma montanha russa de alegrias e tristezas que durou oito anos inteiros significa muito. E talvez eu não tenha perdido a minha essência – acreditar – e tenha amadurecido um pouco quando se trata de saber deixar o problema de cada um com seu respectivo. Não se pode abraçar o mundo.

E então, cheguei a segunda vez que fui atirada no buraco. Esta, inesperada e sob muita luta. O que senti durante agosto/setembro foi desespero. Eu vi potencial, acreditei, me esforcei, lutei, amei e pra que? Concluí que, realmente não posso forçar a minha entrada onde não quero ser recebida. Não devo procurar ajudar quem não quer ser ajudado (inclusive a lição que eu achava que já tinha aprendido). Não posso contribuir e carregar fardos cujos donos não querem ser questionados pois acreditam que apenas seu jeito é o certo.

Aceitar foi a parte dolorosa. Perceber que havia entrado no meu modo autodestruidor a partir do momento em que me permitia continuar nutrindo esperanças de que o reslumbre de bom que havia visto ao longo dos atos, na verdade, era ofuscado sob pilhas de julgamento e opiniões solidificadas sem um mísero de questionamento, foi a minha ruína. Desistir significava que eu errara e não havia cumprido com o meu papel.

Aqui, acho desnecessário falar sobre o lado bom de nós. Ele foi grande para caber nessa pseudo retrospectiva-reflexão. Creio que o meu erro tenha sido justamente esse: avaliar com diferentes pesos os lados bom e ruim da relação, sempre considerando mais o lado bom.

Mesmo que para mim o fim tenha começado antes mesmo de termos terminado, demorei dois meses para perceber que eu deveria ter forças para lidar com o aprendizado escrachado nos meses anteriores, senão, tudo que havia sofrido anteriormente, teria sido inútil. E sob a lembrança do meu buraco anterior e já bem conhecido, engoli meus sentimentos bons e procurava expulsar os ruins e fazer com que eles se tornassem evidentes e insuportáveis. Não foi só ele quem concluiu que, de fato, somos muito diferentes. Mas eu também tive que concluir que não somos complementares.

O problema foi que, no caminho, lidei com emoções fortes. Tive sentimentos ruins sendo empurrados pelos poros em direção às trevas que se formavam ao meu redor, sentimentos que estavam guardados há muitos anos. Acabei acelerando o processo de autodestruição, que já vinha em curso. Gerei contradição (de ambas partes), lembrei de situações que dava por esquecidas e fiz coisas que julgo erradas. Percebi uma alimentação negativa, o julgamento dele se unia ao meu. Sabia que fazia errado mas não sabia outra forma de arrancar um sentimento tão forte que residia em mim, pronto para ser retribuído e então, pisado. Eu ouvia seu julgamento e me importava!

E foi assim que o outubro chegou. O que eu anteriormente havia levado anos para transformar em uma situação insustentável, consegui – e não me orgulho – transformar em aproximadamente um mês. E doeu tanto! Tinha nojo do que me tornei, e assim, aparentemente sem mais nem menos, eu dei fim. Ironicamente, o fiz com um beijo e sob extremo desejo. De repente, tudo que eu sentia não estava mais lá.

A medida que fui liberando meus pensamentos e culpas, resgatei um sentimento que eu ignorava. O que poderia ser bom, estava enterrado sob camadas e camadas de medos e incertezas. Acho importante esclarecer que, para retirar o máximo de sentimentos bons que eu carregava da pessoa que havia me entregado novamente o direito de ser feliz acompanhada, eu mudei e acredito que jamais serei a mesma. Eis que, aparentemente sem cerimônia e sem sofrimento, eu segui em frente. Aos trancos e barrancos.

O mais irônico de tudo é que eu não teria tomado atitude alguma se não fosse por ti, pelo teu jeito de não se deixar levar pelo sentimento. A verdade é que eu não teria esperado mais uma semana. Eu já não estava ali. Pelo menos não da forma como nós havíamos existido. Por alguns instantes virei um fantasma do que eu era e acabei nos transformando em fantasmas também. Por isso, te peço perdão. Ter sido forçada a atos tão drásticos me fez refletir e perceber o momento em que meu mecanismo de autodestruição é atiçado. Eu só tive boas intenções e atualmente, só desejo teu bem – seja ele qual for e sob qualquer tua atitude, mesmo que ocasionalmente eu vire apenas um número (5).

Eu não sei se aceitei o teu jeito de ser. Ainda é muito complicado. Mas eu respeito. Talvez sob tuas mesmas vivências eu também reagiria dessa forma ( e vice versa). O fato é: continuaria sem dar certo por mais tempo.

E então, sob tempestades e trovões, dei um passo que não teria como ser retirado. Eu tinha duas opções, continuar ou abandonar. Da forma como eu estava, provavelmente teria escolhido a segunda opção. Provavelmente teria caído na tua manipulação de me manter à volta, sendo tua e indo contra meu próprio julgamento. Mas porque existe um amigo merecedor envolvido, eu continuei. E agradeço todos os dias.

Encarei muitos momentos de dualidade e momentos onde o que queria era me isolar. Com sorte as provas e o foco me mantiveram fora do buraco. E assim, evitei grandes destruições. Neste momento, lutava contra o intuito natural de esquecer do meu próprio sofrimento e focar nos danos que minhas ações causavam, ou simplesmente aprender a me fortalecer, tentando unir os aprendizados novos à minha essência.

Levo de 2014 a certeza de que coloquei à minha frente inúmeras pessoas e sentimentos, alguns bons e alguns ruins. Ainda aprendo com todos. Fiz amigos, dei muitas risadas, sofri bastante. O importante foi só ter caído no buraco duas vezes. Os dois, valeram muito a pena. Inicio 2015 com a presença da família e com paz no coração. Vejo harmonia e fico maravilhada com a evolução dos sentimentos, afinal, para tudo deve haver o equilíbrio. Ainda devo aprender a lidar com o sentimento de impotência criado por ter desistido de ajudar uma pessoa querida, entretanto devo saber respeitar meu próprio limite. Aproveitei 2014 até as últimas forças.

E que venha 2015!