5 de dez. de 2011

veiculação de palavras sem sentido

nunca fui muito fã de ler jornais, sempre sujava a ponta dos dedos e me complicava naqueles montes de folhas soltas, além de não entender muita coisa da importância daquilo. claro, eu tinha por volta de 9 anos mas agora com o dobro, a minha opinião continua sendo a mesma. continuo não gostando de jornais e não os lendo, mesmo que agora entenda sua importância e a maioria das coisas que estão escritas nele. prefiro me atualizar pela internet ou então, como último recurso, comprando revistas.
contudo, até isso tem me tirado a paciência! jornalistas tem um padrão de escrita (todos nós temos, é isso que garante a nossa diferenciação), só que tenho achado esse padrão tão fraco, impessoal e fútil que está me repugnando. ir para uma faculdade, aprender a escrever, resgatar a notícia e fazer tão pouco por ela!

é sempre a mesma coisa, o mesmo padrão de apresentação, onde a informação é entregue ao leitor de uma maneira qualquer, como se não importasse o que está sendo escrito e fico com a sensação de ser fútil só por ler aquilo. não há um mínimo de consideração com a notícia e nem com quem a recebe, é simplesmente 'aconteceu isso, está nesse contextinho e é tudo que eu pude falar mas se tu procurares mais sobre tu vais encontrar uma versão contrária a minha, a verdadeira, estou sendo pago pra isso'.

além das páginas de fofoca, das quais nunca fui muito fã mas como mulher tenho meus momentos de fraqueza e de vez em quando procuro saber quais são as novidades do mundo dos famosos (já que eu não vejo nem novela nem televisão), assim como aquelas dicas de moda e beleza, mas só o que vejo de atualizações é 'fulaninha saiu de casa usando um óculos da marca tal tal, copiando outra fulaninha que já tinha saído na rua ontem com a mesma marca de óculos'. baaaaaaah que feio! a mesma marca de óculos, que informação que alterou o rumo do meu dia! pois então o que era pra ser entretenimento virou descontentamento. não existem mais notícias sobre exposições, opiniões válidas que os artistas deram ou sobre doações ou, como todo integrante de banda gosta de fazer, dar dicas de outras bandas não tão conhecidas. agora as notícias mais interessantes são sobre a atriz que levou o filho de 1 ano pra passear (onde normalmente eu nem sabia que ela tinha ficado grávida) e que só servem para ver se a criança é bonita (mas que baita utilidade) ou ainda como vou me formar esse ano, olhar que vestidos estão na moda, mas agora até isso já decidi.

me pergunto, quem perde horas olhando essas notícias? muita gente. se liguem, vocês não vão viver a vida desses artistas (e nem ter a conta bancária deles) só por ficarem bisbilhotando o dia-a-dia deles. que diferença fará tu saberes se ele foi para NY ou Paris fazer compras, se tu estás no Brasil e nunca nem fosse pra cidade vizinha? quem sabe se não tivesse tanta gente de cabeça fraca e apenas chorando as mágoas por ter nascido pobre e mais pessoas lutando pelas suas metas e pelo menos tentando ganhar dinheiro as coisas poderiam ser um pouquinho diferentes. temos de aceitar nossas realidades e fazer decisões que exaltem a vida que optamos, senão vivemos fora da casinha. que sonhos alguém que não conhece seus limites pode realizar?

30 de nov. de 2011

agridoce e leve

comecei a redescobrir música e em especial nessa, sinto a leveza de nós dois. claro, só descobri isso depois de a ter escutado umas 10 vezes. é, custei a perceber, assim como tudo que se refere a ti.
assim como só percebi hoje que no lugar da sala onde fica a minha mesa, bem na altura dos meus olhos lá pelas oito horas e meia da manhã, o sol sobe alto e encontra as junções dos dois prédios da volta e acaba por bater no meu olho. tem dias que eu não dou bola mas em outros insisto em dar aquela fechadinha na janela, mas todas as vezes eu chego na sala, abro a janela, mesmo sabendo que daqui a meia hora terei de fechá-la, nem que seja um pouquinho.
contigo é assim também, sei que terei que me fechar novamente mas continuo pensando em te deixar entrar mais um pouquinho, apenas por que a beleza de te ter comigo (e a de olhar a laguna em seguida do nascer do sol) compensa ter alguns incômodos, assim como o sol no olho.

"O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você

Não esqueço aquela esquina
A graça da menina
Eu só queria enxergar
Por isso eu me entrego
A um imediatismo cego
Pronta pro mundo acabar

Você acredita no depois
Prefiro o agora
Se no fim formos só nós dois
Que seja lá fora

O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você"

27 de nov. de 2011

how does it feel?




a maioria das biografias que valem a pena ser lidas, deveriam começar com 'eu queria mudar o mundo, mas'

Contradição e Caos: o tudo.

Eu e o Dylan chegamos a conclusão de que é sempre relativo ao que se acaba sentindo, assim pelo geral. É o sentimento de empatia que te draga pra baixo da melancolia. Admiramos quem sente isso e transmite o sentimento de ser assim. Poetas e escritores ganham nosso prêmio de tristeza, é quase insuportável viver assim, aliás, nem é vida, é só dor. É desespero de estar preso aquele turbilhão de acontecimentos e ter de ficar ali, respeitando sem ser respeitado, com todos achando que nos compreendem quando nem sequer conseguem enxergar onde estamos e só podemos escrever pedindo socorro enquanto todos acham que escrevemos para ganhar dinheiro. É pela liberdade, afinal de contas! Libertar a alma de algum jeito, buscar extinguir toda tristeza do mundo, que insistimos em sentir.
Mas o mundo não sabe das nossas tristezas e também não sabe como lidar com elas. Já não existem mais anúncios de revistas que nos provoquem, não há mais recortes espalhados pela casa e as pessoas não sentam mais no chão do quarto para escutar seus CDs favoritos com a companhia de um cigarro.
Não há liberdade, só há tristeza.

Não se entendem as letras com pedidos de socorro e muito menos aquelas que dão um soco na cara da sociedade. Tudo é sobre amores perdidos, enquanto a natureza tenta nos socorrer, mudando.
A que ponto chegamos?

A maquiagem esconde a feiúra e as unhas vermelhas compridas contam para o cara o propósito dela ali, sem que ela precise abrir a boca. Cadê a liberdade? Cadê a inovação?
A maioria não cria nada porque sabe que será julgado e mal interpretado e eu até os considero sábios. Mas tem gente que nasceu interiorizando e precisa transmitir, correndo o risco de enlouquecer mais rapidamente se não criar.
O erro é precisar comentar e ser jovem o bastante para achar que mudará o mundo. Amanhã ninguém mais é o mesmo, nem o mundo, nem nós. As tristezas e frustrações só aumentam e não existem mais palavras suficientes para exprimir tudo isso. Interiorizamos.
Continuamos a nos repetir e continuaremos assim, pois não há quem nos faça ter fé em nós mesmos, não há mais sonhos, apenas remédios para doenças incuráveis, assim como perfume para o fim do mundo que se aproxima, fedorento.

De repente buscar sua paz parece uma jornada inatingível e a cada letra repetida nos afastamos mais. O que nos resta fazer é esperar e tentar não encontrar a razão, até lá. Afinal nós somos apenas contadores de histórias e, infelizmente, servimos à sociedade.

25 de nov. de 2011

Walk

Desde pequena eu presto atenção nas vezes em que vejo casais em uma cama, fumando, se divertindo e escutando música boa. Sei que isso não é o mais aconselhado para crianças mas eu nunca prestei atenção no sexo em si. Procurava decifrar o que acontecia entre eles, se era desejo ou amor, ou os dois.
Escutava aquele rock n’roll antigo e ficava pensando no que seria que eles estariam sentindo. Hoje eu descobri que sem o rock não faz o menor sentido ficar uma semana com alguém em uma cama e que mesmo que eu ainda não saiba explicar, esse sentimento também não precisa ser explicado. ‘Tem coisas que apenas são.’
Ficava prestando atenção nas conversas e principalmente no que não era dito. Procurava a beleza do momento e até hoje procuro. Não quero viver o romance perfeito, achar o príncipe encantado, casar cedo, ter filhos e morrer com ele. Nada disso me importa se eu não tiver isso. O que eu quero é aquilo. Quero a liberdade e a falta de compromissos de um fim de semana, uma televisão, muita música, cigarros, bebida e uma companhia despreocupada.
Por que eu descobri que não tem sensação melhor do que jogar tudo pro alto, de vez em quando. Apenas esquecer. Também descobri que consigo sim esquecer, nem que seja por um dia e que, por fazer isso, não vou ficar mais atrasada do que já estava. Ninguém (e nada) é insubstituível.
Quando faço isso, é porque eu preciso me encontrar, dar um tempo de tudo e parar para lembrar quais são as minhas crenças e desejos. Limpar a minha mente e reestabelecer as minhas prioridades. Por isso prefiro que isso ocorra de vez em quando ao invés de todo fim de semana, por que daí continua bonito, pelo menos pra mim, afinal, ao contrário do que pensam algumas pessoas eu nunca senti que fosse vulgar.


"I think I lost my way
Getting good at starting over
Everytime that I return

I'm learning to walk again
I believe I've waited long enough
Where do I begin?

I'm learning to talk again
Can't you see I've waited long enough
Where do I begin?

Do you remember the days
We built these paper mountains and sat and watched them burn
I think I found my place
Can't you feel it growing stronger"

Walk – Foo Fighters

23 de nov. de 2011

corredores largos e escadas pequenas

tenho a insensata mania de, mesmo quando não posso usar fones, reproduzir músicas na minha cabeça. sempre sou distraída. hoje, subindo as escadas daquele hospital enorme, me encaminhando pra minha sala fria e maravilhosamente quieta, a Janis cantava na minha cabeça e eu lembrava de alguns comentários sobre aquela música. em um lance de cabeça, por um momentinho, te vi subir as escadas comigo e subi o próximo lance com um sorriso meio bobo. uma senhora caminhando bem devagarzinho sorriu de volta pra mim quando cheguei no topo da escada e só então percebi o que estava fazendo.
ao passar por mim, ela sussurou 'muito obrigada jovemzinha'.

22 de nov. de 2011