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23 de ago. de 2015

onde existia o equilíbrio

Este ano é das despedidas.
Quando tu compras uma blusa nova é porque uma velha vai ser aposentada. Quando tu realmente gostas daquela blusa, tu luta para que ela fique lá no teu guarda-roupas e a usa mesmo que ela já esteja rasgada e surrada; e qualquer blusa que tu compre, pode até tentar, mas não vai substituir aquela que tu adorava. Acho que a analogia se aplica ao momento.

Vim guardando e tentando processar tudo que aconteceu nos últimos 3 anos. Houveram muitos momentos de descontrole, muitos de resgate... Com certeza foram aprendizados muito grandes. Consegui me abrir, analisar os outros e a mim, procurar os principais motivos de tais atitudes, montar o background e então tomar uma decisão com calma e serenidade.
Demorou. Foi bem doloroso e um caos enorme que muitas vezes explodiu de forma radial.

Durante um período tudo que eu queria era voltar à forma com que tudo transcorria. Mudanças são desgastantes. Maiores ainda quando a reforma é em ti e nos outros. Precisei alterar os padrões de toda minha família.
E ainda falta tanto...

Seria tudo bem mais fácil se o meu pessoal tivesse se mantido calmo e constante... não, foi uma série de desilusões e faltas de timming. Foi tentar resgatar tudo que eu havia deixado dormente ao longo da minha caminhada.
Principalmente ao longo deste tempo, minha autoconfiança foi muito oscilante. Aceitei a minha imagem, minhas qualidades e meus defeitos. Tentei mobilizar tudo que me afeta e processá-los internamente.
Talvez seja preciso resolver tudo do passado que ainda te assombra no presente para seguir para o futuro.

Muitas vezes tive pena de quem assistia aos meus dramas. Eu sabia que havia me desviado do caminho, sabia como corrigir tudo e mesmo assim eu ainda seguia, cada vez mais profundo, no caminho errado. Surrando ainda mais todo um emocional já fragilizado e em desordem.
E tu estavas lá, na mesma hora a cada semana, esperando para me mostrar o lado positivo das coisas erradas que eu fazia.
No penúltimo mês eu sentia vontade de te contar as coisas, de ver o teu sorriso de aprovação, de orgulho do teu próprio trabalho e de como tudo evoluiu.

No início desse ano eu conheci o trabalho da Flavia Melissa e, acompanhando todo desenrolar da caminhada dela, descobri outra destas raras conexões. Então, com o projeto 300 dias de Gratidão senti a vontade de colocar em prática muitas das teorias e desejos que passei a ter.
No início deste mês, quando recebi a notícia, logo pensei na situação da Flavia Melissa. A cada dia que passa sinto mais gratidão pelo trabalho que desenvolvemos e compreendo a necessidade deste momento em nossa caminhada.
Mas também não deixo de sentir tristeza e insegurança. Vou dizer adeus a uma das pessoas mais queridas que já conheci e admirei e no lugar que ela ocupa, virá alguém diferente.

Talvez agora, com estas duas últimas e fortes despedidas, eu esteja mais preparada para esta terceira. Saber que o motivo é muito nobre também ajuda.

Até na despedida tu me ajudas. A única coisa que posso fazer sobre estes 3 anos é agradecer por toda ajuda, paciência e positividade que tivestes.
Desejo, do fundo do meu coração, que tudo dê certo, pra nós duas.

23 de fev. de 2015

encontrando uma forma de viver sem fugir tanto...

Fiquei muito tempo pensando no que escreveria quando chegasse ao ponto de abrir essa tela com esse espaço em branco, e acredito que ainda não saiba muito bem o que sentir dados os acontecimentos. Essas férias foram bem pesadas emocionalmente e acho que desejo voltar a correria do dia a dia, pois tenho medo de ficar parada na cidade. Lembro de quando tive 3 meses em casa, sem planejar nada, sem esperar nada. Quero que a vida siga seu rumo, que venha cheia de agitações, quero tomar decisões. Quero que mais um semestre vá para conta, mas também tenho medo de quando o próximo não existir.

Sábado eu senti que tudo está próximo demais e encarei a realidade de que amigos próximos não estarão mais ao meu lado nos semestres que se seguirem. Da mesma forma que estou feliz, também estou triste e incomodada pelas decisões que as pessoas à minha volta tomam. Semana que vem posso abraçar mais uma vez um amigo querido que retorna de uma viagem longa e que estará em um momento sensível, ficará poucos dias, pois já vai embora para seus próximos semestres.

Uma irmã retorna a cidade, outra não gosta da escola nova, outro retorna e outra só retorna quando outra vai embora. Idas e vindas. Talvez por ter sido obrigada, desde 2006, a enxergar que o estar perto não é físico, hoje eu lide um pouco melhor com as chegadas e partidas que a Maria Rita tanto canta.

Entretanto partir fora do tempo e sem a devida necessidade me atormenta. Nos últimos anos assisto a ausências fortes e antecipadas e a cada vez que devo prestar meus pêsames, deixo de acreditar um pouco na vida e isso me traz uma desolação muito grande. Aos invés de deixar esse sentimento vir a tona eu o guardo para quando estiver sozinha e daí rezo soluçando. Essa foi a solução que aprendi em 2006 e a qual, por enquanto, vinha funcionando. Talvez ela já não seja a saída apropriada e eu deva vasculhar dentro de mim algo um pouco melhor. A verdade é que experimentar altos e baixos em um dia ou uma semana não é a melhor ação para mim pois sei que os baixos acabam indo muito ao fundo, até as minhas entranhas e, ao subirem, trazem a tona uma leva de sentimentos brutos que, na superfície, já se transformaram. E a confusão se instaura.

A estrada para o auto conhecimento tem sido longa e muito dolorosa e só agora, com mais de 2 anos de terapia semanal, consigo dizer que mudei para melhor. Controlo muito mais o que digo e, quando sei o que quero, consigo me expressar com exatidão. Quem muda, muda o mundo a sua volta e é nesse sentido que gostaria de compartilhar os frutos da minha terapia com aqueles que amo. Acredito que todos nós devemos visitar regularmente um psicólogo, não para que ele nos diga o que fazer, mas para que consigamos ter sangue frio para controlar nossas emoções até decidirmos o que fazer.

Ao todo, completo quase 4 anos de acompanhamento psicológico e pretendo continuar, não porque dependo disso, mas porque é o momento da minha semana no qual coloco a mão na consciência de verdade. No período em que acreditei que conseguia sozinha, andei em círculos. Quando entro naquela sala, não são emoções que tomam conta, pelo contrário, são divagações, às vezes monólogos nos quais percebo que por conta de uma única palavra, estava agindo errado. Ao falar em voz alta enxergo o que tenho capacidade para enxergar. Ainda não sou forte como desejo mas cada passo é comemorado vigorosamente.

Admitir que precisamos de ajuda é o passo mais importante e devemos confiar em alguém mais forte para nos fornecer as iluminações necessárias para que sigamos sempre em movimento, capazes de compreender as diferentes óticas que outras pessoas possuem.

Eu quero que a vida seja otimista e colorida, que flua com o máximo de acontecimentos bons possíveis e quero ser capaz de tocar a vida de todos com quem me importo. Cada um segue sua estrada individual mas ao encontrarmos encruzilhadas, encontramos também pessoas que tem o gentil gesto de compartilhar sua estrada conosco, por um intervalo de tempo. Podemos pegar carona na estrada alheia, podemos forçar com que elas se encontrem novamente, mesmo que antes do tempo, ou podemos seguir tendo nossas próprias escolhas, rezando para que estas pessoas também decidam por si só e que, por algum acaso, coincidência, destino ou influência Divina, nos encontremos novamente. Até lá, são tantas as opções que só podemos e conseguimos pensar nas ações que tornarão nossa trilha bonita e, desde que esta seja nossa justificativa, tudo está justificado.

Eu? Eu acredito na ação e na reação. Quanto mais bonitos formos, mais encruzilhadas com pessoas bonitas teremos. Por isso eu rezo para os quais desejo encontrar novamente, para que tomem decisões bonitas também e que me encham de orgulho.


"You'll be on my mind
Don't give yourself away
To the weight of love"
Weight of Love - The Black Keys

6 de nov. de 2014

A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way

"37
Costumava levar minhas mulheres às lutas de box e e às corridas de cavalo. Naquela quinta à noite fui com Katherine ao box e no estádio Olympic. Ela nunca tinha visto uma luta de perto. Chegamos lá antes da primeira luta e sentamos na boca do ringue. Eu bebia cerveja, fumava e esperava.
– É engraçado – disse a ela –, as pessoas chegam aqui e ficam esperando os dois homens subirem  lá no ringue pra se massacrarem.
– É horrível mesmo.
– Esse lugar foi  construído há muito tempo – eu  disse, enquanto ela examinava com os olhos a velha arena. – Só têm duas toaletes, uma pras mulheres, outra pros homens, e são muito pequenas. É melhor você ir antes ou  depois do intervalo.
– Tudo bem.
A maioria do público do Olympic era de latinos e trabalhadores brancos pobres, mais algumas estrelas de cinema e outras celebridades. Tinha bons lutadores mexicanos que brigavam com paixão. As lutas ruins ficavam a cargo dos brancos e negros, sobretudo os pesos pesados.

Era estranho estar ali com Katherine. As relações humanas são estranhas. Quer dizer, você passa um  tempo com uma pessoa, comendo, dormindo, vivendo e amando, conversando com ela, indo aos lugares – e, um  dia, tudo acaba.
Daí, você passa um tempo sem ninguém, até que aparece outra mulher, e aí você come com  ela, trepa com ela, e tudo parece tão normal, como se você estivesse o tempo todo esperando exatamente por ela, e ela por você. Nunca achei  correto estar sozinho; às vezes, era até bom, mas nunca achei correto.

A primeira luta foi bem boa, muito sangue e coragem. Assistir a lutas de box e ensina alguma coisa sobre o ato de escrever; a mesma coisa acontece com as corridas de cavalo.
A lição não é muito clara, mas eu sinto que me ajuda. Isso é que é importante: a lição nunca é clara. Lição sem palavras, como uma casa se incendiando, um terremoto, uma inundação ou uma mulher saindo do carro e mostrando as pernas. Eu não sei do que os outros escritores precisam, nem me interessa. Não os leio mesmo, Sou prisioneiro dos meus hábitos, dos meus preconceitos. Não é mau ser burro, se a ignorância for sua de fato. Eu sabia que um dia ainda iria escrever sobre Katherine e que ia ser difícil. É fácil escrever sobre putas, mas escrever sobre uma boa mulher é muito mais difícil.

A segunda luta foi boa também. A galera berrava e urrava e se empapuçava de cerveja. Eles tinham fugido provisoriamente das fábricas, armazéns, matadouros, postos de gasolina, e estariam de volta ao cativeiro no dia seguinte. Mas, agora, estavam fora, embriagados com a liberdade. Não estavam pensando na pobreza nem na escravidão. Nem na humilhação do seguro-desemprego e das cotas alimentares. Nós, os do lado de cá, estaremos bem até o dia que os pobres descobrirem com o fazer bombas atômicas no porão de casa.
Todas as lutas foram boas. Me levantei pra ir ao banheiro. Quando voltei, Katherine estava muito quieta. Parecia assistir a um espetáculo de balé ou  a um  concerto. Tão delicada e, no entanto, que foda maravilhosa...
Continuei bebendo. Katherine pegava na minha mão quando a luta ficava muito violenta. A galera adorava nocautes. Eles berravam quando um dos lutadores estava aponto de beijar a lona. Eram  eles que disparavam aqueles golpes. Na certa, estavam esmurrando seus patrões e esposas. Quem  sabe? Quem se importa? Mais cerveja.

Sugeri que saíssemos antes do final. Já vira o suficiente.
– Tudo bem  – disse ela.
Subimos pelo corredor estreito, através do ar azul de fumaça. Ninguém assobiou  ou fez  gestos obscenos. Minha cara amassada e riscada de cicatrizes inspirava respeito.
Voltamos até o estacionamento, debaixo da autoestrada. O fusca 67 não estava lá. O modelo 67 foi o último bom Volks – e a moçada sabia disso.
– Hepburn, roubaram a porra do meu carro.
– Ah, Hank, não acredito!
– Sumiu. Estava aqui – apontei. – Agora sumiu.
– Hank, o que a gente vai fazer?
– Bom, vamos tomar um táxi. Tô me sentindo mal à beça.
– Por que será que as pessoas fazem isso?
– É o jeito de eles se virarem.

Fomos até uma cafeteria e eu liguei pedindo um táxi. Tomamos café com rosquinhas.
Enquanto a gente assistia às lutas, eles arrombaram o carro e fizeram ligação direta. Eu costumava dizer: “Leve minha mulher, mas deixe meu carro em paz”. Eu jamais mataria um homem que tivesse me levado a mulher; mas seria capaz de matar o cara que roubou meu
carro.

O táxi chegou. Em casa, por sorte, tinha cerveja e um pouco de vodca. Perdi a esperança de ficar sóbrio o bastante pra poder trepar. Katherine percebeu isso. Eu ficava andando de lá pra cá, falando do meu fusca 67 azul. O último bom modelo. Eu não podia nem chamar a polícia. Estava bêbado demais. Ia ter que esperar até de manhã, até a hora do almoço.
– Hepburn – disse a ela –, não é sua culpa, não foi você quem roubou ele!
– Tomara tivesse sido eu. Você estaria com ele agora.
Fiquei imaginando dois ou três garotos correndo com o meu baby azul pela Estrada Costeira, puxando fumo, dando risadas, desmontando ele. Daí, pensei em todos os ferros velhos de Santa Fe Avenue. Montes de para-choques, para-brisas, maçanetas, limpadores de para-brisas, peças de motor, pneus, rodas, capôs, capotas, bancos, macacos, pedais de breque, rádios, pistões, válvulas, carburadores, camisas de pistão, engrenagens, eixos – meu carrinho logo se transformaria numa pilha de peças avulsas.
Naquela noite eu dormi  agarrado a Katherine, mas meu coração estava frio e triste.

38
(...)
Me preparei pra terceira corrida, reservada para potros e capões de dois anos sem vitórias. A cinco minutos do fechamento das apostas verifiquei  o totalizador e fui jogar. Ao me afastar, vi que o homem  duas fileiras abaixo conversava com Katherine. Todos os dias tinha pelo menos uma dúzia como ele nas corridas. Ficavam contando vantagem pras mulheres bonitas, na esperança de levá-las pra cama. Talvez nem  chegassem a pensar nisso; talvez não soubessem  direito o que queriam. Viviam aturdidos, baratinados, na lona. Quem seria capaz de odiá-los? Grandes ganhadores! Estavam sempre apostando no guichê de 2 dólares, com  o salto do sapato gasto e as roupas sujas. Estavam mais por baixo que todo mundo.

Apostei  no favorito. Chegou  na ponta e pagou  4 dólares. Não era muito, mas eu tinha apostado 10 na cabeça. O homem  de baixo virou-se para Katherine e disse:
– Acertei. Tinha 100 na cabeça!
Katherine não respondeu. Começava a se dar conta do truque. Ganhadores não ficam abrindo o bico. Têm medo de serem assassinados no estacionamento.
Depois da quarta corrida, cujo ganhador pagou  22,80, o cara se virou  de novo e disse a Katherine:
– Acertei  esse também. 10 na cabeça.
Ela me disse:
– Olha só a cara dele, Hank. É amarela. Você reparou nos olhos dele? É doente, coitado.
– É doente de sonho. Todos nós somos doentes de sonho, por isso estamos aqui .
– Hank, vambora.
– Tudo bem.

Naquela noite ela bebeu meia garrafa de vinho tinto, de bom vinho tinto, e ficou quieta e triste. Sabia que ela estava me identificando com  a turma das corridas e das lutas de boxe – e era verdade. Eu andava com eles, eu era um deles. Katherine sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, ideias, ideais, nem me preocupava com  política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante; dava muito trabalho. Eu queria mesmo era um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Pouco me importava.

A trepada foi ótima naquela noite, mas essa foi a noite em que perdi Katherine. Não havia nada que eu  pudesse fazer. Rolei pro lado e me limpei com os lençóis. Ela foi ao banheiro. Um helicóptero da polícia sobrevoava nossas cabeças, patrulhando Hollywood."
Mulheres
Charles Bukowski

Estava eu no ônibus lendo o velho Buk quando senti estes trechos como socos no estômago. O que se seguiu foi mais triste ainda e influenciou na minha aura. Foram flashbacks intensos em que vi praticamente minha vida toda. Aquelas 5 páginas que contam os momentos com Katherine me fizeram grudar no assento e fazer a típica pergunta: o que estou fazendo com a minha vida?
Saber que não posso lidar com os problemas da forma antiga mais me atormenta. A verdade é que tenho me afastado de muitas pessoas, tantas que sinto medo de desenvolver os antigos sentimentos ruins.

Cada vez que puxo o livro dentro do ônibus o faço de forma lenta e cuidadosa, o mesmo se segue na devolução dele pra mochila. Movimentos calmos e de proteção.
Livros são só livros, mas o Buk continua sendo o Buk. E eu o leio quando as coisas não vão bem. Ele tem me feito olhar fundo nos meus defeitos e enfiar os dedos grossos nas feridas abertas. Não me sinto apta a nada. Inclusive me pergunto como consegui me arrastar até aqui e penso que talvez não esteja tão mal assim.
Não tenho vontade de nada e isso me apavora. Não quero de jeito nenhum regredir e ter aqueles sentimentos e pensamentos negativos.

O Led voltou a tocar com tudo e sinto falta de fones de ouvido. Nunca entendi a fixação das pessoas por Kashmir. 
Não tenho me sentido no controle das situações. Apenas faço o que sou mandada. Incômodo. Todos os dias.

Não me vejo bagunçada, me vejo com medo e esgotada. Lutas constantes e o sentimento de não ser bem interpretada têm me tomado a mente. Voltei a usar máscaras durante parte do dia porque é a saída mais fácil, mas é uma fuga. Sempre que me pego agindo assim tenho voltado ao controle. Não quero fugir mais e talvez esse sentimento de esgotamento queira dizer que eu, finalmente esteja chegando a algum lugar.

Autenticidade e movimentação. A chave é não se deixar parar, movimentar-se nem que isso custe joelhos esfolados de tanto se arrastar. Aprendi isso.
Hoje, Buk e Led me dão força para traçar todas as linhas de proteção à minha volta e quem sabe, ao final deste ciclo, não esteja na hora de finalmente tatuar o ciclo protetor?

4 de out. de 2014

So have you got the guts?

eu sinto necessidade de escrever mas não sei ao certo sobre o quê. sinto necessidade de me controlar mas não sei que sentimentos devo ter porque não sei para onde quero ir.
hoje é sábado e semana passada eu nem podia imaginar tudo que aconteceu nessa semana, assim como tenho certeza de que sábado que vem também não acreditarei que mais uma semana se passou. e a semana que vem será complicada e exigirá muito foco.
acho que já cansei de saber o que sinto, já que sinto tudo junto. nos últimos dias creio que esteja só vivendo e esperando ser surpreendida pela vida. e foi exatamente o que tinha dito que não queria fazer porque achava que não seria satisfatório. tudo mudou e hoje já penso ser uma coisa boa, mas que desvia de todo objetivo que estava me impondo. o que me faz questionar: porque se impor?
agora me sinto sozinha e sem vontades. sem força para ir dormir e sem força para ir trabalhar. volto, então, à mesma sensação de antes, querer e não poder.
do lado existe um almaço todo rabiscado, o LibreOffice aberto, o Arctic Monkeys já no final e a Polar no freezer. o celular não toca e nem faz barulhos. o vento, silenciou.
quem sabe seja isso que esteja me incomodando: o silêncio. meu, dos outros e do vento.
porque me impus o silêncio? será que eu realmente cansei de falar? não sei se porque não falo mais, meu nível de audição aumentou. a sede, com certeza aumentou.
hoje senti como se nada tivesse mudado e esse sentimento tem sido recorrente. lembrei de quinta e pensei que tudo ficaria bem. com o tempo.
não sei se tenho todo esse tempo. nem imagino quanto tempo meu silêncio e muito menos o quanto essa sensação de pseudo calma irão durar.
o que eu sei é que são onze horas de um sábado a noite e tudo que eu mais quero é terminar os slides, que eu nem comecei.
aja Polar.

'Cause there's this tune I've found
That makes me think of you somehow
And I play it on repeat
Until I fall asleep(Do I Wanna Know - Arctic Monkeys)

27 de dez. de 2013

a tal da retrospectiva

"3. Eu estou viva. 2mil&13 me matou um bocadinho. Geralmente os ímpares me matam, nos anos pares eu colho. Parece coincidência, mas não é. Os ímpares matam (morrer é importante, deus me livre ser highlander) os pares acompanham, te dão suporte."
Li isso aqui. Fez total sentido. Talvez não do sentido pretendido, mas é assim não é? As palavras depois de ditas, tomam vida própria.

Esse ano foi maravilhoso, cheio de esclarecimentos e eventos. Mas por que não consigo me sentir assim agora, então? Agora tem o vazio e o sentimento de culpa. Sei que não deveria me queixar, tive um ano incrível e existem tantas outras coisas realmente difíceis. Um coração partido é apenas um coração partido até que ele se complete de novo e o ciclo se repita.

Sinto dor por ter falhado mais uma vez. Uma amiga solteira afirma que ela já sabe com quem vai casar, mas que no momento não é parar eles estarem juntos. Concluí que é isso que eu sinto. Quando finalmente me entreguei a todo sentimento, mandei uma mensagem dizendo que tínhamos todo tempo do mundo, porque eu não me imaginava mais sem ele. Continuo pensando a mesma coisa e estou me complicando.

Agora existem dias em que tudo é maravilhoso e quase não me sinto culpada por sorrir, entretanto a maior parte do tempo me sinto mal por ter provocado uma sensação tão terrível em quem eu amo. Eu queria entender porque eu gosto tanto de ti. Queria entender porque sinto como se nunca fôssemos conseguir ficar juntos. Quem sabe realmente não sejamos feito para estar juntos! Será que estamos insistindo em uma ideia fixa que nunca dará certo? Será que isso é amor?

Eu só queria o teu companheirismo e a tua risada estranha. Queria acordar contigo sempre, só para te ver sem óculos e não ser xingada por isso. Tu vais ficar guardado pra sempre. Agora eu preciso seguir a minha vida, de novo. E sozinha, de novo. Não vou morrer chorando dessa vez. Não vou dizer que nunca mais vou me apaixonar de novo e que o amor é uma merda. As coisas não são assim. O que falta é timming, não amor.

Aproveitando que 2013 foi um ano de descobertas e muito auto conhecimento, entro no clima de 2014. Ainda existem muitos obstáculos (internos e externos), e com certeza tudo que eu sinto agora já faz parte do primeiro desafio de 2014. Que venha o ano par!

29 de ago. de 2013

Carta Aberta

A gente perdeu o timming e sei lá eu mais o quê.
Perdemos o ponto da paixão onde tudo que importa é a outra pessoa e acho que isso não tem volta. Virou teimosia e uma série de tentativas em capítulos diferentes. Será que a gente sempre vai ser paralelos? Se acompanhar, de longe?
Porque sempre que as coisas vão dando errados e caindo, uma a uma, eu penso em ti? Mania louca essa e autocontrole maior ainda. Queria saber porque a ideia de estar juntos nos faz tão bem, se na verdade a execução é desastrosa. Será que só eu acho desastrosa?

Não sei se eu confio em ti e um dia eu queria que tu fosse sincero comigo. Quem sabe em 2015 a gente sente pra conversar e fique claro porque coisas como fazer ciúme no outro e monitorá-lo se tornaram usuais.

Maior situação não resolvida (será?) da minha vida.

"Love is our resistance,
They'll keep us apart and they won't stop breaking us down"

24 de out. de 2012

o começo do fim da meia hora

É engraçado a forma com que a vida segue em frente. O tempo passa e tanta coisa acontece, tudo junto! Os meus dois últimos anos parecem ter demorado o dobro, só ao pensar no tanto de coisas que aconteceram. Agora as informações chegam mais rápido e haja cabeça para absorver tudo que é dito.
Mais ainda, percebo tudo que eu quis falar e fazer mas que esqueci, adiei ou desisti e os resultados não são dos mais animadores. Seja por questão de espírito ou falta de tempo (desculpas), de fato sou preguiçosa e o pior do que ser preguiçosa com os outros é ser preguiçosa consigo mesma e a minha mente muito já me impediu de ser ou conhecer alguém interessante.

A perda de tempo em frente à essa tela é surpreendente enorme e em poucos minutos me distraio, perdendo horas que poderiam ser usadas para ler ou criar algo que me fizesse mais feliz. O vazio de vez em quando vira buraco-negro.
A mediocridade da vida e a relatividade do tempo têm me pego de surpresa. Nem que seja naquela meia hora tida como perdida, a proposta para o início do fim do ano é torná-la a melhor meia hora daquele dia, e assim, no próximo.


9 de out. de 2012

automaticamente feliz.

Eu acho que já não sinto nada, pois as minhas palavras acabaram., como se eu fosse vazia e antiga. Não escrevo nem mais pra mim, nem pra ninguém. Talvez a vontade de não escrever se resuma à não precisar contar nada, rotular ou deixar o sentimento ser o sentimento que bem entender; embora eu não seja tão leve para deixar esse pensamento dominar a minha consciência. Aliás, ela já andou em crise.

Ainda penso demais sobre os meu erros (e ainda não consigo aceitá-los a ponto de falar sobre) e ainda penso demais sobre a facilidade que seria se eu apenas me fechasse. Tenho acreditado estar dividida entre o que acredito ser o meu antigo lado - cheio de indagações e que me draga para a minha cama - e o lado que tenho tentado construir - o aperfeiçoamento e a terapia. Sim, voltei e espero que dessa vez eu consiga ser sincera.
Aparentemente não consigo ser um híbrido e tenho ficado chateada pois não consigo ter coragem e perco o controle. Quero me aperfeiçoar, não mudar.
Montei um trauma.

Nunca me incomodei pela falta de nomes, rótulos e sempre preferi mas agora preciso montar frases e, será que consigo explicar? Entre tantas outras perguntas, volto meu foco para os estudos e esqueço. Continuarei esquecendo, mas esse é o mecanismo que mais declara para o mundo que eu realmente não estou bem, todavia tenho me sentido bem. Tenho me acomodado, relutantemente.
Contradição, disputa e baixa auto estima, combinação explosiva que me faz parecer uma bipolar.

Quero intimidade sem cobrança e quero para qualquer relacionamento que me envolva. A minha terapia tem me ensinado que não posso tentar mudar ninguém mas será que eu consigo me mudar para não querer mais isso?

Ari González


3 de ago. de 2012

teorias estúpidas



sabe quando tu tens medo de te aproximar de alguém que um dia já foi muito íntimo teu, por simples e bobo medo da amizade não ser mais a mesma coisa? acho normal sentir isso porque nem sempre a conversa flui naturalmente. já não falo mais sobre contar as coisas da tua vida atual, porque acho que as melhores amizades não se constituem disso, mas falo sobre as conversas - maravilhosas - sobre beterrabas e teorias furadas.

mas existem algumas pessoas com que tu sabes que pode-se até ter medo, mas vocês nunca ficarão sem assunto e tudo será como se vocês tivessem se falado ontem. acho que a grande sacada não é falar 'estou namorando fulano' mas sim 'fulano, meu namorado, me levou ao show e nossa, comecei a escutá-los e estou adorando, já comprei tal cd...'

quando esse nível de cumplicidade ocorre por anos a fio, começo a pensar sobre a divisão de almas. é pura bobagem essa minha teoria mas ela me explica muito bem muitas questões que assolam a minha cabeça ocasionalmente.
acredito que no início de tudo, em um mundo que eu não acredito (essa parte ainda não está bem elaborada), havia um número finito de almas e estas se dividem, entrando um pedacinho em cada nascido vivo. caso encontremos alguém com um pedaço da mesma alma, viramos amigos, nos reconhecemos. simples assim, dividimos algo muito profundo. nem que seja apenas um olhar.

é pura bobagem mas é uma das fantasias realistas que eu inventei e que talvez alguns amigos concordem.
o mais importante é que eu procuro manter quem eu me identifico, mantenho o máximo de pedacinhos de almas perto de mim para quem sabe um dia formarmos um só.



idiotice.

27 de fev. de 2012

Querido L.

Andei pensado nas coisas que tu me falastes aquele dia e sei que tenho que parar de apenas pensá-las mas também agir. Ai meu querido, tem tanta coisa que eu gostaria de falar pra ti! Como eu quero o teu corpo de novo abracado ao meu!

Tu me acalmavas mas ao mesmo tempo me deixavas em pânico, só de pensar que eu poderia (e iria) te perder. Desejava todo dia que tu ficastes mais 24h comigo e a vontade não era apenas de te apertar mas sim de te fazer me melhorar. De certa forma tu estar ali fazia eu me deparar com o bom e o mal que tinha em mim e eu queria ver, porque me dava coragem saber que não estava sozinha, pela primeira vez na vida.

Mais do que isso, queria ter tido tempo para poder fazer isso contigo, tentar te ajudar porque nós precisamos muito de ajuda. Quero muito que tu voltes mas que dessa vez fique pra sempre.

1 de fev. de 2012

das interiorizações


Voltei com a música e a leitura. Reconheci que fiquei uma chata sem os antigos clássicos do rock. Ler me faz escrever e depois, pensar.
Com 13 anos gostava de me deitar na cama (ou no chão) e ficar escutando os clássicos que eu mais gostava, bem baixinho, do tipo que precisamos fazer esforço para escutar. Ali, eu pensava sobre tudo que podia e não podia pensar e foi nessa época que comecei a fazer as perguntas mais incríveis e até hoje mantenho essa mania.
De vez em quando fico quieta demais e minha mente trabalha em questões que eu nunca havia dado a devida atenção, como o comportamento de algum animal, dúvidas filosóficas ou até perguntas idiotas, daquelas que só as crianças na fase do 'porque' fazem. E às vezes eu admito que pareço uma.
Acho, na minha humilde opinião sobre eu mesma, que essa é uma das minhas melhores qualidades. Mantenho o equilíbrio entre a 'vida adulta' e a inocência da criança, sem medo de perguntar e ansiosa pela resposta, mas que só pelo contato com a poesia das músicas consigo me transportar facilmente para este mundo paralelo em que vivo.

Ultimamente passei a viver no mundo real durante todo o tempo e descobri que não sei e não gosto da pessoa que eu sou, então prefiro continuar com meus períodos de invisibilidade e paralelismo, seja no chão, na cama, na praia, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.



18 de dez. de 2011

feliz aniversário Carolina

Sempre me achei mentalmente instável. Por muitas vezes nesses 18 anos cogitei a hipótese do suicídio para ver se aliviava toda essa dor que eu sinto. Não sei de onde vem e não sei porque sinto afinal tive uma vida ‘boa’. Acho que isso já está em mim, mesmo tendo tudo para ser feliz não consigo aproveitar.

Houve um tempo em que planos para efetivamente acabar com tudo vinham aos montes, assim como as tentativas. Não sei como superei isso, quem sabe tenha sido o jeito que fui criada que acabou me ajudando. Não sei, só sei que consegui, meio sozinha, meio não sei como. Não tive ajuda de Deus, não tive ajuda de profissionais e nem mesmo de ninguém próximo, não falei com ninguém sobre isso, simplesmente pensei no quão injusta estava sendo, tendo muitas coisas e oportunidades e no entanto querendo jogar fora.

Antes insistia em dizer que não encontrava meu lugar no mundo mas também descobri que ninguém tem seu lugar no mundo, as pessoas batalham para conseguí-lo e fingem que conseguiram. O mundo não é nosso, nós somos repugnantes e seria uma coisa boa se todos percebessem o quão idiotas são e resolvessem admitir sua tristeza e mediocridade, tirando suas próprias vidas. Mas nem eu consegui, fiquei com medo do pós-morte. Alguma coisa me falou que não éramos tão ruins assim e aceitei a minha infelicidade. É muito fácil cair fora quando as coisas apertam, mais difícil ainda é lidar com isso, sofrer mais.

De repente não fazia sentido perder uma vida que poderia ser cheia de conquistas. Escutei na televisão que a dor era momentânea e resolvi acreditar. Já havia escutado isso várias vezes mas naquele momento começou a fazer sentido.
Hoje continuo pensando nas oportunidades que posso estar perdendo caso consiga cair fora, mas percebi que a dor não é momentânea coisa nenhuma. Na melhor das hipóteses quando tu conseguires te curar de um pouco de tristeza a vida vai lá e te dá mais uma boa amostra grátis de sofrimento e só temos que aceitá-la. Gosto de ver até quando agüento.
Não sei o que acontecerá comigo caso meus planos falhem, quem saiba aí sim eu consiga colocar em prática um dos meus planos que ainda estão guardados. Preciso de uma motivação, assim como todos nós.

Muita gente me acha sensível demais e falam que este é o meu problema. Não quero ajuda, só quero me decidir o que sou, alguém normal ou alguém problemática. Essa indecisão me satura.

27 de nov. de 2011

Contradição e Caos: o tudo.

Eu e o Dylan chegamos a conclusão de que é sempre relativo ao que se acaba sentindo, assim pelo geral. É o sentimento de empatia que te draga pra baixo da melancolia. Admiramos quem sente isso e transmite o sentimento de ser assim. Poetas e escritores ganham nosso prêmio de tristeza, é quase insuportável viver assim, aliás, nem é vida, é só dor. É desespero de estar preso aquele turbilhão de acontecimentos e ter de ficar ali, respeitando sem ser respeitado, com todos achando que nos compreendem quando nem sequer conseguem enxergar onde estamos e só podemos escrever pedindo socorro enquanto todos acham que escrevemos para ganhar dinheiro. É pela liberdade, afinal de contas! Libertar a alma de algum jeito, buscar extinguir toda tristeza do mundo, que insistimos em sentir.
Mas o mundo não sabe das nossas tristezas e também não sabe como lidar com elas. Já não existem mais anúncios de revistas que nos provoquem, não há mais recortes espalhados pela casa e as pessoas não sentam mais no chão do quarto para escutar seus CDs favoritos com a companhia de um cigarro.
Não há liberdade, só há tristeza.

Não se entendem as letras com pedidos de socorro e muito menos aquelas que dão um soco na cara da sociedade. Tudo é sobre amores perdidos, enquanto a natureza tenta nos socorrer, mudando.
A que ponto chegamos?

A maquiagem esconde a feiúra e as unhas vermelhas compridas contam para o cara o propósito dela ali, sem que ela precise abrir a boca. Cadê a liberdade? Cadê a inovação?
A maioria não cria nada porque sabe que será julgado e mal interpretado e eu até os considero sábios. Mas tem gente que nasceu interiorizando e precisa transmitir, correndo o risco de enlouquecer mais rapidamente se não criar.
O erro é precisar comentar e ser jovem o bastante para achar que mudará o mundo. Amanhã ninguém mais é o mesmo, nem o mundo, nem nós. As tristezas e frustrações só aumentam e não existem mais palavras suficientes para exprimir tudo isso. Interiorizamos.
Continuamos a nos repetir e continuaremos assim, pois não há quem nos faça ter fé em nós mesmos, não há mais sonhos, apenas remédios para doenças incuráveis, assim como perfume para o fim do mundo que se aproxima, fedorento.

De repente buscar sua paz parece uma jornada inatingível e a cada letra repetida nos afastamos mais. O que nos resta fazer é esperar e tentar não encontrar a razão, até lá. Afinal nós somos apenas contadores de histórias e, infelizmente, servimos à sociedade.

25 de nov. de 2011

Walk

Desde pequena eu presto atenção nas vezes em que vejo casais em uma cama, fumando, se divertindo e escutando música boa. Sei que isso não é o mais aconselhado para crianças mas eu nunca prestei atenção no sexo em si. Procurava decifrar o que acontecia entre eles, se era desejo ou amor, ou os dois.
Escutava aquele rock n’roll antigo e ficava pensando no que seria que eles estariam sentindo. Hoje eu descobri que sem o rock não faz o menor sentido ficar uma semana com alguém em uma cama e que mesmo que eu ainda não saiba explicar, esse sentimento também não precisa ser explicado. ‘Tem coisas que apenas são.’
Ficava prestando atenção nas conversas e principalmente no que não era dito. Procurava a beleza do momento e até hoje procuro. Não quero viver o romance perfeito, achar o príncipe encantado, casar cedo, ter filhos e morrer com ele. Nada disso me importa se eu não tiver isso. O que eu quero é aquilo. Quero a liberdade e a falta de compromissos de um fim de semana, uma televisão, muita música, cigarros, bebida e uma companhia despreocupada.
Por que eu descobri que não tem sensação melhor do que jogar tudo pro alto, de vez em quando. Apenas esquecer. Também descobri que consigo sim esquecer, nem que seja por um dia e que, por fazer isso, não vou ficar mais atrasada do que já estava. Ninguém (e nada) é insubstituível.
Quando faço isso, é porque eu preciso me encontrar, dar um tempo de tudo e parar para lembrar quais são as minhas crenças e desejos. Limpar a minha mente e reestabelecer as minhas prioridades. Por isso prefiro que isso ocorra de vez em quando ao invés de todo fim de semana, por que daí continua bonito, pelo menos pra mim, afinal, ao contrário do que pensam algumas pessoas eu nunca senti que fosse vulgar.


"I think I lost my way
Getting good at starting over
Everytime that I return

I'm learning to walk again
I believe I've waited long enough
Where do I begin?

I'm learning to talk again
Can't you see I've waited long enough
Where do I begin?

Do you remember the days
We built these paper mountains and sat and watched them burn
I think I found my place
Can't you feel it growing stronger"

Walk – Foo Fighters

17 de nov. de 2011

ser verdadeiro

Por muito tempo acreditei que se escrevesse colocaria tudo pra fora, todas essas coisas que eu sinto e que me fazem mal. Acreditava que depois, ficaria muito bem, conseguiria resolver meus problemas com facilidade mas claro, eu estava errada. Os meus problemas com 13 anos nunca passavam e agora, os meus problemas com 17 anos, muito menos, e no entanto eu continuo tentando fazer dar certo.
Escutei muita coisa ontem, de todos os lados. Coisas que eu já sabia mas que me deram uma dose de realidade e que serviram pra me mostrar que existe mais sentimento do que eu achava que existia. Eu pensei que tínhamos nos perdido mas que ao tu chegares e me falares tudo aquilo, bem acanhado, me fez primeiro ficar com raiva (claro). Eu sei que tu precisavas fazer isso, eu também precisava do choque de realidade, alguém que me dissesse que existe outro jeito mais fácil do que sempre pôr a cara a tapa porque cansa ter coragem de enfrentar tudo, sabe? Eu só queria que tu não tivesses feito isso pela internet, queria te abraçar forte e quem sabe te falar mais um monte de coisa que eu pensei nessa viagem. Realmente tem coisas que não são pra ser.
E de novo eu não sei com que cara vou te olhar, a vocês os dois na verdade. Pela primeira vez me faltou coragem e tudo que eu sinto de tristeza está ficando maior que eu mesma. Eu nunca me recuperei de ter te falado tudo aquilo sabe? Sempre me senti culpada e coloquei barreiras entre a gente.
Eu só tenho tentado chamar atenção de várias formas, não sei falar, só sei escrever mas também não gosto que leiam. Daí entra mais uma pessoa, a quem recorri ontem, depois de ter levado feio na cabeça, e por vários momentos hesitei. Não achava que seria tão fácil, achei que teríamos nos desconectado e que tu não conseguiria me melhorar e só piorar. Eu não sei se tu sentiu que ainda me conhecias mas eu demorei um pouco. Sei que tudo que tu me falou fez sentido e me ajudou. Por isso não quero me livrar de ti, nunca mais, meu amigo.

11 de nov. de 2011

Grace

querida Karen,


juro que tentei não vir te falar tudo que sinto, de novo. vejo que as coisas estão ficando muito monótonas, justo quando não deveriam estar. essa história de ser seu só de vez em quando já não está mais funcionando pra mim e eu te falei que aconteceria, mais cedo ou mais tarde.
tenho pensado nos momentos que passamos juntos e construir uma vida a dois é isso, não? dividir momentos bons e ruins, estar do lado do outro quando este precisa e eu devo te falar que tenho precisado bastante de ti e, no entanto, não faço idéia de onde tu estás.
essa é uma das coisas que mais me fascina em ti, o espírito aventureiro, meio irresponsável até, a facilidade com que conversas sobre todos os assuntos do mundo! e até quando desconhece determinado conteúdo, inventa e me fazes acreditar. tens um jeito moleca e elegante que me encanta, podendo ser os dois estilos ao mesmo tempo.


tenho te admirado demais para não fazer idéia de onde tu estás. te peço que volte pra mim, mas apenas se isso for o que o teu coração disser, afinal não quero te aprisionar e nem muito menos nos rotular.


com amor, André.

29 de out. de 2011

nas tardes de sábado

- Todo mundo deveria saber - e estar preparado - para o momento em que o cursor fica piscando no mesmo lugar.
- Principalmente os escritores.
- Claro que há os pseudo-escritores, esses podem ser pegos de surpresa, afinal não são realmente escritores.
- É, esses podem mas então todos escritores podem se dizer pseudo-escritores. Igual aos negros da Bahia se considerando caucasianos, afinal, não é a verdade universal que conta, e sim a tua verdade.

Furos em teorias.

4 de out. de 2011

'se eu já cansei de esconder, o que era fácil de achar'

é do tipo que bate forte, daquele jeito que eu só senti contigo. sentindo o teu coração bater forte e eu nem tão perto de ti tava.
senti isso esses dias, de novo.

to na fase da calmaria. não penso mais e nem fuxico mais mas mesmo assim de vez em quando espero algum sinal de vida. o que me anima é que tenho sido forte.

é meio que parecido com as coisas que eu tanto vivi. meio confuso, sem se saber até que ponto vai o limite mas mesmo assim, levando o limite cada vez mais longe, arriscando tudo. mas afinal de contas é só o que eu sei fazer: levantar, achar um objetivo, dar um jeito de conseguir, ver que não era bem assim, me deprimir e duvidar de tudo até que venha alguma força no caco de Carolina que sobrou e me levante novamente, dando início a mais um ciclo.

meu único medo é a intensidade da 'depressão'. não sei até quando vou poder lembrar da batida forte do teu coração e continuar assim, 'normal', sabendo que só foi aquela vez. fico com pena porque naqueles dias as coisas não ocorreram da melhor maneira possível, a gente sabe, mesmo tendo sido um dos melhores momentos da minha vida. já reconstruí isso na minha cabeça várias vezes e a cada vez fica melhor e gostaria de poder deixar uma lembrança mais forte.



"Hoje eu sonhei com você
E só te liguei porque eu precisava ouvir

Aquelas coisas que eram tão normais
Que a gente já nem falava mais
Eu queria tanto te ouvir dizer agora...

Então diga que não vai sair da minha vida
Diga que não passa de mentira quando dizem que o amor morreu
Então diga que o tempo fecha todas as feridas
Diga que não passa de mentira
Que nem por um segundo me esqueceu

E hoje acordei sem você
E eu só percebi quando eu senti falta de mim

Pois existem coisas que eu queria mais
E tantas outras pra deixar pra trás
Eu queria tanto te ouvir dizer agora..."

1 de set. de 2011

parabéns.

ontem o blog fez 2 anos e eu fiquei apavorada pensando no que falaria. resolvi não falar nada, só pensar em tudo que ele já significou. não sinto necessidade de parar e nem de mudar de endereço. não me enjoei daqui e sei que não posso parar de escrever. mesmo que escreva pra mim (hoje vi que isso é uma expressão de refúgio), me sujeito a aprovação/reprovação de qualquer um que pare pra ler isto.
escrevo porque preciso e não me importo que leiam, mas sinto vergonha caso me falem. sei que muitos destes textos não foram exatamente bons do ponto de vista literário mas já me falaram que escrevo com sentimento, logo me apego a essa ideia. transformei o blog em um algo sentimental, mesmo sem querer. me tornei sentimental, mesmo sem querer.

nesses pensamentos de ontem cheguei a muitas conclusões e percebi que gosto de mim, do que me tornei. gosto dos meus gostos musicais e literários, das minhas opiniões e das minhas palhaçadas. poderia ser autossuficiente mas escolho não o ser. abandonei a ideia de ser feliz sozinha, não penso mais em ter vários amigos mas sim na qualidade destes poucos. admiro meus defeitos acima de tudo e tenho feito o máximo para melhorar.
ontem vi que mudei, mais do que tinha planejado. ontem vi que meu coração não tem mais um dono mas que está cheio de carinho. demorou.

demorou dois anos. dois anos de desilusões, dois anos de alegrias, dois anos de perdas. dois anos de batalha. fico feliz de ter registrado tudo aqui e fico feliz de planejar registrar mais outras tantas coisas.